A polarização populista
Publicidade
Publicado 20/09/2018 - 14h54

A polarização populista

Estão se estreitando as opções para os brasileiros que querem ver longe o populismo, seja este de direita ou de esquerda.
Recentes pesquisas indicam uma polarização entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Este último, na realidade, um preposto de Lula, que está na prisão em Curitiba e inelegível devido impedimento imposto pela Lei da Ficha Limpa.
Situação difícil para quem deseja um governo responsável e que reforme o aparelho de Estado, tornando-o, de fato um instrumento de desenvolvimento e portador dos melhores serviços à população; livre de influências partidárias que procuram levar o Brasil não ao futuro, mas ao retrocesso do início do século XX com propostas e atitudes que remontam a construção de regimes totalitários condenados pela história.
Ambos os lados extremos que se opõe tem a mesma pregação populista. Prometem controlar a mídia, combatem-na já na campanha eleitoral como uma barreira que impede seu caminho ao poder. O discurso de campanha prepara o campo para a efetivação da promessa ao alcançarem seu objetivo.
A eles, os populistas – lulopetistas e bolsonaristas – não interessa a educação da população, pois o populismo se alimenta da ignorância que a mantém submissa à liderança carismática, como a um messias que surge para resolver todos os problemas.
O populismo se alimenta do ódio. Deve indicar às massas um alvo, um inimigo comum que torna facilmente reconhecível para os seguidores o caminho a seguir. Derrotar ou aniquilar o outro, o inimigo que impede a vitória. Nesse quesito – bolsonaristas e lulopetistas se complementam, se alimentam reciprocamente. Sua pregação fomenta a formação do patrulhamento ideológico em toda sociedade quando estão no poder.
De lado a lado, como a comboiar o gado, surgem intelectuais que buscam justificar o injustificável para tentar legitimar suas ações e preparar-se para ocupar espaços de poder após a eleição. Este é um número que não para de crescer quanto mais próxima fica a vitória.
Pobre povo brasileiro. Ocupa um território fabulosamente rico em recursos naturais. Uma cultura riquíssima e diversificada, com uma democracia que mal ou bem nos trouxe até aqui sem nos envolvermos em lutas fratricidas de aniquilação física do outro. Ainda não chegamos a esse ponto, mas estamos caminhando para isso.
E o que fazem as forças de centro democrático? Aqueles que poderiam oferecer uma alternativa entre os extremos radicalizados. Engolfados numa visão particularista de política, cheia de picuinhas, estão mais preocupados com sua própria sobrevivência e agarram-se até o último minuto à possibilidade de serem ungidos e chamados como solução. Puro oportunismo e cegueira política.
As lideranças que se afastam dos extremos e que se encontram mais próximas do centro no campo ideológico não conseguem superar seu individualismo em prol do bem comum. Não são capazes de atos de grandeza para impedir a catástrofe que se aproxima. A unidade em torno de objetivos comuns poderia ser uma alternativa, contudo está difícil. O quarto colocado nas pesquisas - Geraldo Alkmin, agora pressionado acordou para radicalizar o combate ao populismo, afirmando que fará discurso incisivo contra a possibilidade de trilharmos esse caminho nos próximos anos. A ver. Para isso teria que ter o apoio de outras forças políticas, ou seja, um pouco de altruísmo para salvar o país.
Enquanto isso parcela da população cansada e já escaldada pela experiência vivida com o lulopetismo que nos trouxe à atual situação econômica se vê numa sinuca de bico às vésperas da eleição.
As pesquisas indicam que o terceiro colocado nas pesquisa, Ciro Gomes, tem chances ainda de excluir um dos extremos da disputa que nesse caso seria o petista Fernando Haddad, marionete de Lula. Ciro é um candidato que pode ser situado na centro-esquerda e tem motivos mais do que conhecidos para opor-se ao candidato petista.
Ocorre que Ciro Gomes tem um grande problema, continua falastrão. Não se contém em criar e atacar pessoas sem nenhuma necessidade: jornalista, promotora e general do exército foram alguns de seus alvos nos últimos dias. Se conseguisse se conter por algum tempo poderia se apresentar como uma alternativa na disputa, tornando o pleito mais interessante.
Caso não ocorra formação de uma alternativa viável aos populismos poderemos ver um embate em que a população não irá desejar o que já experimentou e tentará provar o “novo” e “chutar o pau da barraca” como se ouve cada vez mais.
Enquanto isso o lulopetismo segue arrebanhando votos entre as camadas mais pobres da população, principalmente no nordeste, que foram deixados nessa condição pelos 13 anos de governo petista que adotou práticas clientelistas e assistencialistas em conluio com as oligarquias locais como Sarney, Eunicio de Oliveira, Renan Calheiros entre outros, que facilitam o controle político e os desejados votos em períodos eleitorais.
Vamos ver daqui a alguns dias. Fatos novos poderão surgir. É uma eleição sem precedentes na história política do país, é provável que novos lances ocorrerão que poderão alterar o quadro atual. Aguardemos.