Baú da RAC

O clube-empresa Red Bull/Bragantino já é uma realidade e, com absoluta certeza, não será uma exceção no futebol brasileiro. Nos últimos dias, o presidente do CSA, Rafael Tenório, falou sobre negociações com um grupo chinês. Segundo o dirigente, a empresa deve fazer uma proposta oficial para a aquisição do clube nos próximos 15 dias. A oferta deve ficar na casa dos R$ 100 milhões.
Não sei se o negócio será fechado e nem mesmo se a oferta será feita. Mas tenho convicção de que no futuro todos os clubes seguirão esse caminho. Não se trata de uma escolha. Será mesmo uma questão de sobrevivência, principalmente para os que ficam com as fatias bem fininhas do bolo de dinheiro dos direitos de transmissão.
Os clubes pequenos e médios não vão durar muito tempo no modelo atual. Hoje, eles não existem para competir e lucrar. Existem para exibir atletas de empresários. Quando um se destaca, logo é vendido a um clube maior. E é nesse ponto que mora o problema.
O jogador vendido fica feliz da vida com seu novo contrato, o empresário tem um lucro enorme em cima do que investiu no seu cliente e o clube fica com seus 10% ou 15% de comissão. O valor que entra é baixo e o time ainda sofre uma baixa técnica.
Acompanhem as escalações dos times da Série A. Contem quantos titulares de equipes da elite nacional passaram recentemente pela Ponte Preta. A lista é robusta. Tem Clayson, André Luís, Rodinei, Edílson, Marcos Rocha, Antônio Carlos, Reinaldo, Biro Biro, Tchê Tchê, Luan, Elias, Bruno Silva, Marcelo Lomba e por aí vai.
Em quase todos os casos, a Ponte deu visibilidade a esses jogadores. Eles tiveram bom desempenho e conseguiram boas transferências. Todos ajudaram a Ponte de alguma forma, mas deixaram o Majestoso no momento de interesse de seus empresários.
Mas e financeiramente? Se fosse capaz de encontrar tantos jogadores de qualidade, contratá-los e vendê-los depois de duas ou três boas temporadas, a Macaca estaria nadando em dinheiro. A realidade, porém, é outra. Vira e mexe, algum jogador aciona o clube na Justiça por causa de salários atrasados.
Os times precisam deixar de ser vitrines. O clube que não recebe fortunas da TV precisa fazer bons negócios para ser competitivo dentro de campo e ter as contas equilibradas.
Pode ser que a tal empresa chinesa nem exista e que em 15 dias nada mude no CSA. Mas no futuro, em um futebol cada vez mais profissional, só vai sobreviver quem tiver recursos para comprar e vender. Ser vitrine não enche a barriga de ninguém.
JOGO RÁPIDO 05/05/2019 Ser vitrine não enche barriga Por Carlo Carcani Filho

Coluna publicada na edição de 5/5/19 do Correio Popular