PUC e Unicamp se destacam no Exame Cremesp
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Publicado 28/09/2018 - 07h22 - Atualizado 28/09/2018 - 07h22

Por Rogério Verzignasse

Das 59 escolas em atividade no Estado de São Paulo, 37 foram avaliadas; às demais, abertas há menos de seis anos, ainda não tinham formandos

Cedoc/RAC

Das 59 escolas em atividade no Estado de São Paulo, 37 foram avaliadas; às demais, abertas há menos de seis anos, ainda não tinham formandos

As faculdades de medicina da Unicamp e da PUC-Campinas aparecem na relação das instituições com melhor desempenho no Exame Cremesp 2018. Neste ano, a prova teve recorde de inscrição e participação entre todas as edições com 3.174 alunos do sexto ano participando da avaliação. Cerca de 62% deles, 1.961 estudantes, acertam mais de 60% das questões, índice considerado mínimo para aprovação. Sendo que 38,2% não conseguiram a nota mínima.
Como nas edições anteriores, o exame confirmou o desempenho melhor das escolas públicas, com a aprovação de 81% dos inscritos. Entre as privadas, os resultados foram melhores que os de 2007, mas o número de reprovados ainda é alto (53,5%, contra 56,8% do ano passado).
De acordo com a direção do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), os resultados positivos se mantêm, ano após ano. “A avaliação externa dos egressos de medicina tem sido exitosa e, a cada ano, a prova ganha mais importância. Contabilizam a participação de 80% dos recém-formados, mesmo considerando que o exame não é obrigatório”, afirma Bráulio Luna Filho, primeiro secretário do conselho.
As escolas participantes recebem um relatório pormenorizado de desempenho de seus alunos por área de conhecimento específico - preservando a identidade de cada um -, para que possam ter subsídios para corrigir as falhas e aprimorar os cursos.
O exame, aplicado em agosto, abrangeu as áreas de clínica médica, clínica cirúrgica, pediatria ginecologia, obstetrícia, saúde pública, epidemiologia, saúde mental, bioética e ciências básicas. Passou que acertou pelo menos 72 das 120 questões.
Das 59 escolas médicas em atividade no Estado de São Paulo, 37 foram avaliadas. As demais, abertas há menos de seis anos, ainda não tinham formado turma à época do exame.
Alertas
Mas o Cremesp ainda teve constatações preocupantes. Muitos dos alunos demonstraram não saber interpretar exames, diagnosticar e administrar a conduta terapêutica adequada em casos médicos básicos.
Para se ter uma ideia da situação, 86% erraram a abordagem a pacientes vítimas de acidente de trânsito, 69% não conheciam as diretrizes para aferição da pressão arterial e 68% não acertaram a conduta a ser tomadas para o socorro a um paciente com infarto.
Os resultados, segundo a diretoria, contribuem para o debate sobre a qualidade da formação médica e para o necessário controle das novas instituições fundadas ano a ano. O Brasil já tem 321 escolas médicas.
Obrigatoriedade
O Cremesp está empenhado para tornar o exame anual obrigatório em todo o território nacional. Uma petição on-line do conselho já conseguiu 36 mil assinaturas a favor da prova. A campanha tem a adesão de médicos, políticos, estudantes, formadores de opinião e população em geral.
Por enquanto, o exame é a prova de conhecimentos apenas para aqueles que irão obter o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) no Estado de São Paulo.

Escrito por:

Rogério Verzignasse