Publicado 26/04/2019 - 15h48 - Atualizado 26/04/2019 - 15h49

Por Agência Brasil

O ciclone Kenneth atingiu o norte de Moçambique nessa quinta-feira (25) e colocou o país em

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O ciclone Kenneth atingiu o norte de Moçambique nessa quinta-feira (25) e colocou o país em "alerta vermelho"

 Apenas seis semanas após o ciclone Idai ter devastado parte da costa de Moçambique, o país banhado pelo Oceano Índico é novamente afetado por um fenômeno meteorológico. O ciclone Kenneth atingiu o norte de Moçambique nessa quinta-feira (25) e colocou o país em "alerta vermelho".
O ciclone Kenneth atingiu o Continente Africano com rajadas de 270 km por hora e ventos máximos contínuos de até 220 km/h, informou o Centro da Junta de Aviso de Tufão (JTWC, um órgão americano de informações meteorológicas), depois de ter passado pelas ilhas Comores, onde três pessoas morreram.
O ciclone tem força equivalente a um furacão de categoria 4 na escala Saffir-Simpson, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), que acompanha a tempestade. Os especialistas acrescentaram que "esta é a primeira [e mais forte] tempestade com força de furacão" a atingir a região. Ciclones dessa magnitude são raros no local, e não há registros de dois em tão curto espaço de tempo.
Kenneth resultará, nos próximos dez dias, no dobro de chuvas das que foram originadas pelo ciclone Idai, segundo o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), Herve Verhoosel. "Estima-se registrar até 600 milímetros de chuvas, o dobro do mesmo período após a passagem do ciclone Idai, no mês passado", disse Verhoosel.
Informações preliminares indicaram ao menos uma pessoa morta na cidade de Pemba, no norte de Moçambique, devido à queda de um coqueiro pelos fortes ventos. O relato de uma segunda vítima, também na província de Cabo Delgado, não foi confirmado. A falta de energia e dificuldades na comunicação tem dificultado a análise da situação.
Relatos locais apontam para elevados estragos na região, com casas precárias destruídas, levadas pelo vento forte e chuva intensa, e com famílias ao relento no arquipélago das Quirimbas, especialmente na Ilha do Ibo, e ainda nos distritos continentais de Quissanga, Mucojo, junto à costa, e Macomia, um pouco mais para o interior do país.
As Nações Unidas alertaram que, embora o ciclone tenha perdido intensidade, ele continua provocando fortes chuvas, e persiste elevado risco de enchentes e deslizamentos de terra no extremo norte de Moçambique.
"O ciclone Kenneth pode exigir grande operação humanitária paralelamente à resposta em curso ao ciclone Idai", afirmou o Escritório das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários (Ocha).
Autoridades alertaram que vários rios, bem como cursos de águas costeiras, podem transbordar e colocar centenas de milhares de pessoas em risco. A diretora do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Moçambique (INGC), Augusta Maita, afirmou que as ordens de evacuação estavam em vigor na província de Cabo Delgado.
"Todas as medidas serão implementadas para salvar vidas", disse Maita. "Vamos garantir que as pessoas sejam retiradas, mesmo que isso signifique uma evacuação forçada. Temos mais de 36 mil famílias em áreas de risco."
O ciclone Kenneth atingiu a cidade portuária de Pemba, mais ao norte de onde o ciclone Idai atingira Moçambique no início de março. No entanto, autoridades alertaram que os danos causados pelas duas tempestades podem ter impacto cumulativo.
"Estamos especialmente preocupados com o possível impacto do ciclone Kenneth em Moçambique, onde as comunidades ainda estão se recuperando da devastação do Idai", disse Fatoumata Nafo-Traore, diretor regional para a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
Em março, o Idai atingiu Moçambique perto da cidade da Beira, na província de Sofala, e causou centenas de mortes – números oficiais indicam mais de 600, mas estimativas superam as mil vítimas – e deslocou milhares de pessoas. As inundações também levaram a surtos de cólera. O ciclone Idai também atingiu Madagascar, Malawi e Zimbábue. No total, a tempestade matou mais de mil pessoas e afetou mais de 3 milhões.

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