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Publicado 14/02/2019 - 09h57 - Atualizado 14/02/2019 - 09h57

Por Alenita Ramirez

Com uma espécie de cajado nas mãos para ajudar no deslocamento, grupo observa o cenário de completa destruição antes de seguir caminho

Divulgação

Com uma espécie de cajado nas mãos para ajudar no deslocamento, grupo observa o cenário de completa destruição antes de seguir caminho

O cabo da Polícia Militar (PM) Thiago Henrique Vieira, de 33 anos, da base de Valinhos, é um dos bombeiros que ajudaram nas buscas por vítimas de Brumadinho (MG). Ao lado de 41 oficiais paulistas, ele integrou a 2ª equipe de resgates enviada por São Paulo ao palco da tragédia. Vieira ficou no local por cinco dias e relatou ao Correio Popular como foram os dias árduos de buscas, que se deram entre 2 a 8 deste mês. “Nós não tínhamos experiência com esse tipo de ocorrência, mas aprendemos tudo lá. Era cansativo, mas a vontade de ajudar era tão grande que superava qualquer coisa”, disse. 
Recuperando o fôlego antes de seguir cavando em busca de corpos ou eventuais sobreviventes: tragédia humana
Vieira está na corporação há 10 anos, mas há cinco meses atua na base do Corpo de Bombeiros de Valinhos. Com curso de buscas e resgates em estruturas colapsadas, ele foi o único de sua base a ser convocado para ajudar nos trabalhos em Brumadinho.
De São Paulo a Belo Horizonte, o grupo foi de ônibus oficial. Como as entradas para Brumadinho estavam fechadas, os oficiais ficaram hospedados em um hotel na capital mineira, cerca de 1h de viagem. De lá para Brumadinho, eles seguiam de helicóptero.
A operação
O grupo atuou nas buscas superficiais. O primeiro dia foi de reconhecimento da área. Com o helicóptero, eles sobrevoaram toda a região atingida pela lama. A missão deles era vasculhar os rejeitos em busca de vítimas, sejam vivas ou mortas. “A imagem do local que vi do alto me impressionou. Era uma imensidão de lama”, comentou.
Os bombeiros eram deixados em terra firme, mas o trabalho tinha que ser feito na lama. Para facilitar a locomoção no mar de limo e também evitar o contato com o material, os resgatistas usavam um macacão de mergulho, feito de neoprene. Também andavam com a ajuda do “cabo da vida”, uma corda usada em ações, e a bengala de cego. “Era muito difícil a locomoção, mas a gente queria ajudar. Havia lugares que fui que a lama chegou ao pescoço, mas havia pontos muito mais perigosos. Nossa expectativa era achar vidas, mas se não, ao menos o corpo para que a família pudesse enterrar”, falou.
Procura angustiante
Ao longo dos dias em que atuou em Brumadinho, Vieira disse que um dos momentos mais angustiantes foi encontrar um grupo de parentes que buscavam por um familiar, um homem cego de um olho. “Eram quatro homens e estavam com duas garrafas de água em uma mochila. Eles já tinham caminhado bastante atrás do irmão e estavam com fome. A gente repartiu o que tínhamos e eles seguiram as buscas”, contou.
As equipes eram sempre formadas por seis integrantes, que atuavam em dois cada. Eles eram acompanhados de um cão farejador, que apontava locais onde pudessem existir corpos. “Eu fiquei muito feliz de ser convocado e ajudar no resgate, mas triste pela tragédia. É uma experiência muito gratificante”, resumiu.
Todos os bombeiros e voluntários tomaram medicação para evitar doenças, tanto na chegada como na saída da base mineira e depois, quando chegaram em São Paulo passaram por uma avaliação de saúde em um hospital em Tucuruvi.
AS FRASES
“A imagem do local que vi do alto me impressionou. Era uma imensidão de lama”
“Era cansativo, mas a vontade de ajudar era tão grande que superava qualquer coisa”
“Havia lugares que fui que a lama chegou ao pescoço, mas havia pontos muito mais perigosos”
THIAGO HENRIQUE VIEIRA, Bombeiro da base de Valinhos

Escrito por:

Alenita Ramirez