Publicado 27/04/2019 - 09h40 - Atualizado 27/04/2019 - 09h40

Por Francisco Lima Neto

Jonas Donizette participa da inauguração do CS, que já estava atendendo

Leandro Ferreira / AAN

Jonas Donizette participa da inauguração do CS, que já estava atendendo

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette, rejeitou a orientação do Diretório Nacional de seu partido, o PSB, e declarou apoio à reforma da Previdência. Ele, inclusive, disse que vai trabalhar dentro da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) — entidade que preside, pela aprovação da reforma. Chefe do Executivo irá defender na Frente Nacional de Prefeitos
O PSB definiu na última quinta-feira que o partido é contra a proposta de reforma apresentada pelo governo federal. Para o partido, a reforma significa a destruição da Seguridade Social e o empobrecimento geral do País, sobretudo dos pequenos municípios e dos mais pobres. A legenda tem 34 deputados na Câmara Federal que precisam seguir a decisão.
No entanto, Jonas é contra a decisão e diz que a reforma é necessária. "As pessoas estão tendo mais longevidade, estão vivendo mais. O cálculo atuarial, que é o que uma pessoa vive após a aposentadoria, é 23 anos. Se a pessoa aposenta com pouca idade ela vai ter um tempo maior de recebimento e aí desequilibra o sistema previdenciário", aponta.
Ainda de acordo com o prefeito, atualmente, existem poucas pessoas recebendo muito dinheiro e uma grande quantidade de pessoas que recebem pouco dinheiro. "A reforma é justamente para mudar isso. Para que ela garanta a aposentadoria de todos, dentro de um critério de mais igualdade, sem privilégios", explica.
"Fui vereador, deputado estadual e federal, prefeito. Abri mão de todas as aposentadorias especiais. Tenho 27 anos de mandato e 27 anos de contribuição ao INSS", lembra Jonas.
De acordo com ele, apoiar a reforma não significa concordar com o texto integral. "Acho que poderia mudar a parte da aposentadoria rural. O trabalho rural é um trabalho duro, trabalho pesado. Dificilmente uma pessoa que trabalha na roça vive o mesmo tempo de uma pessoa que trabalha na cidade. Acho que isso deve mudar", exemplifica.
Jonas também defende outra visão para o Benefício de Prestação Continuada (BPC). "O Beneficio de Prestação Continuada, que hoje é R$ 1 mil, estão falando em R$ 400. Viver com R$ 1 mil já é muito difícil, viver com R$ 400 então, é impossível. Então acho que essas coisas devem mudar", defende.
Segundo Jonas, votar contra a reforma é votar contra o País. "Você pode ter observações, fazer sugestões, mas votar contra não é bom para o País. Porque o País precisa. Estamos tendo um começo de ano muito difícil. Janeiro e fevereiro já mostram que a economia cresceu pouco. A inflação de abril subiu. Quem sofre com isso são os mais pobres", argumenta.
Militares
O prefeito parece não ver com bons olhos a influência que os militares têm no governo Bolsonaro. De acordo com ele, o plano de reestruturação da carreira deles não deveria ter sido enviado ao Congresso junto com a reforma da Previdência.
"Eu vejo o presidente muito refém dos militares. Ele é um militar, a gente entende. Acho que o governo dele tem bastante militares. Mas acho que era o momento deles próprios darem uma contribuição. Mostrar que todo mundo precisa fazer um sacrifício. Acho que as palavras movem, mas os exemplos arrastam", alfineta.
Jonas lembra ainda que na proposta de reforma existe um tópico específico sobre a classe política, que também deveria dar exemplo. "Espero que seja mantido e seja aprovado, acho que fica mais fácil do político dialogar com a população. Dizendo: 'olha, eu to igual a vocês. Vou fazer a aposentadoria de vocês, que vai ser igual a minha'. Acho que a população teria compreensão melhor sobre isso", conclui.
Satélite Íris 2 ganha Centro de Saúde
O Centro de Saúde Satélite Íris 2 (CS Dr. Vicente Pisani Neto) foi inaugurado na manhã de ontem pelo prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB). A obra faz parte do programa Saúde em Ação, parceria entre Prefeitura, Estado e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A unidade já está funcionando há cerca de 20 dias. O investimento para a construção foi de R$ 4 milhões, e o centro foi entregue já equipado, com consultórios modernos, inclusive odontológicos. “É um centro de saúde com todas as melhorias, informatizado e que vai atender uma população de cerca de 10 mil pessoas. Isso desafoga também o atendimento dos hospitais, com o centro de saúde mais perto da casa das pessoas”, afirmou o prefeito.
Ele ressaltou ainda que a unidade já está funcionando, com a equipe de profissionais pronta para atender a população. “Com isso nós também equilibramos e deixamos os outros centros de saúde que estavam sobrecarregados com mais capacidade de assistência. Só aqui serão 400 atendimentos por dia”.
Representando o governo do Estado de São Paulo, a gerente de redes de atenção à saúde no programa Saúde em Ação, Fátima Bombarda, ressaltou a importância do projeto.
“Essa era uma reivindicação, uma luta que está sendo atendida e concretizada pelo poder público.” O secretário municipal de saúde, Carmino de Souza, disse que os trabalhos para a concretização da unidade se deram desde 2013. "Todo esse planejamento da região noroeste, vai transformar essa região, na área de saúde em um exemplo para o País, de como fazer. Uma região muito populosa, com muitas necessidades e que na área de saúde se organizou de maneira a ter acesso e qualidade de acesso. Governar é definir prioridade e aqui a prioridade tá muito colocada", disse.
O CS Satélite Íris 2 tem 680 metros quadrados. Dentro do espaço há oito consultórios, sendo um odontológico, além de farmácia e salas de urgência e emergência, de acolhimento, de atividades coletivas, de procedimentos de enfermagem, de vacinas, de esterilização, de reuniões, entre outras. A unidade atende a moradores dos bairros Satélite Íris 2 e 3, que antes eram atendidos no CS Florence. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.

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Francisco Lima Neto