Publicado 03/05/2019 - 01h00 - Atualizado 02/05/2019 - 19h00

Por Carlo Carcani Filho


É evidente que o desempenho de um time nos dois primeiros jogos não serve de base para uma projeção do que será capaz de fazer em 38 rodadas. A Série B de 2018 teve dois bons exemplos disso. O Paysandu largou com duas vitórias e hoje está na terceira divisão. O Goiás teve um início desastroso (cinco derrotas e dois empates) e hoje está na elite do futebol nacional.
Mas casos como esses são raros. São exceções. A regra é que times incapazes de fazer uma largada ao menos razoável sofram no final da temporada. Foi o que aconteceu com o Juventude. Perdeu do Figueirense na estreia e empatou com o Oeste na 2ª rodada. O Boa também começou mal, com duas derrotas seguidas para Londrina e Fortaleza. Depois perdeu mais três.
Juventude e Boa não conseguiram se recuperar. Neste final de semana, vão receber Remo e Volta Redonda, pela Série C. O que aconteceu com ambos é a regra.
O Guarani começou sua terceira participação seguida na Série B com um empate sem gols com o Figueirense no Brinco de Ouro e com uma derrota por 2 a 0 para o Oeste, em Barueri.
Não é motivo para desespero, mas é um péssimo sinal. Afinal, não se trata apenas de uma largada ruim. O Guarani iniciou a Série B com praticamente o mesmo elenco que disputou o Paulistão. Se trata, portanto, de uma equipe que não vence há oito partidas. O último triunfo, no já distante 23 de fevereiro, foi suado e contra o São Caetano, rebaixado à Série A2.
Vinícius Eutrópio teve um mês para treinar a equipe, período maior do que a pré-temporada com Osmar Loss. Quando foi contratado, rasgou elogios ao elenco, mas após perder para o Oeste já falou sobre reforços e disse que está trocando pneus com o veículo em movimento.
A entrevista equivocada foi a primeira. O Guarani não fez um bom Paulistão e terminou jogando muito mal. Ainda assim, a diretoria optou por iniciar a Série B — muito mais difícil e importante — com a mesma base. Escolheu um treinador sem bons resultados nos últimos anos e que já teve uma passagem curta e desastrosa por Campinas.
A largada ruim não surpreende ninguém. Era esperada porque o Guarani não fez nada para que fosse diferente. Se em 30 dias de trabalho Eutrópio apresentou um time com baixo rendimento, o que pode levar a torcida a crer que em apenas 11 as coisas vão melhorar?
Casos raros mostram que o Guarani tem tempo para se recuperar e fazer uma boa campanha. Mas a lógica indica que os erros acumulados desde dezembro podem ter resultados desastrosos.
Os sinais de que o Bugre terá que lutar muito para se manter na divisão são evidentes e alarmantes. É fundamental que a diretoria, desde já, dê a eles a devida atenção.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho