Publicado 14/05/2019 - 02h00 - Atualizado 13/05/2019 - 20h46

Por Carlo Carcani Filho


O Santos fez uma atuação brilhante contra o Vasco da Gama. Venceu por 3 a 0 e se deu ao luxo de perder muitas chances. O placar poderia ter sido bem maior. Mas pouco se falou da bela atuação do time de Sampaoli. O assunto dominante foi a entrega do troféu “Craque do Jogo” a Sidão, goleiro que teve atuação desastrosa no Pacaembu.
A Globo entrega o prêmio ao jogador eleito por seus telespectadores através de enquete na internet. Como Sidão falhou no primeiro gol e passou a ter seu nome gritado pela torcida, a zoeira logo chegou às redes sociais. Milhares de internautas resolveram, ironicamente, apontá-lo como o “craque do jogo”.
Ouvi muitas críticas aos brasileiros que votaram no goleiro, mas eles não têm culpa nenhuma pelo extremamente constrangedor desfecho da história.
Só quem nunca foi a um estádio de futebol pode criticar o público. Tirar a concentração ou abalar um adversário é, desde sempre, um objetivo das torcidas. Não estou discutindo se é certo ou errado. É apenas uma constatação.
Portanto, a torcida do Santos fez o que qualquer outra faria em situação semelhante. Não foi crueldade ou desrespeito, foi provocação. Faz parte do jogo.
O grande e único problema foi a falta de sensibilidade da Globo. Sidão teve 90% dos votos e é extremamente óbvio que o resultado foi fruto de uma brincadeira. Entregar o troféu a um atleta que acabou de perder e jogar mal foi um erro gritante.
Vi a cena ao vivo e fiquei triste não apenas por Sidão, mas também pela repórter Júlia Guimarães. A jornalista chorou após o episódio e procurou o goleiro para pedir desculpas.
Mesmo irritado pela derrota e abalado pela própria performance, Sidão foi educado diante de uma cena tão desrespeitosa. Ele pode ser vaiado pela torcida, provocado por adversários e ser alvo de piadas de humoristas. Tudo isso faz parte de sua profissão. Mas não deveria jamais ter sido humilhado em rede nacional por uma eleição claramente distorcida.
A Globo pediu desculpas ao atleta e anunciou mudanças no sistema de escolha. A votação popular foi mantida, mas passa a ter peso zero, já que os comentaristas também vão votar. Terão a responsabilidade de evitar que novas brincadeiras causem um dano tão grande.
Sidão e Júlia passaram por esse episódio desconfortável porque o comando da equipe envolvida na transmissão não teve a capacidade de interromper o protocolo diante da clara zoação do público. Ao dar o troféu de craque do jogo ao goleiro, a Globo transformou brincadeira em desrespeito.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho