Cirurgião pediatra assume o HC
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Publicado 27/06/2018 - 07h15 - Atualizado 27/06/2018 - 07h15

Por Renato Piovesan

Médico, conhecido como Toninho, foi candidato único e sucede o professor João Batista de Miranda

Divulgação

Médico, conhecido como Toninho, foi candidato único e sucede o professor João Batista de Miranda

O cirurgião pediátrico Antônio Gonçalves de Oliveira Filho tomou posse anteontem como novo superintendente do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, sucedendo o professor João Batista de Miranda. Toninho, como é conhecido, foi candidato único na consulta (eleição) que é realizada a cada quatro anos, e foi aclamado para gerir o hospital no quadriênio 2018-2022. O principal desafio, segundo ele, será conseguir aprimorar a infraestrutura e o parque tecnológico do HC, em meio à crise financeira sem precedentes que a instituição atravessa.
Correio Popular — Como foi sua trajetória até assumir a Superintendência do HC da Unicamp?
Antônio Gonçalves de Oliveira Filho — Sou médico, me formei na Unesp em 1986. Concluí a residência de cirurgião pediátrico em 1991 e no mesmo ano comecei como voluntário na Unicamp. Assinei meu primeiro contrato dois anos depois no HC. Em 2010 surgiu a oportunidade de me tornar docente e no mesmo ano fui chamado para assumir a diretoria do centro cirúrgico. Fizemos um trabalho muito bom nesses 4 anos, com várias melhorias no parque tecnológico, e quando teve a mudança na superintendência, o João Batista Miranda me chamou para a coordenadoria de assistência em 2014, onde fiquei até agora.
Atualmente, dois terços do financiamento do HC são custeados pela Unicamp, que, por sua vez, está endividada. Já o Ministério da Saúde não tem previsão de reajuste da tabela dos procedimentos pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isso tudo faz crer que o fator financeiro é o principal desafio dos seus próximos quatro anos?
O maior desafio é sempre o financeiro. Com o não reajuste da tabela do SUS desde 2012 e o crescimento dos custos do trabalho médico a cada ano, é essencial a busca por cada vez mais parcerias, seja junto à Reitoria, ou através da iniciativa privada e emendas parlamentares. Sem isso, não teríamos conseguido o salto de qualidade que tivemos nos últimos anos. Outra meta é obter uma certificação, para termos um hospital acreditado, além de qualificado e competente.
Para este ano, a Unicamp tem previsão de déficit orçamentário de R$ 240 milhões. Como a crise da universidade impacta na qualidade dos serviços do HC?
A crise econômica do Brasil impacta em todas as universidades e hospitais, como a Unicamp. A situação do HC não é melhor nem pior que a universidade, estamos dentro do contexto universitário, mas temos particularidades como funcionamento o ano todo, 24h por dia, e um modelo muito caro para administrar. São 3,2 mil colaboradores e o orçamento de custeio do hospital é de R$ 500 milhões por ano, 60% disso para a folha salarial, mas outra parcela significativa para compras e manutenções de equipamentos e materiais de custeio. Devemos sempre lutar pela melhoria constante da qualidade do HC, desde obras na infraestrutura que já têm sido feitas, mas também melhorar a qualidade e segurança do paciente, os processos administrativos, e lutar pela sustentabilidade financeira. É de suma importância manter o HC entre os melhores. Foi nessa gestão que o hospital investiu o maior volume de recursos para sua modernização, o mesmo acontecendo com os custeios, algo em torno de R$ 36 milhões.

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Renato Piovesan