Publicado 27/04/2019 - 09h59 - Atualizado 27/04/2019 - 09h59

Por Henrique Hein

José Henrique Ventura, diretor do Departamento de Polícia Judiciária

Cedoc/RAC

José Henrique Ventura, diretor do Departamento de Polícia Judiciária

Estatísticas criminais divulgadas quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) revelaram que seis em cada dez estupros, em Campinas, no primeiro trimestre deste ano, foram cometidos contra vulneráveis. 
Ou seja, contra alguém que não possui discernimento da gravidade da ação praticada pelo agressor. São os casos dos indivíduos menores de 14 anos, com deficiência mental e/ou que não podem oferecer resistência frente ao estuprador. Taxa percentual cresceu cerca de 10% em um ano
Segundo o balanço, dos 39 estupros computados, entre janeiro e março deste ano, 25 (64,1%) foram praticados contra vulneráveis — um aumento percentual gritante na comparação com os dados do mesmo período do ano passado, quando 54% das vítimas se enquadravam nesta categoria. Desde 2016, a SSP tem separado a quantificação dos crimes cometidos contra vulneráveis e não-vulneráveis em todas as cidades do Estado. Em todos os anos, o número de vítimas classificadas como vulneráveis foi superior a 50% dos casos registrados.
Ainda de acordo com os dados da SSP, entre setembro de 2016 e março de 2019, 417 vulneráveis foram estuprados em Campinas. Trata-se de uma média de um crime cometido a cada dois dias, nos últimos 31 meses. Na avaliação do diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 2), José Henrique Ventura, o alto número de estupros praticados contra vulneráveis não o impressiona, já que, segundo ele, a maioria dos crimes desta categoria (vulneráveis ou não) envolve pessoas que se conhecem, seja por relação de vizinhança, parentesco, amizade ou amorosa.
O diretor explica que isso é um fator que dificulta a prevenção do ato e que prender os estupradores não é uma ação que, por si só, vai resolver o problema. “O estuprador sabe que as crianças são indefesas e que não têm muitas vezes a quem recorrer. Quando uma delas consegue ter a coragem de contar isso para a sua mãe, por exemplo, ela dificilmente é ouvida, e até por causa disso, fica sujeita a ser estuprada mais de uma vez pelo mesmo agressor”.
Denunciar é fundamental
Para Ventura, a população precisa ser mais ativa, ajudando a denunciar os atos dos agressores. Segundo ele, pais, padrastos e pessoas que costumam frequentar a casa das crianças, estão no topo da lista de acometedores. “Denunciar é um ato de cidadania. Se alguém tiver conhecimento ou desconfiar de algo, denuncie imediatamente a situação para que a polícia possa investigar”, comentou.
As denúncias podem ser feitas pelo telefone do disque denúncia ou diretamente com a polícia nos distritos policias ou pelo 190. “Há casos de estupros que chegam até a gente, mas que a vítima já havia sendo abusado há anos. Isso é mais comum do que muita gente imagina, inclusive”, ressaltou o diretor.
SAIBA MAIS
Os Distrito Policiais (DP) que mais computaram os crimes foram o 9° e o 11º, que abrangem as regiões dos distritos do Ouro Verde e do Campo Grande, respectivamente. Ao todo, o município possui 13 DPs. Juntas, as duas delegacias mencionadas foram responsáveis por computar, entre 2016 e 2019, cerca de 40% do total de crimes sexuais contra vulneráveis da cidade: 164 dos 417.

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Henrique Hein