Publicado 27/04/2019 - 09h07 - Atualizado 27/04/2019 - 09h20

Por Alenita Ramirez/AAN

A polícia recomenda que é importante buscar informações nos órgãos oficiais

Cedoc/RAC

A polícia recomenda que é importante buscar informações nos órgãos oficiais

A cada temporada, bandidos "reinventam" golpes antigos para fazer novas vítimas, em especial, os idosos. Nos últimos dias, os criminosos têm se passado por funcionários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) para oferecer um novo cartão de benefícios.
Eles ligam para beneficiários e segurados, seja para o celular ou telefone fixo, e informam que o INSS está enviando um cartão bloqueado e que ao receber a pessoa deve entregar cópias de documentos e a senha digital. O objetivo é pegar a senha e o número de segurança do cartão da vítima para usar em cartão clonado para saques. O INSS disse que não faz esse procedimento e que a emissão dos cartões de pagamento é de responsabilidade dos bancos.
Nove denúncias foram feitas de dezembro a março no 13º DP
Não há levantamentos de quanto os criminosos faturam com os golpes, mas entre dezembro e março deste ano, só no 13º Distrito Policial (DP), na região nobre de Campinas, foram registrados nove boletins de ocorrências de diferentes tipos de golpes. Segundo o delegado da 1ª Seccional de Campinas, Roberto José Daher, os golpes são comuns e não há como a polícia combater este tipo de crime, já que os criminosos usam telefones e dados bancários em nomes de vítimas ou "laranjas".
"Infelizmente os criminosos têm acesso a dados e informações das pessoas. O que se pode fazer é a conscientização. As pessoas devem ser criteriosas e desconfiar de qualquer ligação em que é solicitado algum dado. Antes de tomar qualquer atitude, busque informações nos órgãos oficiais", orientou Daher.
No último dia 17 de abril, a aposentada Ângela Paiva, de 65 anos, recebeu uma ligação em seu celular de uma mulher que se apresentou como funcionária do INSS. Ela informou que sabia por qual banco Ângela recebia a aposentadoria, no entanto, o INSS estava disponibilizando um cartão benefício próprio da instituição e que ele estava sendo enviado bloqueado e que no ato da entrega deveria ser entregue cópias de documentos pessoais e do comprovante de endereço, além da assinatura digital.
"Desconfiei logo e disse a ela que movimentava a conta com cartão bancário e que não usava nenhum cartão benefício. Tentei cortar a conversa e falei que não tinha interesse e que o INSS não fazia esse contato por telefone. A mulher foi insistente e falou o número correto do meu CPF. Mas não confirmei e falei que estava ocupada, não poderia ficar conversando e desliguei", contou a aposentada.
Segundo ela, foram duas ligações no mesmo dia, mas nos dois casos ela desconversou. "Depois até fiquei em dúvida e pensei: 'será que o INSS realmente está enviando cartões, fazendo alguma mudança?'", falou Ângela.
Em nota, o INSS informou que os dados e informações de segurados e beneficiários são de caráter sigiloso e que adota, permanentemente, políticas no sentido de garantir a segurança das informações constantes nos bancos de dados. "O INSS alerta que o aposentado ou pensionista nunca deve entregar o cartão ou a senha do banco a terceiros, nem mesmo para parentes e amigos, assim como deve cuidar de seus dados previdenciários" , frisou.
"O segurado que for vítima de algum golpe ou detectar irregularidades nos contatos e nos descontos em folha deve cadastrar imediatamente sua manifestação na Ouvidoria do INSS por meio da Central de Teleatendimento 135 ou pelo Portal do INSS", emendou. Segundo o instituto, em caso de perda, furto ou roubo, a pessoa deve fazer imediatamente um boletim de ocorrência, para se resguardar de eventuais fraudes no benefício.
Ainda segundo o órgão, por meio dos extratos, o segurado pode conferir todo histórico de créditos consignados realizado com desconto no benefício previdenciário, além de outras informações como a margem da consignação atual, valores de parcela e prazo.
O telefone 135 e o site www.inss.gov.br são os canais oficiais de comunicação do instituto, assim como a "Central de Serviços Meu INSS", que também está disponível em aplicativos para smartphones e tablets através das lojas virtuais Apple Store e Google Play.
Estelionatários recorrem a velhas táticas
Um dos golpes mais conhecidos e que vez ou outra voltam à cena é o do bilhete premiado. Mesmo sendo antigo, dezenas de pessoas ainda caem na lábia dos criminosos. Ele consiste em ludibriar geralmente idosos ou mulheres de meia idade, com a promessa de dividir um prêmio milionário que não existe. O objetivo do golpe é pegar um determinado valor, muitas vezes bem alto, em garantia à confiança da vítima.
Neste golpe, os criminosos agem sempre em três: duas mulheres e um homem. Uma delas se passa por humilde, diz que está perdida e pede ajuda para ir a uma lotérica ou algum endereço. Enquanto o alvo está dando atenção à mulher humilde, chega a comparsa que oferece ajuda. Então é aí que entra a história do bilhete premiado.
Outros golpes também são aplicados por quadrilhas entre os quais constam: do falso parente, do carro quebrado e da substituição de cartão bancário.
Nem todos que caem em um golpe comunicam a polícia por vergonha. No entanto, quem perde grandes valores, busca a ajuda da Polícia Civil para encontrar os criminosos.
"Infelizmente as facilidades e comodidade das pessoas, além da ganância, fazem alguns alvos fáceis caírem em golpes", disse o investigador Marcelo Hayashi."A prevenção sempre é o melhor remédio para qualquer tipo de golpe. As pessoas se preocupam após passarem seus dados e documento e nunca antes de fornecer", frisou Hayashi. 
Em novembro do ano passado, uma médica de 53 anos de Campinas foi vítima do golpe do falso sequestro e entregou aos criminosos cerca de R$ 200 mil.

Escrito por:

Alenita Ramirez/AAN