O exitoso encontro do G20 em Buenos Aires
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Publicado 07/12/2018 - 10h04

O exitoso encontro do G20 em Buenos Aires

Contrariando expectativas pessimistas acerca da reunião do G20 em Buenos Aires no último fim de semana o encontro teve um saldo positivo.
Durante dois dias se concentraram na capita portenha lideranças que representam 85% do produto bruto mundial, 65% da população, 75% do comércio internacional e 80% da pesquisa e desenvolvimento.
Compareceram ao encontro todos os primeiros mandatários dos países integrantes desse que é o maior clube de poder real do mundo, além dos presidentes do Banco Mundial, da OCDE, da OMC, da OMS, do BID e do FMI.
O panorama político global que antecedeu o encontro não favorecia expectativas otimistas d a reunião. As dificuldades no diálogo e na negociação política estavam se tornando rotina no plano internacional, debilitando as estruturas multilaterais. Além disso, a reunião do G20 se realizou num contexto de outras tensões políticas como da Turquia com a Arábia Saudita pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado desse país em Istambul; da Rússia com a Ucrânia pelos incidentes no estreito de Kerch onde forças russas apreenderam navios ucranianos e do esperado confronto na guerra comercial e estratégica entre os Estados Unidos e a China com efeitos na estabilidade econômica e política global.
Ocorre que contra todos os prognósticos mais pessimistas o encontro terminou com êxito por várias razões. Foi obtido um consenso básico sobre temáticas de interesse da grandes potencias. O acordo foi explicitado no documento final que fixa diretrizes sobre assuntos da agenda global em 31 pontos que incluem o comércio internacional, o futuro do trabalho, mudanças climáticas, questões de gênero, migrações, corrupção e segurança alimentar entre outros.
Embora se mantivessem diferenças entre os líderes, estas não provocaram rupturas. Sem dúvida, a visão sobre as regras a serem respeitadas no comércio mundial e a posição em torno das mudanças climáticas foram os assuntos mais difíceis. A questão migratória, a condenação ao terrorismo em todas as suas formas e o tema das mudanças climáticas diminuíram as diferenças entre as lideranças. A exceção fica com os Estados Unidos que mantiveram sua posição isolada de saída do acordo de Paris.
Uma inesperada reunião paralela ocorreu entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e e o da China, Xi Jinping e colocou uma trégua de 90 dias à guerra comercial vigente entre as duas superpotências que ameaçava a economia do planeta.
O documento final do encontro tem 40 páginas destaca 31 pontos e estabelecem quatro pontos fundamentais que merecem atenção das nações ao pensar em políticas públicas para o desenvolvimento: o futuro do trabalho, a infraestrutura para o desenvolvimento, o futuro da alimentação sustentável e a estratégia de integração de gênero.
Há o anúncio de reforma a ser promovida na OMC considerando que o comércio e o investimento internacional são importantes fontes de crescimento, produtividade, inovação, criação de empregos e desenvolvimento. Reconhecem os signatários do documento a contribuição que o sistema multilateral de comércio realizou para esse fim. Atualmente, no entanto, o sistema não está cumprindo com seus objetivos e há margem para melhorias. Nesse sentido os integrantes do G20 apoiam a reforma necessária da OMC para melhorar seu funcionamento”.
Em relação aos desafios que as novas tecnologias causam no mudo do trabalho, o G20 se propõe “focar-se em promover a formalização no trabalho e fazer com que os sistemas de proteção sejam fortes”. Os líderes mundiais voltaram a promover ações para erradicar o trabalho infantil, o tráfico de pessoas e a escravidão moderna no mundo do trabalho.
No tópico 20 se encontra uma das principais controvérsias da cúpula. Afirma o texto “os signatários do Acordo de Paris, que também se uniram ao Plano de Ação de Hamburgo, reafirmam que o Acordo de Paris é irreversível e se comprometem à sua completa implementação” e reitera o desafio de continuar lutando contra as mudanças climáticas. A posição de Donald Trump foi contemplada no ítem seguinte que afirma: “Os Estados Unidos reiteram sua decisão de retirar-se do Tratado de Paris.
O documento final confirma o multilateralismo em que pesem algumas objeções pontuais superadas durante o encontro.
O encerramento exitoso do mais importante foro internacional é uma reafirmação de princípios de governo cujos resultados a médio prazo serão continuar o caminho da globalização, da liberdade econômica, da abertura ao mundo e uma forte rejeição ao isolacionismo.
Considerando as dificuldades enfrentadas o G20 mostrou alta resiliência mostrando que continua sendo um instrumento de articulação indispensável, principalmente no momento em que ressurgem posições nacionalistas egoístas. O documento final, que muitos julgavam impossível de ser parido, outorga legitimidade ao encontro e respalda a governança mundial, apesar de lideres como Donald Trump.