Publicado 30/04/2019 - 08h00 - Atualizado 30/04/2019 - 08h00

Por Maria Teresa Costa

Vista aérea feita da Represa do Jaguari, partindo da cidade de Jacareí: sistema opera com 60% da capacidade

Cedoc/RAC

Vista aérea feita da Represa do Jaguari, partindo da cidade de Jacareí: sistema opera com 60% da capacidade

Com volume de chuva 76% acima da média histórica para o mês, o Sistema Cantareira fecha abril armazenando 58,7% da capacidade de volume útil. A previsão do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) é que o sistema fechará maio operando com 60% da capacidade, o que dará tranquilidade para a região de Campinas e a Grande São Paulo atravessarem o período mais severo da estiagem, que começa em 1º de junho.
As chuvas levaram os gestores do Cantareira a reduzirem a vazão dos reservatórios para as Bacias PCJ a partir de hoje, de 4,5 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 3 m3/s. Desse volume, 0,5 m3/s está sendo descarregado no Rio Jaguari e 2,5 m3/s no Rio Atibaia. A redução visa segurar água nos reservatórios, para ajudar a formar um estoque suficiente para o enfrentamento da estiagem.
O Rio Atibaia, responsável pelo abastecimento de Campinas, estava ontem com vazão de 29,2 m3/s no posto de monitoramento de Valinhos, que fica a cerca de um quilômetro do ponto onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) capta água para abastecer 95% da cidade.
Nos cenários de simulação que a Sabesp utiliza, o atual nível do Sistema Cantareira é suficiente para a manutenção das operações que são feitas hoje, mesmo com cenários de estiagem forte, informou a empresa, em nota. Ainda assim, é importante que a população se mantenha alerta sobre o consumo de água, usando-a de modo racional, sem desperdícios, afirma.
Um fator importante, segundo a Sabesp, é que a Região Metropolitana de São Paulo não é mais tão dependente do Cantareira. “Se antes da crise hídrica o Cantareira produzia cerca de 33 m3/s, hoje produz em média 25 m3/s, ou seja, cerca de 25% menos. Abastecia cerca de 10 milhões de pessoas e hoje são aproximadamente 7,5 milhões”, informa. Redução, segundo a Sabesp, suprida com a participação de outros sistemas (inclusive o novo Sistema São Lourenço e a interligação Jaguari-Atibainha) e a adoção de um consumo racional por parte da população.
Há quatro anos, na pior crise hídrica enfrentada pelo sistema, os reservatórios já operavam com o chamado volume morto — a água que fica abaixo das comportas e que, para ser captada, precisava ser bombeada.
A média de chuva nos meses de abril é de 86,6 milímetros (mm) e este mês, até ontem, o volume já somava 152,3 mm. Segundo a empresa Climatempo, após o mês de março ter apresentando chuvas abaixo do esperado em alguns pontos da bacia, o mês de abril acabou impressionando de forma positiva os técnicos, que apostavam em precipitações mais volumosas para a recuperação do Sistema Cantareira para o período de estiagem.
Embora o período da estiagem esteja em curso, para efeitos de operação dos reservatórios do sistema, ele começa em 1º de junho e vai até 30 de novembro. Nesse período, as Bacias PCJ têm garantia de liberação de 10m3/s dos reservatórios. Caso ocorra uma seca extrema, como a de 2014/2015, e o volume útil das barragens fique abaixo de 20%, a vazão mínima a ser liberada para as Bacias PCJ será de 10 m3/s no posto de controle de Valinhos e de 2m3/s, no posto de controle de Buenópolis.

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Maria Teresa Costa