Aos 30 anos, laboratório monitora 2 mil pacientes
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Publicado 14/08/2018 - 09h49 - Atualizado 14/08/2018 - 09h49

Por Rogério Verzignasse

Há três décadas, pacientes enfrentavam um estigma social desvastador; os diagnósticos definitivos precisavam de confirmação e os erros ocorriam

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Há três décadas, pacientes enfrentavam um estigma social desvastador; os diagnósticos definitivos precisavam de confirmação e os erros ocorriam

O Laboratório de Pesquisa em Aids da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – fundado há 30 anos – hoje monitora mensalmente cerca de dois mil pacientes e realiza aproximadamente três mil exames para o diagnóstico da doença. Os procedimentos rápidos e eficientes fizeram do órgão referência em um segmento que – há três décadas – era marcado por um estigma social devastador.
“No começo, os procedimentos eram basicamente manuais, e os diagnósticos definitivos precisavam de novos testes de confirmação. A possibilidade de erros era imensa”, fala o professor Francisco Hideo Aoki, coordenador do laboratório. “Era um preço que se pagava pelo pioneirismo do serviço. Atualmente, ao contrário, contamos com insumos e equipamentos de última geração, que garantem agilidade e precisão nos resultados”.
A Aids, no caso, se tornou no período foco de ações que atualmente acontecem a nível nacional, que envolvem uma rede de laboratórios. A pesquisa avança, ao mesmo tempo em que o governo garante a distribuição ágil de medicamentos e o acolhimento dos pacientes para tratamento.
Multissetorial
A equipe atual do laboratório é composta de oito biólogos e três técnicos. Mas - ao contrário do que possa aparentar – não é uma estrutura pequena. O atendimento ao público, na verdade, é prestado por especialistas de outros departamentos da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), que se integram aos serviços.
Por exemplo, as assistentes sociais acompanham os procedimentos da notificação ao acompanhamento do tratamento. As próprias famílias são atendidas.
“O que conseguimos, neste tempo todo, foi criar um sistema que garante excelência na atenção a cada um. O serviço de alto nível é prestado a todos os pacientes da rede pública”, conclui o professor.
Também devem ser ressaltados os investimentos na especialização da mão de obra, por meio de cursos de atualização. Se formam recursos humanos. Existe sintonia com que há de mais avançado em pesquisa no mundo.
“O Laboratório de Pesquisa em Aids é uma das faces da Unicamp em que a mistura de pesquisa e desenvolvimento de excelência se transforma em extensão e prestação de serviços à sociedade”, afirmou Joaquim Murray Bustorff Silva, chefe de gabinete da Reitoria da Unicamp, presente ao evento que marcou o 30º aniversário.
No Brasil
Segundo Ronaldo de Almeida Coelho, do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, cerca de 800 mil brasileiros são portadores do vírus HIV.
Estima-se que 72% dessa população esteja em tratamento. Dentre as pessoas que são tratadas, 91% delas já estão com carga viral suprimida, ou seja, são indetectáveis e não transmitem o vírus.
Dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS apontam que, em 2017, a América Latina teve 100 mil novos infectados, e 37 mil mortes relacionadas à Aids.

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Rogério Verzignasse