Publicado 28/04/2019 - 09h00 - Atualizado 28/04/2019 - 09h12

Por Francisco Lima Neto

Praça Omar Cardoso, no bairro Jardim Flamboyant: entulho e lixo provocam preocupação

Denny Cesare / AAN

Praça Omar Cardoso, no bairro Jardim Flamboyant: entulho e lixo provocam preocupação

A cidade de Campinas está entre os 10 municípios com mais casos de dengue em todo o Estado de São Paulo - que já concentra mais de 85 mil diagnósticos confirmados de janeiro até o último dia 15. Bauru, Araraquara, São José do Rio Preto, Andradina, Barretos, Campinas, São Joaquim da Barra, São Paulo, Fernandópolis e Birigui respondem por 52,9% de todos os casos do Estado. Situação pode ser ainda pior, pois dados vão só até último dia 22.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, por conta da circulação do sorotipo 2 de dengue, “mesmo as pessoas que já tiveram dengue tipo 1, por exemplo, estão suscetíveis a infecções, o que contribui para o aumento de casos e até mesmo para a ocorrência de quadros clínicos mais graves”.
No entanto, a situação do Estado pode ser ainda pior, já que os dados divulgados se referem apenas até o dia 15 de abril.
O número de casos confirmados de dengue em Campinas até o último dia 22, já superou as projeções da Secretaria Municipal de Saúde para todo o ano de 2019. De acordo com boletim divulgado na última segunda-feira pela pasta, foram contabilizadas 5.493 confirmações da doença entre moradores da cidade.
Agente faz nebulização em quintal como medida preventiva contra dengue
No fim de março, em coletiva de imprensa, o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, havia dito que a estimativa era de 3 a 5 mil pessoas infectadas pela dengue ao longo de 2019. Porém, desde então a epidemia da doença disparou no município.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea Von Zuben, admite que a força da transmissão do vírus foi maior que a projetada inicialmente, e afirma que novas estimativas não serão divulgadas.
“Houve uma primeira projeção, no começo da epidemia, mas logo vimos que a força da transmissão estava maior. Teve semana que até dobrou o número de casos. É difícil fazermos novas projeções neste cenário. Historicamente, abril costuma ser o mês com maior número de casos. Em maio começa a diminuir e nos meses seguintes se estabiliza”, explica.
A tendência é que o número de casos confirmados de dengue siga aumentando nas próximas semanas, já que outras 1.734 notificações suspeitas estão passando por investigação.
Segundo Von Zuben, é essencial que a população tenha atenção redobrada com os criadouros do mosquito. “A dengue é um problema urbano. É preciso um trabalho da Prefeitura em conjunto com os moradores. Diversos estudos mostram que 80% dos criadouros do mosquito estão dentro dos próprios domicílios, e se deixarmos o mosquito se proliferar, a doença, inevitavelmente, vai continuar elevando o número de casos”, diz.
“O apoio da população é fundamental para evitar focos do mosquito transmissor da dengue, uma vez que cerca de 80% dos criadouros estão em residências”, afirma a secretaria de saúde do estado.
Imóvel fechado possui uma piscina com água parada que assusta vizinhos
A cidade com situação mais preocupante é Bauru, que lidera o ranking de casos da doença não só no Estado de São Paulo, como no País, segundo o Ministério da Saúde.
Além do alto número de casos registrado, 12 mortes pela doença já foram contabilizadas em Bauru. Os óbitos foram confirmados pelo Instituto Adolf Lutz. Para efeito de comparação, na última epidemia registrada no município, em 2015, foram anotados 8.482 casos e apenas seis mortes.
Trabalho de campo
A Secretaria de Saúde do Estado reforça que, conforme diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), o trabalho de campo para combate ao mosquito Aedes aegypti compete primordialmente aos municípios. “O Estado presta auxílio por meio de treinamentos técnicos, além de apoio, sempre que necessário, do efetivo da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) para ações de nebulização, entre outras”, informa via assessoria de imprensa.
Há ainda a realização de exames de sorologia com finalidade epidemiológica por meio da rede de laboratórios do Instituto Adolfo Lutz. “O apoio da população é fundamental para evitar focos do mosquito transmissor da dengue, uma vez que cerca de 80% dos criadouros estão em residências”, aponta o Estado.
Imóvel fechado é preocupação constante
Um exemplo de como a dengue acaba voltando ser um problema na cidade está no bairro Cambuí. Sonia Felipe, que trabalha em uma imobiliária, na Rua General Osório, denuncia uma casa que está fechada há meses, na Rua Emílio Ribas, e que faz fundo com a imobiliária.
“Nessa casa tem uma piscina cheia de larvas, tá tudo sujo. Aqui está cheio de mosquito da dengue. A gente comprou repelente, mas mesmo assim passa o dia matando pernilongo”, afirma.
Uma funcionária do estabelecimento está com suspeita de dengue, inclusive. “Já fizemos denúncia no 156 da Prefeitura faz uns dois meses, mas ninguém fez nada”, diz.
A Prefeitura foi questionada e informou que a Vigilância Sanitária Leste (Visa Leste) foi na última sexta-feira ao endereço para fazer a vistoria. “Mas a propriedade estava fechada e não havia um responsável no local. Sem o mesmo não é possível entrar no imóvel. Agora, a Visa Leste tentará localizar o dono para agendar uma vistoria”, afirmou.
CASOS SÃO PRIORIDADE
Os casos de suspeita de dengue são tratados como prioridade em todos os 65 Centros de Saúde (CS) de Campinas. Essa é a determinação da Secretaria de Saúde. A medida foi tomada no começo do mês, quando o município atingiu 799 ocorrências confirmadas da doença. Em todo o ano de 2018 foram apenas 301.
Foram estabelecidas duas unidades de referência na rede - Centro de Saúde São Bernardo, que é próximo ao Hospital Mário Gatti, e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Campo Grande, que fica na região mais afetada pela dengue.

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Francisco Lima Neto