'Batalha' deixa camelôs e fiscais da Setec feridos
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Publicado 24/03/2018 - 09h06 - Atualizado 24/03/2018 - 09h06

Por Alenita Ramirez

Fiscal da Setec mostra ferimento na cabeça: ação de fiscalização acabou em confusão e pancadaria na Unicamp

Alenita Ramirez/AAN

Fiscal da Setec mostra ferimento na cabeça: ação de fiscalização acabou em confusão e pancadaria na Unicamp

Um confronto durante uma fiscalização da Serviços Técnicos Gerais (Setec) em frente ao Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no final da manhã de sexta-feira, terminou com dois camelôs feridos e um detido. Dois fiscais da autarquia também tiveram ferimentos.
Vários produtos foram apreendidos. Durante a confusão, um dos camelôs quebrou a lanterna dianteira de uma Sprinter da Seter. A confusão só terminou com a chegada da Guarda Municipal (GM) e da Polícia Militar (PM).
O caso foi apresentado no plantão do 4º Distrito Policial (DP), no bairro Taquaral, e até final da tarde os envolvidos anda prestavam depoimento. O confronto começou por volta do meio dia, e foi originado, segundo os camelôs, pela atitude agressiva de um dos fiscais da Setec, conhecido como “Pitbull”, que chegou no local chutando as bancas, destruindo produtos e agredindo os ambulantes - tudo filmado por um dos camelôs.
“Sabemos que nosso trabalho é ilegal, mas é a única forma que temos para sobreviver”, disse o Samuel Garcia Iredia, que trabalha no local há um ano vendendo produtos industrializados e que foi detido na ação.
“As coisas esquentaram porque o Pitbull chegou agredindo todo mundo e quebrando tudo. Ele não tem respeito. Os outros fiscais não são assim, eles chegam conversando com educação, mas ele não. Como é professor de capoeira, já chega dando golpes”, contou.
Durante a confusão, os camelôs usaram um pedaço grosso de madeira para agredir um dos fiscais e também danificar o veículo da Setec.
O agente sofreu um corte na cabeça e escoriações nas costas e precisou ser resgatado pela GM e por policiais. Um outro agente também sofreu ferimentos nas mãos. Por outro lado, dois camelôs, inclusive um homem de cerca de 70 anos, ficaram feridos.
“A confusão começou entre os próprios ambulantes. Quando chegamos para fazer a fiscalização, eles começaram a discutir entre si e depois vieram para cima”, afirmou um fiscal que não quis se identificar.
Com a chegada da PM e GM, os camelôs fugiram levando o que puderam de seus produtos. Iredia foi detido com a madeira usada na agressão, mas afirmou que o pegou do chão e que o usou “apenas para se defender”.
Briga antiga
A presença de camelôs na Unicamp é antiga, e os confrontos com os fiscais da Setec também. No ano passado um ambulante foi detido porque portava uma arma. Ele pagou fiança e ainda responde a processo em liberdade.
Para coibir a atuação dos camelôs, em agosto do ano passado a Unicamp firmou um convênio com a Setec que foi renovado no mês passado, segundo o presidente da autarquia, Arnaldo Salvetti. O contrato estabelece a realização de duas operações de fiscalização por semana.
“Nós notificamos os camelôs, pedimos para que saiam. Eles até vão embora na hora da fiscalização, mas depois voltam. Estamos cientes da situação difícil da economia, mas trata-se de comércio ilegal. O que não admitimos são essas agressões”, disse Salvetti.
Sete fiscais participavam da ação de ontem. Segundo eles, cerca de 40 camelôs estavam no local - número é contestado por Iredia, que garante que havia somente 10 ambulantes.
“Descobrimos que os camelôs colocam olheiros nas entradas da Unicamp, e assim que chegamos em Barão Geraldo, eles são avisados e saem do local. Hoje (ontem) conseguimos flagrá-los porque usamos um outro caminho, que certamente não estava sendo vigiado”, disse um fiscal. Sobre a ação de “Pitbull”, a Setec garantiu que ele não é fiscal da autarquia.
Solução definitiva
Em nota, a Unicamp informou que está em negociação com um grupo de ambulantes para buscar uma solução “legal e definitiva”, e que em duas semanas será definido um local provisório para que os ambulantes possam trabalhar. Num prazo um pouco mais longo, entre 60 e 90 dias, deve-se determinar um local definitivo para eless.
“A Unicamp reafirma a busca por uma solução definitiva, de maneira a oferecer oportunidades para esses ambulantes atuarem de forma legal e segura do ponto de vista das condições sanitárias, garantindo que ofereçam uma alimentação adequada” diz a nota. (Colaborou Daniel de Camargo/ANN)

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Alenita Ramirez