Publicado 08/04/2019 - 14h30 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci

Ana Beatriz Brandão, de 19 anos:

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Ana Beatriz Brandão, de 19 anos: "Acho que os livros de romance não servem apenas para entreter, eles podem ser fonte de conhecimento, e é isso que busco colocar em minhas histórias"

Na imaginação popular, o dom para escrever um livro é tarefa exclusiva para intelectuais e escritores maduros, com décadas de bagagem e alto nível cultural. Porém, cada vez mais engajados e em busca de uma literatura mais de fantasia, jovens talentos da literatura brasileira provam que conseguem passar para o papel grandes histórias, muitas dignas de best seller e até filmes. É o caso das obras da escritora paulista Ana Beatriz Brandão, de 19 anos. Com 5 anos já era uma ávida leitora, aos 13 iniciava uma jornada cercada de magia junto aos seus personagens e, atualmente, soma cinco livros e embarca na forte emoção de acompanhar o filme baseado em seus dois best-sellers, O garoto do cachecol vermelho e A garota das sapatilhas brancas, ambos da editora Verus. Ana Beatriz vive intensas aventuras todos os dias e celebra suas publicações, desde a mais recente obra Sob a luz da escuridão, até aquela que pela primeira vez cativou o público, Sombra de um anjo. Não esquece as emoções vivenciadas em Caçadores de almas, que também tem um valor inestimável à jovem escritora. Seu maior sonho é poder continuar contando suas histórias para todos aqueles que, assim como ela, acreditam que os livros são a melhor forma de tocar o coração das pessoas e mudar suas vidas, principalmente os jovens. “Acredito que os jovens buscam boas histórias, aquelas que nos fazem sentir alguma coisa, que nos toquem de alguma forma”, diz Ana Beatriz, que busca sempre abordar assuntos mais delicados em suas obras para os jovens tomarem conhecimento, como foi o caso da doença esclerose lateral amiotrófica, abordada nos livros O garoto do cachecol vermelho e A garota das sapatilhas brancas. “Acho que os livros de romance não servem apenas para entreter, eles podem ser fonte de conhecimento, e é isso que busco colocar em minhas histórias”, completa.

Cordel para as crianças
Nascida em Valinhos e moradora de Barão Geraldo, a contadora de histórias Laura Tomé, de 25 anos, lançou recentemente o livro voltado para o público infantil Daniel e as Borboletas. Escrito em forma de literatura de cordel e publicado de forma independente, a obra tem como personagem um menino, Daniel, inspirado em um antigo namorado na vida real, que, por ter muito medo de borboletas, acaba sofrendo bullying por parte de sua turma na escola. Ao ter notícia disso, a professora exige uma lição de casa que mudará a forma como as crianças entendem a palavra coragem. Terão que entrevistar pessoas de todos os tipos e descobrir o medo que lhes vai na alma. “O texto mostra a diferença em ser corajoso e ter medo. Busca estimular o respeito às diferenças, a empatia das crianças e a coragem em cada um que lê”, diz Laura. O amor pela literatura e a arte estão na veia da jovem. “Quando era pequena, minha mãe era palhaça e eu assistia as apresentações dela. Também cresci com meu pai contando histórias, a maioria com rimas, e nesse imaginário começou meu gosto pela literatura”, conta Laura, que diz que teve o gosto influenciado também pelas leituras de obras de grandes escritores como Ariano Suassuna, dramaturgo e romancista paraibano falecido em julho de 2014.
Com o gosto apurado em obras de mestres da literatura, Laura não se enquadra no estilo atual dos jovens.”Gosto mais de Fernando Pessoa e literatura brasileira como Machado de Assis, dos antigões. Hoje os jovens estão mais na literatura fantástica e fortemente importada, como norte-americana e inglesa. Dou aula para adolescentes e vejo pouco eles lendo literatura brasileira. Mas já vi amigos lendo Garcia Marques, Eduardo Galeano, que é muito conteiro, Mia Couto e fico muito feliz porque são grandes influências no meu trabalho”, diz Laura, que não se define como escritora. “A minha profissão é contadora, que vem do jogo e brincadeira falada. Assim como esses mestres, sou uma conteira”.
Laura escreve e apresenta contos infantis e adultos, em performances lúdicas, mescladas de músicas e brincadeiras populares brasileiras, e tem se utilizado da forma do cordel – estrofes de seis versos (sextilhas), quase sempre de seis sílabas (hexassílabos) – para apresentar suas histórias, que depois também são vendidas em folhetins, mas Daniel e as Borboletas é sua primeira criação que nasceu já pensada como um livro. Laura conta que, de tanto ler cordel, acabou, naturalmente, aprendendo a escrever histórias utilizando a métrica dos poetas e cantadores nordestinos. Cursa Artes Cênicas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), se apresenta como contadora de histórias e leciona teatro adulto e infantil. Também oferece cursos livres e oficinas de Contação de Histórias.

Terror entre linhas
A paixão pela leitura na vida do antologista e ghost writer Raul Dias, de 27 anos, começou aos 13 anos, mas só agora ganhou notoriedade com sua escrita focada em história de terror e fantasia dark. “Escrevo nas horas livres e trabalho no Poupa Tempo de Campinas durante a semana. Comecei a organizar coletâneas de terror para autores que amam o gênero e é algo que tem dado certo”, diz Dias, que conquistou destaque com suas coletâneas na internet na categoria terror no site Amazon. “No ano passado, na Bienal do Livro, uma das minhas coletâneas, a Daemonum Sigillum, que é um livro que fala sobre os demônios da goécia, zerou mil exemplares em seu lançamento”, diz o jovem autor, que lançou outras coletâneas em formato digital pelo mesmo site. “Escrevi o Noite Macabra, no ano passado, com a colaboração de alguns amigos que escrevem terror. São contos inéditos ambientados em uma mansão de terror onde os personagens são nós mesmos com um enigma do rei do horror H.P Lovecraft. Ficamos por três semanas como o mais vendido no amazon em terror no Halloween”, comenta. Entre outros projetos, destaque para o conto de terror Cavalo de Xangô, em homenagem á consciência negra, e no lançamento do livro de vampiros na Expo Horror São Paulo, para este ano. “Vai se chamar Colméia de Sangue e será uma seleção magnífica com contos de vampiros de origem fenicia envolvendo o mistério da Pedra da Gávea do Rio de Janeiro e a tumba de uma vampira ancestral e impiedosa”, antecipa. Para finalizar, o rapaz está prestes a lançar seu livro solo Pequenos Detalhes do Tempo, que conta a história sobre guerras e amores impossíveis em uma época de horror fascismo e medo. “Escrevi em dois meses e está no processo final de edição onde buscarei financiamento coletivo e só depois de fazer a versão física, lanço em digital na Amazon”.

Escrito por:

Daniela Nucci