Mudanças no cenário eleitoral
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Publicado 13/09/2018 - 07h27

Mudanças no cenário eleitoral

As pesquisas eleitorais divulgadas no último dia 10/09 da BTG Pactual e do DataFolha coincidem em mostrar as tendências do eleitorado pós atentado a Jair Bolsonaro. São pelo menos quatro aspectos que podem ser destacados a respeito dos candidatos melhor posicionados na pesquisa do DataFolha:
O primeiro é que Bolsonaro somente 2 pontos percentuais, de 22% para 24%, número menor que o esperado, revelando seus limites de voto. O atentado serviu, provavelmente, para consolidar os votos de seus seguidores, o que pode viabilizá-lo para o segundo turno.
O segundo é o fato de que Ciro Gomes teve um importante crescimento num momento de definição do eleitorado. Passou de 10% para 13% tornando-se um candidato viável para disputar uma vaga para o segundo turno.
O terceiro aspecto é que Marina Silva foi a que mais perdeu, sofrendo forte queda, caiu de 16% para 11%. A queda pode revelar tendência que pode se confirmar nas próximas pesquisas.
E um quarto aspecto importante é que os votos brancos e nulos tiveram uma redução, de 22% na pesquisa anterior para 15% nesta e evela que os eleitores já estão se definindo para a eleição presidencial.
Levando em consideração esses dados a pesquisa sugere que a definição dos eleitores está ocorrendo com mais rapidez que o previsto pela maioria dos analistas. A tendência é uma polarização no segundo turno entre esquerda e direita. Nesse caso, o campo da direita sendo ocupado por Jair Bolsonaro, ao passo que a disputa mais acirrada, nos próximos dias, deverá ocorrer à esquerda do espectro político. Nesse contexto, Ciro desponta como o candidato que disputará com Fernando Haddad a ida para o segundo turno. A estratégia de Ciro deverá ser atrair os votos da esquerda não petista e os votos do centro que não pretende votar nem em Bolsonaro e nem no candidato petista.
A queda acentuada de Marina, que se coloca como de centro-esquerda revela a migração de seus votos para outras candidaturas. Provavelmente Ciro Gomes será mais favorecido por essa migração e mais do que indicam os números, as gentilezas que o candidato tem trocado com Marina nos debates reforçam essa tendência.
A candidatura de Geraldo Alkmin dá mostras de viver um certo impasse, pois seu objetivo deveria ser arrebanhar votos de Bolsonaro e outros candidatos de Centro e centro-direita. No entanto, o atentado o impede de ser mais agressivo com o capitão presidenciável e não está conseguindo atrair os votos dos candidatos mais à direita do espectro político (Álvaro Dias, Henrique Meirelles, João Amoedo). Acrescente-se a prisão de Beto Richa ex-senador pelo PSDB e importante quadro do partido e teremos uma situação complicada para Alkmin, num momento decisivo da campanha.
Fernando Haddad teve um forte crescimento de 4% para 9% revelando que sua imagem tem colado mais no padrinho Lula, mas a prudência sugere que é necessário aguardar as próximas pesquisas para avaliar a capacidade de transferência de votos de Lula para Haddad. Com a proximidade das eleições fica cada vez mais difícil Haddad ampliar sua votação.
As duas candidaturas Ciro e Haddad estão subindo, revelando que a grande disputa nos momentos finais da campanha será entre esses dois candidatos para ocupar o lugar da esquerna no segundo turno.
Ciro Gomes tem melhores condições de crescimento se conseguir frear o avanço da campanha de Haddad no nordeste, impedindo a migração maciça de votos de Lula e se tiver sucesso para atrair os eleitores de centro que não aceitam nem Bolsonaro, e nem Haddad.
O atual cenário eleitoral sofreu modificação em relação à semana anterior. Se surgirem fatos novos, novas mudanças ocorrerão. Caso permaneça a disputa tal qual se encontra hoje em que a cautela prevalece, e os ataques diminuem, é provável que o quadro se mantenha até o final e se converta numa grande disputa dentro da esquerda (Ciro X Haddad) no primeiro turno, seguida de embate no segundo turno entre a direita e a esquerda.
Nos próximos dias deverão ocorrer defecções nos seguidores dos presidenciáveis que não estão bem colocados e deverão apoiar candidatos mais viáveis que impeçam a eleição daqueles que não desejam ver eleito. A tendência ao voto útil deverá ser muito alta e para isso contribuirão as pesquisas eleitorais que indicarão aqueles candidatos mais viáveis.
Como esta não é uma eleição igual a qualquer outra que já houve no país, novos fatos podem alterar o cenário atual.