Publicado 01/05/2019 - 11h19 - Atualizado 01/05/2019 - 11h19

Por Renato Piovesan

A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, gestora do terminal, entrou com pedido de recuperação judicial em maio do ano passado

Leandro Ferreira/AAN

A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, gestora do terminal, entrou com pedido de recuperação judicial em maio do ano passado

A Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que administra o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, confirmou que pelo menos cinco empresas estão interessadas na compra do empreendimento. Além do consórcio formado pelas Zurich Airport e IG4, que já havia apresentado oficialmente uma proposta para assumir o controle do terminal, a reportagem apurou que as outras companhias que também estudam formalizar uma intenção de compra do complexo são o Grupo CCR, que já é responsável pela concessão das rodovias Anhanguera e Bandeirantes, que cortam a Região Metropolitana de Campinas (RMC) e diversas cidades do Estado; a Consórcio Inframérica, que administra os aeroportos de Brasília e Natal; o grupo Aeroportos de Paris e a Aena, que opera terminais na Espanha. Nenhuma delas ainda fala abertamente sobre o assunto.
Gestora do terminal campineiro desde 2013, a Aeroportos Brasil Viracopos tem dívida estimada em R$ 2,8 bilhões e já tentou devolver o aeroporto ao governo, como também solicitar, sem êxito, um pedido de reequilíbrio do contrato à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em maio do ano passado, a concessionária entrou com pedido de recuperação judicial. A Anac até entrou com um pedido na Justiça que pode levar à cassação da concessão de Viracopos, no entanto, uma decisão judicial paralisou o processo em dezembro.
“Mesmo com toda a estrutura e qualidade reconhecida, Viracopos continua com grande capacidade ociosa em razão da crise econômica que gerou frustração de demanda no aeroporto. Em 2018, Viracopos previa receber até 18 milhões de passageiros, de acordo com estudos do governo federal, mas teve 9,2 milhões. A falha do edital de concessão foi imputar às concessionárias as obrigações de grandes investimentos não atrelados a gatilhos de demanda”, declarou o diretor-presidente de Viracopos, Gustavo Müssnich.
Restando menos de 30 dias para a votação da Assembleia Geral de Credores, Viracopos tem a expectativa de aprovar seu Plano de Recuperação Judicial, considerando ser esta a melhor saída para os credores, clientes e colaboradores do aeroporto. A não-aprovação do Plano de Recuperação Judicial pode colocar em risco o projeto de Viracopos, segundo Müssnich.
Negociações
Em nota, a Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos informou que segue negociando com seus credores com o objetivo de obter o apoio necessário à aprovação do Plano de Recuperação Judicial. "A concessão de Viracopos é recorrentemente premiada pelos serviços prestados, corroborando a importância da continuidade da prestação dos serviços atuais. Viracopos foi eleito pelos passageiros o melhor aeroporto do Brasil, em 2018, e o melhor aeroporto de carga do mundo, em sua categoria”, destacou o texto.

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Renato Piovesan