Publicado 30/04/2019 - 09h43 - Atualizado 30/04/2019 - 09h44

Por Henrique Hein

A água da piscina sem tratamento adequado assusta os moradores: imóvel no Botafogo é alugado pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura

Denny Cesare/AAN

A água da piscina sem tratamento adequado assusta os moradores: imóvel no Botafogo é alugado pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura

A epidemia de dengue que assola a cidade de Campinas ganhou mais um capítulo preocupante no final da tarde de ontem, com a divulgação do mais novo balanço do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa). De acordo com a atualização, o número de casos confirmados da doença no município subiu 45,1% em apenas sete dias. Entre 22 e 29 de abril, 2.478 novos registros foram confirmados, fazendo com que a cidade saltasse de 5.493 ocorrências para as atuais 7.971. 
Trata-se de um número que supera todas as expectativas da Secretária de Saúde. No final de março, o secretário da pasta, Carmino de Souza, havia dito, em coletiva de imprensa, que a estimativa para 2019 era de 3 a 5 mil pessoas infectadas pela dengue ao longo de todo o ano.
A região mais afetada pela dengue na cidade é a Noroeste, onde fica o distrito do Campo Grande, com 2.463 registros. A região Sul – que engloba bairros que fazem limite com os municípios de Indaiatuba e Valinhos — está em segundo lugar, com 2.061. O Estado de São Paulo enfrenta epidemia da doença desde o começo de 2019.
Segundo a Prefeitura, Campinas entrou em epidemia mais tarde, pois houve intensificação das ações de prevenção em campo, como controle de criadouros, nebulização, bloqueio a cada ocorrência e atividades de mobilização social, entre outros. Por esse motivo, Campinas terá um período epidêmico mais curto já que doença é sazonal e a sazonalidade se encerra em maio.
Prevenção
A Secretaria Municipal de Serviços Públicos informou ontem que iniciou um mutirão de limpeza na região do Campo Belo e Sul de Campinas, com serviços de limpeza, manutenção de vias e roçagem de mato. Os serviços seguem até a próxima sexta-feira, dia 5 de maio, exceto amanhã, 1º de maio, feriado do Dia do Trabalho.
De acordo com o secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, o mutirão atua com diversas ações para promover a limpeza em vários pontos e auxiliar no combate à proliferação do mosquito transmissor da dengue.
Estão em campo equipes com cerca de 170 pessoas, entre funcionários e reeducandos, para coleta de entulho e resíduos orgânicos, cata-treco para remoção de móveis e aparelhos descartados irregularmente; manutenção de vias de terra, roçagem de mato áreas públicas não urbanizadas; praças e canteiros; limpeza de córregos; capinação de guias e sarjetas; desobstrução de bocas de lobo. Para esse trabalho, estão sendo utilizadas cerca de 30 máquinas, tratores e caminhões.
Os serviços estão sendo executados nos bairros Campo Belo 1 e 2, Cidade Singer 1 e 2, Jardim Fernanda 1 e 2, Jardim Itaguaçu 1 e 2, Jardim Marisa, São Domingos, Vila Palmeiras, Dom Gilberto, e outros. “A luta contra a dengue exige uma contrapartida de toda sociedade. A Prefeitura mantém um programa de controle e prevenção da dengue. Mas cada cidadão precisa fazer sua parte de cuidados com os espaços, destinando corretamente os resíduos e evitando criadouros”, informou a nota do Governo Municipal.
Macaco com febre amarela é encontrado
Além do aumento no número de casos de dengue na cidade, o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) confirmou ontem que um caso positivo de febre amarela em um macaco foi identificado em Campinas. O animal foi encontrado morto na região Sul da cidade, próximo ao bosque de um terreno pertencente ao Guarani, na Rodovia dos Bandeirantes, em 20 de março.
As amostras enviadas ao Instituto Adolfo Lutz confirmaram a febre amarela. Diante da ocorrência, a Secretaria de Saúde informou que iniciou uma série de medidas na região, que incluem pesquisa entomológica (de mosquitos) para ver se há presença de mosquitos silvestres na área.
Além disso, a Administração também deu andamento a ações educativas e reforço na orientação para que as pessoas que nunca tomaram a dose contra a febre amarela procurem qualquer um dos 66 centros de saúde para se vacinar. Em caso de contraindicação à vacina, a orientação é o uso de repelente. Desde o ano 2000, foram aplicadas 1.228.761 doses da vacina contra febre amarela em Campinas.
Este foi o primeiro macaco com febre amarela identificado em 2019. Os últimos casos foram registrados em 2017, quando nove macacos foram confirmados com a doença. Em humanos, Campinas registrou dois casos da doença: o primeiro, autóctone, em 2017; e o segundo, importado, em 2018.
“Importante ressaltar que embora o macaco tenha sido encontrado em uma área urbana, a doença ocorreu na forma silvestre. Portanto, não há transmissão urbana da febre amarela em Campinas”, informou em nota a Prefeitura.
PISCINA COM ÁGUA SEM TRATAMENTO NO BOTAFOGO PREOCUPA A VIZINHANÇA
Moradores do bairro do Botafogo, em Campinas, estão inconformados com a situação de abandono de uma piscina, localizada em uma casa na Rua Anita Mayer. Eles alegam que o espaço não recebe manutenção há mais de seis meses e que, por causa disso, estão com medo de que a água parada da piscina existente mo imóvel contribua com a proliferação da dengue na região.
A reportagem conseguiu acesso ao imóvel pela janela de uma casa vizinha. Lá, foi possível notar que a água da piscina está completamente esverdeada, como se ninguém fizesse a manutenção do espaço há muito tempo. A água, além de parada, também está exposta ao sol — ontem foi possível ver vários mosquitos rondando a área, que é alugada pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura.
Ao saberem dessa informação, os moradores ouvidos pela reportagem ficaram ainda mais indignados. Eles alegaram ser inadmissível ver o Governo Municipal pedir para que a população faça a sua parte — limpando e não deixando água parada — em suas residências “se as autoridades competentes, que deveriam dar o exemplo para a população, não se mostram preocupados em fazer a parte delas”, disse um dos vizinhos, que preferiu não se identificar.

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Henrique Hein