Publicado 01/05/2019 - 09h55 - Atualizado 01/05/2019 - 09h55

Por Renato Piovesan

Petroleiros se reúnem na entrada da Refinaria de Paulínia, ontem de manhã:

Denny Cesare/AAN

Petroleiros se reúnem na entrada da Refinaria de Paulínia, ontem de manhã: "ataque à soberania nacional"

Petroleiros realizaram na manhã de ontem um protesto pacífico contra a privatização de refinarias e atrasaram em duas horas a entrada de trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan). De acordo com o sindicato que representa a categoria, o Sindipetro, ao menos 320 funcionários participaram do ato. A Polícia Militar (PM) acompanhou o movimento, mas não divulgou estimativa de número de participantes.
O ato em Paulínia foi convocado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que realizou mobilizações da categoria em várias partes do País. O Conselho de Administração da Petrobras aprovou na última sexta-feira a privatização de oito das 13 refinarias da estatal com produção de 2,2 milhões de barris por dia. Não fazem parte desse primeiro pacote as quatro refinarias do Estado de São Paulo, incluindo a Replan, além da Reduc, no Rio de Janeiro. As refinarias com autorização para venda são: Abreu e Lima (Rnest), Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), Refinaria Landulpho Alves (Rlam), Refinaria Gabriel Passos (Regap), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), Refinaria Isaac Sabbá (Reman) e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor).
De acordo com o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, a expectativa é de arrecadação superior a US$ 15 bilhões com a venda das refinarias. Os trabalhadores do ramo petrolífero temem que ocorram demissões em massa no setor e consideram a venda de refinarias como “um ataque à soberania nacional e à autonomia do País”. Eles ainda alertam para a possibilidade de novos aumentos no valor da gasolina caso as refinarias sejam vendidas e continuem seguindo a atual política de preços (paridade internacional) implementada em 2016.
Desinvestimento
Em nota, a Petrobras informou que o projeto de desinvestimento das refinarias, além do reposicionamento do portfólio em segmentos com maior vantagem competitiva e rentabilidade, possibilitará dar maior competitividade e transparência ao segmento de refino no Brasil, em linha com o posicionamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e recomendações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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Renato Piovesan