Publicado 15/03/2019 - 07h51 - Atualizado 15/03/2019 - 07h51

Por Renato Piovesan

Eliminar os focos que podem virar criadouro é a melhor prevenção

Cedoc/RAC

Eliminar os focos que podem virar criadouro é a melhor prevenção

Dez anos depois, o sorotipo 2 da dengue volta a circular na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas (Devisa), Andreia Von Zuben, confirmou que dois testes realizados na cidade deram positivo a este tipo de vírus, o que indica que ele deverá predominar em eventual próxima epidemia da doença. As secretarias de Saúde de Americana e Nova Odessa também confirmaram casos de dengue tipo 2 nesta semana.
São quatro as variações da dengue, de acordo com os sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Desde 2010, apenas o sorotipo 1 trafegava pelos municípios da região. Von Zuben explica que uma pessoa, quando infectada por um dos tipos do vírus, fica imune a ele, mas não aos outros três. O risco é que pessoas infectadas por subtipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais graves da doença.
"A dengue possui suas quatro variações que podem fazer uma pessoa adoecer quatro vezes na vida. Quando você adoece por um dos sorotipos, nunca mais adoece por esse tipo, mas continua suscetível a ter dengue pelos outros três. O sorotipo 2 não tem uma circulação relevante em Campinas desde 2009, mas agora que identificamos casos na cidade e na região, significa que o vírus vai predominar de novo", alerta.
Os dois testes que deram positivo para o sorotipo 2 em Campinas foram realizados em homens. As idades e bairros deles não foram divulgadas. Em Americana, a Prefeitura confirmou três casos de dengue tipo 2 em 2019: homens de 56 e 58 anos dos bairros Jardim América 2 e Jardim Paulistano e uma mulher de 17 anos do bairro Vila Santa Maria. Em Nova Odessa, o primeiro caso de dengue tipo 2 foi confirmado anteontem.
Prevenção
Especialistas alertam que a única forma de prevenir a dengue é combater os focos que podem virar criadouro do Aedes aegypti. Algumas dicas são virar garrafas com a boca para baixo; colocar terra nos pratos das plantas; guardar pneus abrigados da chuva; cobrir a caixa d'água; manter o quintal sem poça de água parada e cobrir as piscinas.
Casos
Neste ano, entre 1º de janeiro e 10 de março, Campinas teve 173 casos de dengue confirmados — não há uma precisão se todos eram do tipo 2. No comparativo com o mesmo período do ano anterior, o aumento é de 38,38%. De acordo com dados da Vigilância Epidemiológica, a cidade não vive um surto, mas o sinal de alerta está ligado, já que em outras regiões do Estado, como em Araraquara e Bauru, há uma epidemia nos primeiros meses de 2019.
Em todo o território paulista, a alta de registros da doença é de 605% em janeiro e fevereiro, com mais de 15 mil casos contabilizados. A coordenadora do programa de arboviroses de Campinas, Heloisa Malavasi, explica que a dengue se dissemina no Brasil com surtos cíclicos, a cada 3/5 anos, o que justifica a preocupação do momento. Em 2014 e 2015, por exemplo, o total de casos foi de 42,1 mil e 65,6 mil em Campinas, respectivamente. Em 2016, despencou para 3,5 mil, e em 2017 para apenas 131. Já no ano passado os registros voltaram a aumentar, subindo para 301 casos.

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Renato Piovesan