Aliviada, Campinas retoma rotina
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Publicado 31/05/2018 - 21h22 - Atualizado 31/05/2018 - 21h22

Por Daniel de Camargo

Movimento foi tranquilo ontem no Mercadão, embora a greve tenha atrapalhado alguns comerciantes, que deixaram de receber itens dos fornecedores

Thomaz Marostegan/ Especial para a AAN

Movimento foi tranquilo ontem no Mercadão, embora a greve tenha atrapalhado alguns comerciantes, que deixaram de receber itens dos fornecedores

No feriado de Corpus Christi, os campineiros respiraram aliviados com a retomada gradual da rotina, após o pesadelo provocado pela greve dos caminhoneiros. Os postos de gasolina tiveram muito movimento, mas nada comparado com o que foi visto na véspera, quando motoristas passavam 12 horas na fila. As mercadorias aos poucos chegam às bancas do Mercadão e da Ceasa Campinas. O consumidor voltava às compras.
A cidade amanheceu com pouco movimento nas ruas, terminais de ônibus e também nos supermercados. E, nos postos, os motoristas comemoravam o fim da greve. 
Carlos Bonon, engenheiro de 51 anos, conta que não chegou a ficar sem combustível desde o início da paralisação. Porém, em determinados momentos, rodou na reserva. Agora tranquilo, Bonon afirmou que ia encher o tanque. “Respeitei o movimento, mas de fato ele causou problemas para a população. Nós precisamos trabalhar, tocar a vida”, criticou.
O transporte público, que vem operando com 50 % da frota urbana, deve voltar às normalidade a partir de segunda-feira, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
O passageiro Brasilino Ramos, aposentado de 72 anos, não vê a hora da situação melhorar. "A gente espera muito no ponto. Além disso, todo mundo sofre: nesta semana, meu neto não teve aula, minha filha sofreu para se deslocar entre os dois locais em que ela trabalha”, falou. “A gente se sente jogado às traças.”
Aos poucos
No Mercadão, o comerciantes Oclésio Macini de 55 anos, ainda tinha diversas prateleiras vazias no açougue. A greve atrapalhou e muito o comércio, disse, porque as entregas dos fornecedores foram suspensas.
O Aeroporto Internacional de Viracopos, que chegou a registrar uma queda de 45% nas exportações, festeja que as operações tendem a voltar ao normal. O abastecimento das aeronaves está garantido e não mais risco de cancelamento de voos.
Ceasa já contabilizou prejuízos de R$ 30 milhões
Os prejuízos das Centrais de Abastecimento (Ceasa) de Campinas por conta da greve dos caminhoneiros já superam os R$ 30 milhões. Mas a conta ainda deve ter números bem mais salgados quando forem contabilizadas todas as despesas operacionais e vendas não realizadas.
De acordo com Claudinei Barbosa, diretor técnico-operacional do centro atacadista, a roça continuou produzindo, mas a logística para a entrega das mercadorias foi severamente afetada.
Porém, agora existe otimismo entre os dirigentes e os próprios comerciantes.
Ontem, o abastecimento de hortifrutis à central já alcançou 70% do movimento normal. Até segunda-feira, existe a expectativa de que todos os procedimentos estejam normalizados.
Eixos suspensos não são mais cobrados
Caminhoneiros que trafegam sem cargas pelas estradas e rodovias do Estado de São Paulo já não estão mais pagando pedágio sobre os eixos suspensos, ou seja, aqueles que não tocam o solo. A decisão passou a valer à zero hora de ontem, mas foi publicada anteontem, em resolução da Secretaria de Estado de Logística e Transportes. Isto, após os grevistas terem cumprido os compromissos firmados com o governador Márcio França (PSB), que anunciou a medida no domingo passado. A resolução permitirá, segundo França, uma economia substancial. “No caso da Imigrantes, a economia será de R$ 25,60 por eixo levantado. Portanto, se o caminhão estiver vazio e levantar até três eixos a economia será de R$ 76,80”, frisou.
Foi necessário um prazo, entre o comunicado e a aplicação, devido a procedimentos jurídicos e administrativos para a real implantação dos descontos. O período também serviu para que as concessionárias fizessem a adequação necessária em seus respectivos sistemas e equipes operacionais.
Com a determinação, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) fará a devida apuração de valores de desequilíbrio entre as concessionárias. A partir da próxima semana, a entidade vai entrar em contato com todas, de forma a definir um caminho para reequilibrar os preços.
Diesel mais barato
Em sanção publicada ontem, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), o presidente Michel Temer (PMDB) adotou regras para garantir o acordo com os caminhoneiros, que passam a pagar a partir de hoje, R$ 0,46 a menos no litro do diesel.
Até segunda, HC da Unicamp atenderá prioritariamente
O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informou ontem que manterá até a próxima segunda o atendimento prioritariamente para os casos de urgência e emergência. A decisão foi tomada pelo Conselho Executivo de Administração, que na última segunda-feira suspendeu as cirurgias eletivas, devido à falta de insumos, tanto quanto a dificuldade de locomoção da população, devido à greve dos caminhoneiros.
Os serviços de radioterapia, quimioterapia, hemodiálise e infusão de imunobiológicos agendados serão realizados. Na próxima segunda, as medidas adotadas serão reavaliadas, mediante a normalização no reabastecimento. Na última segunda, as consultas ambulatoriais tiveram uma queda média de 50%. Já as Unidades de Urgência Referenciada Adulto e Pediátrica passaram a semana lotadas, implicando na restrição de atendimento.
 

Escrito por:

Daniel de Camargo