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Publicado 18/01/2019 - 14h10

Surge uma luz nas trevas venezuelanas

A tragédia venezuelana é conhecida. A economia do país entrou em colapso provocada por duas décadas de chavismo que converteram a outrora rica nação petroleira em um dos países mais pobres da região, condenando seus habitantes a viver sob condições de miséria. A saída para muitos é fugir para o exterior em busca de uma vida melhor. A ONU estima que até o final do ano quase 5,3 milhões de habitantes terão abandonado o país. 
Especialistas estimam que a economia venezuelana teve uma contração de 50% desde que Nicolas Maduro assumiu o poder há seis anos em um processo que além de destruir a capacidade aquisitiva do povo, colocou a nação sob a hiperinflação. Caso persista o governo chavista a situação poderá piorar. A taxa de inflação do ano passado foi de um milhão por cento, poderá multiplicar-se por 10 milhões ao longo de 2019 de acordo com estimativas do FMI.
Só para se ter uma ideia do que isto significa. No natal para comprar um pão de presunto do tipo ibérico, um prato natalino tradicional no país, eram necessários 4.892 bolívares soberanos, valor superior aos 4.500 bolívares soberanos do salário mínimo.
No entanto surgem sinais alentadores emitidos a partir da Venezuela que indicam o nascimento de uma oposição consistente a partir da Assembleia Nacional, o último organismo legítimo existente no país e constituída em sua maioria por deputados oposicionistas.
O responsável por esse movimento é o presidente da Assembleia o deputado Juan Guaidó que ousa enfrentar o regime declarando a eleição de Maduro fraudulenta e contraria a vários artigos da Constituição. Esse líder emergente está reunindo condições de desestabilizar o governo. Tem recebido amplo apoio internacional, sendo o mais recente de ex-presidentes que integram a Iniciativa Democrática da Espanha e das Américas formada por 37 ex-chefes de Estado e de Governo.
Os ex-presidentes apoiaram Juan Guaidó através de uma declaração na qual apelam às forças armadas que se submetam à sua autoridade e exigem da comunidade internacional mais sanções ao governo ilegítimo de Maduro. Sustentam ainda que, de acordo com a Constituição da Venezuela, ao não existir um presidente eleito que faça o juramento diante da Assembleia Nacional, corresponde ao presidente do Parlamento, Juan Guaidó, assumir o governo e ficar encarregado de convocar eleições.
Não reconhecendo o segundo mandato que Maduro iniciou em 10 de janeiro, o Parlamento declarou o mandatário usurpador da presidência, prometeu anistia aos militares que não o reconheçam e pediu à comunidade internacional congelar ativos e contas da Venezuela.
A ação do parlamento deu novo alento à oposição venezuelana que retomou a ofensiva para tirar do poder o presidente Nicolas Maduro, buscando apoio militar, reativar os protestos e estreitar o cerco diplomático e econômico internacional contra o governo.
O governo venezuelano vem sendo pressionado pela comunidade internacional como os Estados Unidos, a União Europeia e grande parte da América Latina, que não reconhecem o segundo mandato de Maduro.
Engenheiro de 35 anos, Guaidó, assumiu a presidência do legislativo no dia 5 de janeiro e prontamente de opôs ao regime mostrando-se disposto a liderar um governo de transição, apelando ao apoio popular e militar. Imediatamente recebeu apoio da OEA, sendo chamado de presidente interino, e aplaudido por ampla maioria dos países das Américas, entre os quais Estados Unidos e o Brasil.
Juan Guaidó tem demonstrado saber que sem o exército e uma mobilização popular massiva não conseguirá seu intento. Não bastam as manifestações de apoio do exterior, é necessário que a solução para o problema venezuelano venha de dentro do país. Os primeiros passos da Assembleia nacional têm demonstrado que compreendem o que estão fazendo. Até o momento não se precipitaram e estão dando passos firmes sem aventurarem-se em enfrentamentos ou aceleramento do processo.
A Assembleia Nacional mostrou maturidade política ao outorgar anistia a civis e militares relacionados com o governo Maduro que decidam contribuir a uma mudança democrática. É uma primeira concessão fundamental que faz a oposição para buscar um desenlace para a crise. A anistia pode ser considerada a primeira proposta colocada na mesa de negociações que serão inevitáveis.
O governo brasileiro por sua vez manteve sua coerência e condenou a ditadura venezuelana, manifestou ainda apoio a Juan Guaidó como presidente de um governo de transição. O PT também coerente com a sua política isolacionista e tornando mais evidente o anacronismo de sua posição compareceu à posse de Nicolás Maduro, governante ilegítimo condenado internacionalmente e não se fez presente à posse do presidente brasileiro eleito democraticamente.