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Publicado 14/02/2019 - 08h32 - Atualizado 14/02/2019 - 08h32

Por Maria Teresa Costa

Sessão da Câmara em Campinas: há vereadores que entendem que assunto gera desgaste e não é prioritário

Cedoc/RAC

Sessão da Câmara em Campinas: há vereadores que entendem que assunto gera desgaste e não é prioritário

A coordenação local do Movimento Brasil Livre (MBL) afirmou ontem que se os vereadores não recuarem na instituição do 13º salário (subsídio) para os parlamentares de Campinas, haverá manifestações nas ruas e na Câmara. “Vamos com tudo pra cima deles, porque não é justo com a população, que enfrenta falta de remédios, sofre com o desemprego em massa. Em vez de cortar na carne, só aumentam os privilégios. É desumano”, disse o coordenador do MBL Campinas, Paulo Gaspar.
O movimento trabalha em um projeto para reduzir de 33 para 25 o número de vereadores da cidade. A implantação do 13º salário está sendo analisada na Câmara, a pedido de vários vereadores. O presidente do Legislativo, Marcos Bernardelli (PSDB), disse que se comprometeu a discutir o assunto, porque foi compromisso de campanha à presidência da Câmara. Ele pediu parecer da Procuradoria da Casa, além de estudo do impacto econômico. “Vamos discutir com muita transparência e fazer audiência pública se for necessário”, disse Bernardelli.
Se a Câmara decidir implantar, o benefício valerá para a próxima legislatura — para os vereadores que forem eleitos no próximo ano. A medida não é ilegal, e tem amparo em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu, em 2017, que prefeitos, vice-prefeitos e vereadores têm direito a mais um salário por ano e também ao pagamento do terço de férias, como qualquer outro trabalhador. Em Campinas, o prefeito Jonas Donizette e o vice Henrique Magalhães Teixeira não recebem 13º, segundo a Administração.
Gaspar disse que os vereadores se baseiam apenas naqueles que têm mais privilégios do que eles. “Nunca olham para baixo, onde a maioria está inadimplente, fechando as portas dos seus estabelecimentos, demitindo funcionários e gente sendo despejada porque não tem nem mais como pagar o aluguel e quanto mais o IPTU”, afirmou.
O anúncio de estudos para a implantação do 13º salário provocou uma avalanche de críticas de internautas nas redes sociais. O aposentado João Salaro disse que é preciso avisar aos vereadores que não são regidos pela CLT, porque não é profissão. “Ou passou a ser?”, perguntou. “Isso é piada pronta, ou é desafiar a nossa ira?”, postou o economista Marco Macedo. O internauta Eduardo Pardini Factor afirmou que se os vereadores querem 13º, então somente poderão se aposentar, como qualquer cidadão brasileiro, após contribuir com a Previdência ou aos 65 anos de idade e com o recolhimento dos anos atrasados corrigidos.
O advogado Ruyrillo Pedro de Magalhães defende uma reforma política em âmbito nacional, para reduzir proporcionalmente pela metade, ou até mais, o número de parlamentares federais, estaduais e municipais, o número de partidos e acabar com o fundo partidário. “Com isso, seria reduzido o número de assessores, mesmo porque as Casas Legislativas já dispõem de quadros técnicos para dar suporte à atuação deles. Evidentemente que, seguindo esse raciocínio, o 13º salário não cabe na atual conjuntura”, afirmou.
A internauta Clair Sousa postou sua crítica nas redes sociais: “Vamos propor aos nobres baterem o ponto e trabalharem efetivamente 44 horas semanais exclusivamente na Câmara, sem tocarem suas outras atividades particulares paralelamente, aí sim poderemos discutir o 13º.”
O QUE A POPULAÇÃO PENSA
“Acho que não tem cabimento. Os vereadores já possuem um ótimo salário. Eles deviam pegar esse dinheiro para investir no desenvolvimento da cidade.”
DANIELLE AGUIAR, Estagiária hospitalar, moradora no Ouro Verde
“Eu considero um abuso, pois o salário deles não é baixo e receber um bônus desse é um desrespeito com a população.”
ADIEL DOS SANTOS, Vigilante, morador no Jardim Santo Antônio
“Está na hora de eles pensarem um pouco mais no povo, não vejo o 13º deles como uma necessidade hoje, a necessidade é o apoio à população.”
MATEUS MACHADO CASTRO, Salva-vidas, morador no Parque Jambeiro
“Nós vemos inúmeras ruas e praças largadas, cheias de buracos e mato alto. E esse dinheiro poderia ser utilizado para consertar esses problemas.”
VINÍCIUS BARONE, Estudante e funileiro, morador no Jardim São João
“Eles já recebem um salário exagerado para o retorno que eles oferecem, e esse dinheiro poderia ser investido em melhorias de estrutura na cidade.”
LUIZ HENRIQUE SOUZA, Motoboy, morador do Satélite Iris
“Eu acho uma pouca-vergonha. O povo tem tantas necessidades, como escolas, educação, saúde e eles não oferecem um serviço de qualidade.”
ROSEMEIRE PINHO, Diarista, moradora no Jardim Nova América

Escrito por:

Maria Teresa Costa