Publicado 25/04/2019 - 08h16 - Atualizado 25/04/2019 - 08h17

Por Henrique Hein

José Henrique e Carmem Pavin durante a apresentação da avaliação mensal do Ciesp-Campinas

Roncon & Graça Com/Divulgação

José Henrique e Carmem Pavin durante a apresentação da avaliação mensal do Ciesp-Campinas

A implantação da política de congelamento de preços na Argentina, anunciada na semana passada pelo Governo do presidente Maurício Macri, trará prejuízos a curto, médio e longo prazos à indústria da Região Metropolitana de Campinas (RMC). A afirmação foi dada ontem pela direção do Ciesp-Campinas, durante a apresentação da avaliação mensal da entidade, que analisa todos os meses o comportamento do setor regional.
De acordo com a unidade campineira do Ciesp, a crise no país vizinho preocupa, porque a Argentina é o segundo maior cliente da indústria regional, atrás somente dos Estados Unidos. "A economia da Argentina parada do jeito que se encontra, agrava o déficit da nossa balança comercial e o nível de empregos nas indústrias da região", explica o diretor titular interino do Ciesp Campinas, José Henrique Corrêa.
Entre janeiro e outubro de 2017, a Argentina sozinha foi responsável por importar US$ 509 milhões das empresas da região — o número representou 17,9% do montante exportado no ano. Já nos primeiros dez meses de 2018, a importação argentina de produtos da região representou 15,4% do volume comercializado, rendendo mais US$ 452,4 milhões ao setor.
Segundo a diretora adjunta de Comércio Exterior do Ciesp, Carmem Pavin, os setores automobilístico e o de autopeças serão os mais impactados com a medida do governo argentino de congelar 60 produtos da cesta básica até outubro, já que os dois setores fazem parte das principais pautas exportadoras da região, com produtos acabados e com alto valor agregado.
Ela explica que os estoques das empresas tendem a aumentar daqui para frente sem as exportações. "Nossos setores sentiram muito a decisão do governo argentino, porque eles são grandes importadores do Brasil e da RMC. Sem a atuação deles, nossas empresas ficarão com os seus estoques parados. Tudo isso é muito preocupante" , comentou.
Alternativas
Para os diretores regionais do Ciesp, apesar de o cenário ser preocupante, a crise no país vizinho poderá criar oportunidades para que as empresas da região comprem insumos mais baratos, em detrimento da desvalorização da moeda argentina frente ao Real, deixando assim de comprar produtos em países emergentes, como a China, para negociar preços menores com os argentinos.
Corrêa também sugere uma parceria entre os empresários dos dois países na busca por novos produtos. "Os empresários argentinos e brasileiros podem vislumbrar produtos e serviços que podem ser comprados pelas empresas brasileiras, e com preços melhores, para serem revendidos", sugeriu.
Preços congelados
Na última quarta-feira, o governo argentino anunciou uma série de medidas com o objetivo de conter a inflação elevada do país e reativar o consumo. O presidente Mauricio Macri, que tenta a reeleição em outubro, decidiu congelar os preços de cerca de 60 produtos básicos e conter os aumentos das tarifas dos serviços públicos, em uma tentativa de frear a inflação que acumula aumento de 54,7% nos últimos 12 meses.
As medidas fazem parte de plano acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Entre os produtos que manterão seus preços sem aumentos durante seis meses estão: azeite, arroz, farinhas, leite, iogurte e açúcar, entre outros. Também foram incluídos alguns cortes de carne bovina. Já os serviços públicos que não sofrerão aumentos estão: eletricidade, gás, transporte público e telefonia móvel.
O governo argentino anunciou que não haverá aumento nesses serviços e que assumirá a diferença com algumas das empresas que os fornecem. Além disso, famílias que já recebem ajuda social terão acesso facilitado a crédito.
As medidas foram anunciadas semanas depois de ter sido registrado um aumento na pobreza no país no último ano como resultado da alta inflação — que só em março foi de 4,7% — e da queda da atividade econômica.

Escrito por:

Henrique Hein