Publicado 08/05/2019 - 02h00 - Atualizado 07/05/2019 - 19h03

Por Carlo Carcani Filho


A Ponte Preta anunciou ontem o desligamento de quatro jogadores de seu elenco. O lateral-direito Luís Ricardo e o volante Igor Henrique deixam o Majestoso por decisão do clube. Mas a notícia surpreendente da terça-feira foi o anúncio de que os atacantes Renato Kayzer e Júlio César também vão embora. O motivo, na minha opinião, é um completo absurdo.
“Eles colocaram que estavam descontentes e não tinham mais o interesse de permanecer. Quando cheguei, o primeiro discurso que tive com o elenco foi que a gente realmente ia contar com os profissionais que quisessem abraçar, honrar a camisa e tivesse o perfil competitivo da Ponte. A partir do momento que não tivesse esse perfil, vida que segue. A Ponte está contando com os atletas que realmente estão interessados no nosso projeto”, explicou Gustavo Bueno, executivo de futebol da Ponte Preta.
Se o motivo for esse mesmo e o clube não estiver em dívida com o elenco (Gustavo afirmou ontem que não está), acho que a Ponte erra feio ao permitir que dois jogadores — titulares do técnico Jorginho — deixem o Majestoso.
Afinal, para que vale um contrato, do ponto de vista do clube? Quando a Ponte Preta deixa de cumprir suas obrigações trabalhistas, o atleta vai à Justiça e, invariavelmente, ganha a ação. É ótimo que seja assim. É correto que seja assim.
Mas e quando ocorre o contrário? A Ponte será indenizada pelo rompimento do contrato? Há rumores que os dois atletas podem assinar com equipes que também estão disputando a Série B. Ou seja, a Ponte não apenas acatou o “pedido” de ambos, como ainda vai assumir o risco de reforçar dois concorrentes na briga pelo acesso à Série A. Não faz sentido. Ou ao menos não deveria fazer.
O discurso de que “não adianta” manter no elenco atletas que não querem ficar não pode ser levado ao pé da letra. Se os dois estivessem jogando mal, treinando mal e com um rendimento muito abaixo do esperado pela comissão técnica, eles até poderiam ser dispensados durante a vigência do contrato? A resposta é sim, desde que o clube estivesse disposto a assumir mais dois processos trabalhistas.
Agora se é o jogador que deseja romper o contrato, o clube tem procurar outro, que tenha seu “perfil”.
Nesse aspecto, o futebol é muito amador. Atletas profissionais são mimados e a postura dos times contribui para isso. Kayzer e Júlio César poderiam ir embora, desde que a Ponte fosse ressarcida pela quebra dos contratos.
No futebol, a legislação trabalhista é cumprida por apenas uma das partes. Até quando?

Escrito por:

Carlo Carcani Filho