Publicado 15/03/2019 - 08h20 - Atualizado 15/03/2019 - 08h20

Por Maria Teresa Costa

Valdir Oliveira, o prefeito Gustavo Reis, Albert Liu, vice-presidente da USI e Jack Wang, diretor (da esq. para a dir.): um marco para a cidade

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Valdir Oliveira, o prefeito Gustavo Reis, Albert Liu, vice-presidente da USI e Jack Wang, diretor (da esq. para a dir.): um marco para a cidade

A americana Qualcomm vai instalar a primeira fábrica de semicondutores de alta densidade do Brasil em Jaguariúna. O anúncio foi feito no lançamento comercial do novo chip da Qualcomm, o Snapdragon SiP 1, no Brasil. O País é o primeiro a receber a tecnologia. Campinas disputava a instalação da empresa na cidade, mas a fabricante de chips, que já havia anunciado no ano passado que se instalaria na região, optou por Jaguariúna.
O investimento, anunciado em 2018, será de US$ 200 milhões, em cinco anos, aplicados na implantação da primeira fábrica de chipset da América Latina — conjunto de componentes eletrônicos, em um circuito integrado, que gerencia o fluxo de dados entre o processador, memória e periféricos. A previsão é que, quando estiver em pleno funcionamento, a fábrica terá R$ 2 bilhões de faturamento anuais. A iniciativa é fruto de uma joint venture entre a Qualcomm e a fabricante chinesa USI.
O local onde a fábrica será construída não foi divulgado. O prefeito Gustavo Reis (MDB) informou que o grupo estuda três opções de áreas e planeja iniciar a construção no segundo semestre. O vice-presidente da USI, Albert Liu, esteve ontem em Jaguariúna, em reunião com Gustavo Reis, e informou que a empresa será inaugurada em 2020.
A Qualcomm deve gerar entre 800 e mil empregos, sendo 170 engenheiros que serão treinados na sede da empresa. Reis pleiteou que a mão de obra seja contratada preferencialmente em Jaguariúna, que já se tornou um polo de alta tecnologia. Estão na cidade empresas como Motorola e Sky.
Pesaram na escolha da cidade, os baixos índices de violência, a qualidade de vida, a proximidade com Campinas e as universidades e também os incentivos fiscais. “Trabalhei muito para a vinda da empresa”, disse o prefeito, que prevê aumento de arrecadação de impostos. “Com a Qualcomm vamos aumentar o Índice de Participação dos Municípios (IPM) e na participação do bolo do ICMS”, afirmou.
Os componentes serão destinados a smartphones e aparelhos da Internet das Coisas. Além dos chips, Qualcomm e USI também desenvolverão os componentes. Atualmente o Brasil importa 100% dos semicondutores de alta densidade. Os chipsets que serão produzidos na região, chamado Qsip, serão capaz de concentrar as funções de mais de 400 componentes eletrônicos.
A novidade reduzirá de forma significativa a complexidade associada a projetos de smartphones e outros equipamentos de comunicação. Essa iniciativa vai estimular as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação em diversos segmentos industriais, tais como bens de capital, equipamentos médicos, automação industrial.
As negociações para a implantação da fábrica no Brasil começaram em 2017, com a assinatura de memorando para a criação da joint venture entre as duas empresas, pelos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e do Comércio Exterior e Serviços, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Paulista de Promoção e Investimentos (Investe SP).
O documento reconhece que a viabilidade técnica, comercial e financeira do crescimento da cadeia de valor de semicondutores no Brasil requer um esforço conjunto e coordenado de todas as partes para satisfazer as várias condições legais e de negócios.
O BNDES será o responsável pela análise do crédito de parte dos investimentos para implantação da unidade fabril e de pesquisa e desenvolvimento, além da possibilidade de financiar as exportações de chips. O restante dos investimentos será realizado mediante participação acionária a ser aportada pela ASE, pela Qualcomm e, eventualmente, pela BNDESPar.
O novo chip lançado na quarta-feira vai compactar todo o sistema que faz o smartphone funcionar. O Brasil é um dos quatro mercados mais importantes para a companhia em smartphones, por isso a disposição em ter um produto direcionado às necessidades locais. Os novos aparelhos serão vendidos entre R$ 1.299 e R$ 1.549 — abaixo do preço médio de R$ 1,6 mil dos smartphones vendidos no Brasil.

Escrito por:

Maria Teresa Costa