Travessia perigosa marca dia a dia
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Publicado 25/10/2018 - 07h35 - Atualizado 25/10/2018 - 07h35

Por Beatriz Andrade

Ana Júlia e sua filhinha Yasmin passam pela área frequentemente

Patrícia Domingos/AAN

Ana Júlia e sua filhinha Yasmin passam pela área frequentemente

Moradores do bairro Jardim Florence I reclamam da falta de uma passarela para pedestres na travessia da Avenida John Boyd Dunlop, até o Jardim Florence II. Para os moradores, há duas opções: atravessar a avenida, que sofre intervenção das obras do Bus Rapid Transit (BRT) de Campinas, ou utilizar a linha férrea e dividir o espaço com os trens. Apesar de passarem em horários esporádicos, os pedestres que se arriscam na têm a atenção redobrada, enquanto os que optam pela avenida precisam se apressar para passar, já que o fluxo de veículos é grande.
Além dos perigos naturalmente oferecidos pela travessia na linha de trem, o local está infestado de restos de garrafas de vidro, latas e outros objetos cortantes, que podem machucar um pedestre distraído. Por ser o caminho viável, muitos pais o usam para levar e buscar seus filhos para as escolas e creches, e muitas crianças já se acostumaram com o trajeto. Segundo Sidney Luiz do Rosário Ferreira, de 19 anos, é parte da rotina, mas não é uma opção confortável. “Dá um pouco de medo por causa dos trens, mas ainda assim é melhor passar pela linha férrea do que pela avenida. O risco de ser atingido é menor, principalmente com as obras”, contou o jovem.
Entrar e sair da linha de trem é o desafio aceitável, já que entradas e saídas laterais foram construídas por ali. O que preocupa, é caminhar dividindo o espaço com os veículos de transporte de carga. “Já vimos vários acidentes acontecerem por aqui. Mas, mesmo assim, nada foi feito. A vida das pessoas tem que vir em primeiro lugar. Senão, não adianta fazer novos corredores de ônibus”, afirma José Maria Guimarães, aposentado de 70 anos que, apesar de estar acostumado a passar por ali, pede por melhorias. “Eu espero que olhem para nós logo, porque os acidentes podem aumentar se não fizermos nada”, afirmou o aposentado.
Muitos moradores dos bairros Florence 1 e 2 precisam atravessar a avenida para trabalhar, e, em alguns casos, com seus instrumentos a tira colo. Mais uma vez, por segurança, essas pessoas optam por transitar pela linha férrea. Anderson Ferreira da Silva, de 31 anos, precisou transportar uma chapa de alumínio sobre sua cabeça pela linha de trem, acompanhado por uma criança. Para eles, a travessia se torna ainda mais perigosa.
Da mesma forma, mães com crianças de colo são expostas aos perigos da linha do trem, e precisam de malabarismos para completar o trajeto. Ana Júlia dos Santos, de 18 anos, é mãe da Yasmin, de um ano, e encara a travessia sempre que possível para levar sua filha para visitar o bisavô, que mora do outro lado da linha férrea. “Nós vamos, porque ele já não consegue mais vir. Com 89 anos e um problema na perna, ele já quase caiu aqui.
É muito perigoso”, contou Ana Júlia. Ela revela ainda que busca sua filha e outras crianças do bairro na escola, por isso precisa cruzá-la todos os dias. “Com crianças, temos que redobrar o cuidado, e é melhor passar pela linha de trem. O ideal seria que se construísse uma passarela, mas nunca fizeram nada”, afirmou.
SAIBA MAIS
Em nota, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) esclareceu que, sobre as obras do Corredor BRT, os locais de travessia de pedestres, pela avenida, estão mantidos mesmo com as obras em pleno andamento. Os locais possuem semáforos, inclusive com botoeira para acionamento do pedestre. As passagens são sinalizadas; também com sinalização no canteiro de obras.
Sobre a linha férrea, a empresa afirma que a Prefeitura está construindo 12 passagens de nível em pontos da ferrovia que cruza a cidade em diversos bairros. Dessas, quatro delas são no Jardim Florence.

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Beatriz Andrade