Publicado 02/05/2019 - 07h54 - Atualizado 02/05/2019 - 07h54

Por Daniel de Camargo

Manifestantes caminharam do Largo do Pará até a Catedral, onde houve discursos de sindicalistas

Leandro Ferreira/AAN

Manifestantes caminharam do Largo do Pará até a Catedral, onde houve discursos de sindicalistas

Aproximadamente 500 pessoas protestaram na manhã de ontem pelas ruas do Centro de Campinas contra a reforma da Previdência, acompanhando a série de manifestações realizadas no Brasil no feriado do Dia do Trabalhador. A mobilização, organizada por entidades sindicais, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), teve início por volta das 9h30, quando os participantes se concentraram no Largo do Pará.
Por cerca de 30 minutos, houve o compartilhamento de ideias. Quem passava por ali pôde, inclusive, adquirir livros em uma banca montada por representantes da Esquerda Marxista. À disposição dos interessados, obras com pensamentos e que relatavam a história de importantes personagens políticos da história mundial como Josef Stalin, revolucionário comunista. E, obviamente, do alemão Karl Marx, filósofo, político, economista, sociólogo e jornalista, que defendia a indispensabilidade de uma ruptura com o capitalismo e a adoção de um sistema político-econômico mais generoso.
Às 10h, os manifestantes deixaram a praça rumo à Catedral Metropolitana de Campinas, onde representantes das centrais sindicais discursaram sobre um trio elétrico. A comitiva desceu pela Rua Barão de Jaguara, até a Rua Conceição, por onde acessaram a Praça José Bonifácio. Escoltados por agentes de Mobilidade Urbana da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), o cortejo atraiu a atenção dos moradores da região.
Em alto e, na maior parte do tempo, bom tom, os participantes utilizaram o percurso para pedir a renúncia de Bolsonaro e a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o dia 7 de abril de 2018. As primeiras ações do capitão reformado do Exército também foram criticadas, entre elas, a flexibilização da posse de armas.
Greve
Sidalino Orsi Júnior, de 50 anos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, entende como necessária a realização de uma greve geral. Júnior recordou que o presidente defendeu a extinção da Justiça do Trabalho e disse que a Medida Provisória nº 873 de 2019, que altera essencialmente a forma de recolhimento de contribuições sindicais, retirando das empresas a obrigação do desconto e exigindo cobrança via boleto bancário, foi uma ação estratégica para enfraquecer os sindicatos.
Por fim, o sindicalista afirmou ser um crime a proposta de capitalização do ministro da Economia, Paulo Guedes. Hoje, o sistema faz com que os trabalhadores da ativa paguem os benefícios daqueles que se aposentam. No novo sistema, os cidadãos contribuem para uma conta, tipo uma poupança, que vai ser gerida por entidades públicas e privadas — a ser escolhida por cada empregado. Júnior vê a ação como uma forma de fortalecer a elite. No caso, os banqueiros.
 
Professores da Unicamp defendem Escola sem Censura
Docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) participaram do ato e distribuíram panfletos apresentando o movimento Escola Sem Censura, organizado por professores de Campinas e região. Wagner Romão, de 43 anos, que preside a Associação de Docentes da Unicamp (ADunicamp), afirma que o Governo Bolsonaro tem atuado de forma incisiva contra a liberdade de cátedra. No caso, o princípio acadêmico que assegura a autonomia de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. O educador defende a garantia do pluralismo de ideias e concepções no ensino, especialmente o universitário, bem como a independência didático-científica. Romão criticou ainda o corte de 30% no orçamento das universidades federais, anunciado anteontem pelo Ministério da Educação (MEC).
Grupos de esquerda ensaiam união
Público durante evento organizado por centrais sindicais e movimentos sociais na capital paulista
Manifestantes foram às ruas em todo o País ontem para protestar contra a reforma da Previdência. O movimento, organizado pelas frentes sindicais tenta marcar uma união da esquerda contra o governo de Jair Bolsonaro. O ato é uma organização conjunta de CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Intersindical, CSB, CGTB, Nova Central, CSP-Conlutas, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo.
Em São Paulo, o ato 1º de Maio unitário das Centrais Sindicais e Frentes ocupou o Vale do Anhangabaú. Ocorreram protestos também em vários pontos no País, como Rio de Janeiro, Ceará, Bahia, Brasília e Mato Grosso.
O ex-candidato do PT à Presidência da República Fernando Haddad minimizou a ausência de Marina Silva e Ciro Gomes, líderes importante da esquerda nacional, em evento das centrais sindicais, ontem, em São Paulo.
"Mas o Lupi (Carlos Lupi, presidente do PDT) está aqui, as centrais estão aqui todas. Nem todos os presidenciáveis estão aqui. Marina não está, Ciro não está", disse a jornalistas.
Haddad foi confrontando se a ausência de nomes como Ciro no ato seria algo importante, mas desconversou: "Não posso comentar uma coisa dessa. Eu estou aqui", disse Haddad. Mais cedo, Guilherme Boulos (PSOL) chegou a defender que Ciro deveria ter participado.
Apesar da forte pressão contra Bolsonaro, Haddad negou que a pauta do movimento seja um "Fora, Bolsonaro" e argumentou que processos de impeachment não podem ser usados desta forma. "Isso a gente tem de ter muito cuidado, porque a constituição estabelece que impeachment tem de ter crime de responsabilidade. Não pode ser palavra de ordem. Crime de responsabilidade é uma coisa e temos de ser estritamente fiéis à Constituição", defendeu. O petista argumentou ainda que a oposição é benéfica para o País e que isso faz parte do regime democrático. (Estadão Conteúdo)

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Daniel de Camargo