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Publicado 12/02/2019 - 15h22 - Atualizado 12/02/2019 - 15h22

Por Diego Cunha

No preparo dos pratos apresentados em almoço para a imprensa no Duke Bistrot: mão na massa

Matheus Pereira/Especial para a AAN

No preparo dos pratos apresentados em almoço para a imprensa no Duke Bistrot: mão na massa

Erick Jacquin, um dos mais importantes chefs de cozinha em atividade no Brasil, e uma das principais celebridades do país, esteve em Campinas há alguns dias, desfilando seu talento e bom humor. O restaurante Duke Bistrot, localizado no Cambuí, foi o privilegiado. O chef acompanha de perto o trabalho desenvolvido na casa, e em um almoço especial inaugurou o novo cardápio do estabelecimento, agora assinado por ele. A fama de Jacquin não vem só do trabalho realizado na cozinha: a participação no programa Masterchef, da Band, tem bastante influência. E para quem o acompanha apenas pela televisão, uma dúvida costuma surgir: “Será que esse carisma do Jacquin é igual fora do ar?”
A resposta para a pergunta é sim. Quem teve a oportunidade de participar do almoço no Duke Bistrot pode comprovar. A personalidade é forte, mas a empatia provocada em quem o rodeia é instantânea. O chef foi atencioso e receptivo com quem buscava contato, e principalmente preocupado em agradar os convidados com o sabor da comida. Cada prato servido teve seu preparo detalhado, e cada explicação era sempre acompanhada de algum comentário bem-humorado.
Nascido em 1964 na cidade de Dur Sur Auron, no centro da França, Érick Jacquin sempre enxergou a cozinha como seu lugar favorito. “Quando era criança eu não brincava de carrinho, e sim com as panelas”, lembra Jacquin. Assim, a escolha de uma carreira para seguir, quando adulto, não poderia ter outro caminho, nada de advogado, médico ou bombeiro, o dom de ser cozinheiro precisava ser mostrado para o mundo.
Escolha dos ingredientes faz toda diferença
O chef passeia pelas mesas enquanto os convidados experimentam uma série de delícias: caviar com purê de abóbora, filé mignon com batatas, salmão e mousse de chocolate
O momento da degustação dos pratos do novo cardápio gerou bastante expectativa. Um salmão marinado com espuma de jambu e cachaça, pimenta-rosa e tomates confitados vieram para abrir o paladar. Em seguida, a vieira com alho-poró e o robalo cozido no vapor, com molho de champagne, purê de abóbora e caviar comprovaram o motivo da escolha dos ingredientes ser o diferencial na cozinha de Jacquin. Afinal, elementos tão variados foram reunidos em um único prato, e trouxeram um sabor inigualável. O filé-mignon com molho poivre e batatas assadas ao molho de mostarda dijon não ficaram para trás, e mantiveram a culinária clássica francesa presente no cardápio. Por fim, o “verdadeiro” mousse de chocolate, como definiu Jacquin, já que a consistência suave é o charme da sobremesa. Um creme inglês de baunilha e uma madeleine de laranja ainda foram adicionados ao mousse, que finalizou de maneira fabulosa a apresentação do novo cardápio do Duke Bistrot.
Cultura brasileira o encantou
“Vim para ficar três anos
no Brasil e ainda não utilizei
a passagem de volta”
ERICK JACQUIN
O caminho trilhado para chegar ao patamar que atingiu hoje, começou cedo. Ainda jovem, Jacquin se mudou para Paris em busca de oportunidades, afinal, trata-se de uma das capitais da gastronomia mundial. Chardenoux e Le Toit de Passy foram alguns dos renomados restaurantes franceses por onde Jacquin passou, mas foi no Au Comte de Gascogne, do proprietário Henry Charvet, que a carreira decolou. Era chegada a hora de ser realmente um chef. Charvet confiou a Erick Jacquin a liderança da cozinha.
Sua história no Brasil começa em outubro de 1995. Com a proposta para comandar a cozinha do restaurante Le Cog Hardy, em São Paulo, Jacquin veio ao país para conhecer e tomar uma das decisões mais difíceis de sua vida. Mudar de país e de continente, de fato é uma escolha árdua, mas o chef decidiu encarar o desafio. Com a intenção de ficar apenas três anos no Brasil, Erick Jacquin acabou se encantando com a cultura brasileira, e como ele mesmo define: “Vim para ficar três anos no Brasil e ainda não utilizei a passagem de volta”.
Chef premiado
Jacquin trata a gastronomia não apenas como uma profissão, mas como um estilo de vida: "No Dia dos Namorados, por exemplo, é preciso namorar as panelas"
Eleito melhor chef do ano por uma revista de circulação nacional, em 2000, seu restaurante no Brasil, o La Brasserie EJ, foi considerado 6 vezes o melhor restaurante francês também pela mesma publicação. Esses são alguns dos prêmios que Jacquin coleciona desde que chegou ao Brasil. No entanto, o título Chevalier de la Légion d´Honneur, condecoração dada pelo governo francês às pessoas que contribuem de maneira significativa com a França, é a mais especial, e exemplifica bem a opinião de Erick Jacquin sobre o que é o mundo da culinária.
Segundo Jacquin, cada país possui sua própria cultura, e isso tem reflexo imediato na gastronomia. “Cada família, cada pessoa contribui e influencia de alguma maneira, a gastronomia é o patrimônio de um país”. Jacquin chegou ao Brasil para fazer comida francesa, e carregado das técnicas de sua origem, maneiras de cortar, preparar e emulsionar, também deixou o seu legado. Mas, apesar dessa contribuição, faz questão de valorizar aquilo que é brasileiro, e ainda ressalta: “A comida feita em casa é a melhor do mundo”. A comida simples, inclusive, é considerada pelo chef a mais difícil de se fazer, por isso a escolha a dedo dos ingredientes é o segredo para um produto final de qualidade.
Gastronomia como opção de vida
Chef de cozinha, jurado de programa de televisão e pai de família, Erick Jacquin acumula funções. A última recentemente trouxe novidades, Elise e Antoine, gêmeos, nasceram em 23 de dezembro de 2018, frutos do casamento de Jacquin com a brasileira Rosângela Menezes. O chef também é pai de Edouard Jacquin, de 21 anos, filho de um relacionamento anterior. O primogênito vive na França com a mãe.
Assim como em toda relação de pai e filho, o futuro profissional das crianças gera o questionamento: “Filho de chef também será chef?”. Jacquin faz questão de deixar claro que depende deles. “A escolha de uma profissão tem que ser pessoal, eles terão liberdade para isso, é algo para o resto da vida”. Mas como todo bom pai, caso decidam por também trilhar o caminho da gastronomia, Jacquin os incentivará com o maior prazer. O chef ainda revela: “Meu outro filho, Edouard, a mãe dele não deixou que fosse cozinheiro”.
Entretanto, Jacquin, trata a gastronomia não apenas como uma profissão, mas como um estilo de vida. Deixar de aproveitar os sábados e domingos para trabalhar, virou rotina. “No Dia dos Namorados, por exemplo, é preciso namorar as panelas”. Ser chef de cozinha, assim como médico, advogado é estar a serviço das pessoas, e assim, ser feliz e aproveitar o ofício é uma necessidade.
A dinâmica do mercado de trabalho atualmente ainda promove situações curiosas como a que o chef disserta: “Muitas pessoas com 40, 50 anos que me encontram, dizem: sou advogado, mas pretendo ser um cozinheiro assim como você”. Acha engraçado: “Ser chef virou moda hoje em dia, todo mundo só quer saber do glamour de trabalhar na cozinha”. Assim, Erick Jacquin se enche de orgulho, já que ser um dos principais nomes da gastronomia no país o faz de espelho para novos interessados.
Curiosidade
Érick Jacquin foi o responsável por trazer a tão famosa sobremesa peti gâteau para o Brasil. A receita, já popular na França, chegou por intermédio do chef em meados dos anos 90. Apesar de não ser o responsável pela invenção da sobremesa, o nome peti gâteau foi batizado no Brasil por Jacquin, e a partir daí não saiu mais da boca dos brasileiros.

Escrito por:

Diego Cunha