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Publicado 04/01/2019 - 15h29

O mundo segue melhorando apesar dos percalços

Com a chegada do fim de ano, tendemos a refletir sobre o ano que se encerra, seus resultados, e sobre as expectativas de mudança para o ano que chega. Muitos pensam em termos globais e em mudar o mundo influenciado pelo noticiário e as tragédias humanitárias que atingem várias partes do planeta. O terrorismo, a violência do crime organizado, as mudanças climáticas e a população crescente sobrecarregando os recursos limitados do Planeta levam muitos a pensar que o nosso mundo está em situação crítica e as coisas estão pior a cada dia que passa.
Mas há outra maneira de enxergar as coisas. Baseado em dados podemos afirmar que estamos vivendo o período mais pacífico e abundante da história da humanidade e todos os indícios mostram que as coisas tendem a melhorar.
A realidade obscurecida por um fluxo constante de más notícias indica que estamos tendo uma queda significativa da pobreza e menos mortes por crimes violentos e doenças que podem ser evitadas com os avanços dos medicamentos e medicina.
Nos últimos cem anos a expectativa de vida humana média global mais que dobrou. Em 1900, a expectativa de vida era de 33,7 anos. Pouco mais de cem anos depois, em 2014, houve um salto significativo atingindo 75,4 anos. Há países em que a longevidade é maior, como na Espanha 82,8 anos, Cingapura 83,1 anos, Suíça 81, Chile 80,5 anos e a Coréia que atinge os 90 anos.
No Brasil é comum encontrar idosos com mais de 90 anos, tornando-se um problema para a previdência social. De acordo com o IBGE, 1 em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos em 2060. Esse dado tem o lado positivo de que a qualidade de vida vem aumentando no Brasil possibilitando que mais pessoas tenham acesso a assistência básica de saúde. E tem o lado que implica maior responsabilidade para o Estado em manter a previdência social sustentável ao longo do tempo.
No mundo hoje não há guerras entre nações. Entre os 193 países membros das Nações Unidas não há guerra atualmente. As guerras em curso hoje são conflitos civis que acontecem dentro dos Estados e são bem localizadas. Dessa ótica, vivemos o período mais pacífico da história.
A maior parte das pessoas do mundo estão conectadas à internet. O fluxo de comunicação entre as pessoas ao redor do globo é intenso provocando mudanças nos costumes, nas tradições, nos modos de vida e disseminando tendências que vão formando uma cultura global. Hoje 4,1 bilhões de pessoas em todo mundo estão conectadas. No Brasil são 116 milhões pessoas conectadas. A conectividade permite que as pessoas conversem com qualquer um ao redor do planeta sem gastar nada pela ligação, quebrando um paradigma recente em que o custo de uma ligação internacional era caríssimo.
As energias renováveis vão aos poucos e de maneira firme, ocupando o espaço daquelas geradas por combustíveis fósseis que degradam o meio ambiente e provocam doenças. Carros elétricos e mais autônomos avançam em várias partes do mundo com sucesso. Governos adotam medidas proibindo a circulação de carros movidos a combustível fóssil em grandes cidades. Isto está sendo possível pelo barateamento do custo dos carros elétricos e a maior durabilidade das baterias.
Metade da população do planeta é formada por mulheres que ao longo de milhares de anos foram oprimidas e marginalizadas dos processos de decisão e tratadas como objetos. Essa situação vem mudando radicalmente. As mulheres vem assumindo posições avançadas de combate a discriminação adotando atitudes corajosas impensáveis até a bem pouco tempo, seja no Irã onde se afirmam como atores cada vez mais importantes, seja nos Estados Unidos e no Brasil com as denúncias de assédio sexual e as manifestações corajosas de mulheres que resultaram em prêmios Nobel nos últimos anos.
A lista avanços é muito maior e não caberia neste espaço. O importante é que apesar dos pesares, dos extremismos, da violência, da discriminação e outras manifestações indesejáveis da natureza humana continuamos avançando a padrões mais elevados de civilidade.
Ótimo ano novo a todos.