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Publicado 14/02/2019 - 08h15 - Atualizado 14/02/2019 - 13h10

Por Renato Piovesan

Os estádios de Campinas, o Moisés Lucarelli (esq.) e o Brinco de Ouro

Cedoc/RAC

Os estádios de Campinas, o Moisés Lucarelli (esq.) e o Brinco de Ouro

Cinco dias após o incêndio no Centro de Treinamento (CT) do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, no Rio, que matou dez adolescentes e deixou outros três feridos, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou ontem dois inquéritos civis para apurar as condições de segurança dos alojamentos das categorias de base de Guarani e Ponte Preta. O objetivo será investigar se estão sendo garantidos pelos clubes de futebol de Campinas todos os direitos fundamentais dos atletas adolescentes, como educação, saúde e convivência familiar.
Guarani e Ponte possuem, juntos, aproximadamente 150 jogadores com menos de 18 anos alojados em seus Centros de Treinamento. A notificação encaminhada às diretorias dos times é assinada pelos promotores de Justiça da Infância e Juventude de Campinas, Andréa Santos Souza e Rodrigo Augusto de Oliveira.
O inquérito enfatiza que a tragédia no Rio poderia ter sido evitada com a devida atenção dos responsáveis a questões como a não apresentação do Auto de Vistoria de Corpo de Bombeiros, a ausência de um responsável no local no momento do início do incêndio, ou mesmo a inexistência, no alojamento, de detectores de fumaça e de fogo, luz de emergência, extintores de incêndio e de outros equipamentos de segurança.
Por isso, o Ministério Público solicitou que Guarani e Ponte Preta apresentem todos os documentos relativos aos seus centros de treinamento, além de cópia do alvará da construção e da licença municipal de funcionamento dos locais, qualificação completa de todos os dirigentes ou responsáveis pelas categorias de base, cópia do AVCB, relação completa dos adolescentes que atuam pelos times e comprovante de matrícula escolar e carteira de vacinação dos mesmos. O MP não fixou prazo para a apresentação de toda a documentação pedida.
Os atletas das categorias de base do Guarani ficam alojados no estádio Brinco de Ouro, onde o clube manda seus jogos. Já os jogadores adolescentes da Ponte Preta vivem em alojamentos no Recanto da Macaca, em Jaguariúna — futuramente, a agremiação também pretende alojar alguns garotos no CT Euro América, no distrito de Barão Geraldo.
O Ministério Público informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que também vai instaurar procedimento semelhante em relação ao Red Bull Brasil, clube mais novo de Campinas, fundado em 2007, e que mantém suas instalações e alojamentos das categorias de base no Centro de Formação de Atletas (CFA) localizado em Jarinu.
Fiscalização
Além dos inquéritos instaurados pelo Ministério Público, os clubes de Campinas também serão inspecionados pela Prefeitura de Campinas nos próximos dias. O setor de fiscalização do Departamento de Controle Urbano, da Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo, confirmou ontem que realizará a verificação dos centros de treinamento e alojamentos dos times de futebol da cidade ao longo desta semana.
Será uma inspeção semelhante à realizada pela Prefeitura de São Paulo na manhã de ontem. Na Capital, foi suspenso imediatamente o funcionamento dos alojamentos que não têm licença de funcionamento ou que não estão em conformidade com as normas vigentes de segurança. O prazo de adequação é de 90 dias.
“Se houver algum risco, vamos determinar o fechamento imediato (dos alojamentos). Vamos fazer um trabalho de avaliação conjunta, respeitar prazos legais, mas o que é necessário é que as providências mínimas de segurança sejam tomadas”, afirmou o secretário de Esportes e Lazer Carlos Bezerra Júnior.
A reação dos clubes da Capital foi imediata. O São Paulo suspendeu o funcionamento do CT da Barra Funda temporariamente e os jogadores foram para o CT de Cotia na noite de terça-feira. O Corinthians confirmou que não tem o laudo de segurança específico do Corpo de Bombeiros para abrigar os adolescentes no imóvel alugado pelo clube, mas prometeu regularizar a situação em dez dias. O Juventus retirou dois atletas da base que moravam em um alojamento do clube. (Com Estadão Conteúdo)
Nota da Ponte Preta
A Associação Atlética Ponte Preta informa que está à disposição do Ministério Público para a verificação das condições dos alojamentos das equipes de Base alvinegras: a Ponte tem toda a documentação em dia (alvarás, AVCB, laudos ) e, como clube de formação e ciente da responsabilidade que tem perante à sociedade e as famílias de seus jovens atletas, zela para dar as melhores condições possíveis de segurança a eles. Cabe informar ainda que, quando da tragédia ocorrida no Flamengo, a qual muito lamentamos, recebemos diversos pedidos de imprensa para visitas aos alojamentos por parte da mídia (por exemplo, da rádio CBN - https://bit.ly/2GykZag -, do Correio Popular e mais recentemente da Bandeirantes) e atendemos prontamente a todos, como continuaremos a atender, uma vez que entendemos que deve existir transparência absoluta em relação à segurança dos meninos de Base e que todas as medidas devem ser tomadas, sempre, para garantir esta segurança.

Escrito por:

Renato Piovesan