Publicado 14/04/2019 - 12h10 - Atualizado // - h

Por Renato Piovesan

Somente 13 dos mais de mil ônibus da frota de Campinas são elétricos, não emitindo poluentes no ar

Leandro Ferreira/AAN

Somente 13 dos mais de mil ônibus da frota de Campinas são elétricos, não emitindo poluentes no ar

Um estudo divulgado pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) aponta medidas que podem fazer o transporte público municipal de Campinas zerar a emissão de poluentes até 2034. Para isso, no entanto, a Prefeitura precisaria cumprir um cronograma que prevê mudanças drásticas nas licitações para contratação das empresas concessionárias ou permissionárias de ônibus.
O vice-prefeito Henrique Magalhães Teixeira já recebeu o relatório de 338 páginas das mãos de representantes da ONG Minha Campinas, que haviam protestado em 14 de março alertando sobre a necessidade de aumento de políticas públicas voltadas à redução da emissão de poluentes da queima de combustíveis fósseis — eles distribuíram 350 máscaras a pessoas que passaram por um ponto de ônibus na Avenida Anchieta com os dizeres "poluição mata mais que trânsito". Magalhães Teixeira ficou de avaliar a viabilidade das ações junto do comando da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), responsável pela administração do trânsito da cidade.
O documento traz um cronograma de metas de redução das emissões de gás carbônico (um dos grandes causadores de efeito estufa), óxido de nitrogênio e material particulado (responsáveis por doenças respiratórias). Atualmente, somente 13 dos mais de 1.000 ônibus da frota de Campinas são elétricos, não emitindo poluentes no ar — o restante é movido por motores a óleo diesel.
A nova licitação para a concessão do transporte público de Campinas prevê 250 ônibus elétricos para o município, o que já elevaria o número para 20% da frota total da cidade até 2020. O ICCT avaliou diferentes cenários de renovação para tecnologias mais limpas. Os resultados mostram que a ação de curto prazo mais importante para o controle de emissões dos poluentes atmosféricos nocivos MP e NOx (que são os que mais prejudicam a saúde) é uma transição inicial para tecnologias de motores com certificação P-8 (equivalente ao padrão Euro VI) antes da implantação nacional exigida para esses padrões em 2023 pelo Programa de controle de emissões veiculares (Proconve).
A aquisição antecipada de ônibus a diesel com certificação P-8 colocaria Campinas na rota de reduções acentuadas nas emissões de MP e NOx de sua frota de ônibus de transporte público. Quando a aquisição antecipada do P-8 é combinada com a eletrificação, as reduções de emissões são ainda maiores. De acordo com o estudo, no caso do material particulado, a frota poderá ser totalmente limpa até 2034.
Para Cláudia Oliveira, integrante do Minha Campinas, esse é o momento oportuno e viável para a redução de poluentes em Campinas. “Essa é uma oportunidade única de conseguir um cronograma de redução da poluição que vem dos ônibus, visto que a nova licitação do transporte público está prestes a sair. O estudo do ICCT aponta os caminhos de viabilidade para essa redução, a participação da sociedade civil junto ao Poder Público é importante para pensar em metas que visam uma mobilidade urbana mais sustentável”, afirma.
O estudo aponta ainda que a migração para tecnologias mais eficientes, no consumo de combustível, ou movidas a energia limpa, teriam impacto positivo também sobre os gases que causam o efeito estufa. O ICCT analisou dois cenários de eletrificação, os quais combinam a aquisição inicial do P-8 com a ampliação da frota de ônibus elétrico de emissão zero da cidade. O cenário moderado corresponde ao nível de eletrificação que seria esperado se os compromissos já anunciados quanto à aquisição de ônibus elétricos fossem cumpridos. 
Novo sistema contempla redução e energia limpa
A redução da emissão de poluentes pelos ônibus já está contemplada no processo licitatório para o novo sistema de transporte público coletivo municipal. De acordo com a Emdec, o atual sistema passará por uma grande transformação para atender às novas demandas que surgem com a expansão da cidade, incluindo o uso da energia limpa. No Plano Diretor Estratégico, foi incluído o conceito de DOTS (Desenvolvimento Orientado pelo Transporte Público Sustentável).
O uso de veículos movidos com energia limpa também faz parte do novo sistema que será criado. Em nota, a Emdec informou que Campinas será dividida em seis áreas operacionais, visando melhor distribuição das linhas do transporte público. Será criada uma sétima área na região central, chamada de “Área Branca”, que terá somente a circulação de veículos do transporte coletivo movidos por energia limpa. A “Área Branca” será na região central, com aproximadamente 3 km² e perímetro de 7 km.
Além do sistema convencional de transporte, a nova licitação também abrange a operação dos futuros Corredores BRT (Bus Rapid Transit, Transporte Rápido por Ônibus), que somam 36,6 km de extensão e atenderão mais de 230 mil passageiros por dia. “Tanto a reestruturação do sistema de transporte oriunda da nova licitação quanto a implantação dos Corredores BRT são passos importantes para a efetiva construção de uma Mobilidade Urbana Sustentável no município. Isso porque ambas as iniciativas favorecem o uso do transporte público em detrimento do transporte individual e, consequentemente, contribuem para a redução das emissões de poluentes no trânsito”, destacou a Emdec em comunicado enviado à reportagem. 

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Renato Piovesan