Ecad divulga músicas mais tocadas de Rita Lee
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Publicado 08/01/2018 - 22h34 - Atualizado 08/01/2018 - 22h34

Por Delma Medeiros

Rita Lee, que completou 70 anos no último dia de 2017: canção volta às paradas com reapresentação de novela

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Rita Lee, que completou 70 anos no último dia de 2017: canção volta às paradas com reapresentação de novela

Descrita por Caetano Veloso como "a mais completa tradução" de São Paulo, na música Sampa, Rita Lee, que completou 70 anos no último dia de 2017, é reconhecida como uma referência no pop nacional. Cantora, compositora, multi-instrumentista, atriz, escritora, pintora e ativista da causa animal, Rita Lee foi objeto de um levantamento inédito do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que mostra as músicas mais tocadas em rádios e shows e as canções mais gravadas da artista. 
Com 327 obras musicais e 566 fonogramas cadastrados no banco de dados do Ecad, a artista é responsável por grandes clássicos do pop nacional, como Mania de Você (1979), que aparece em primeiro lugar entre as músicas de sua autoria mais tocadas em shows e em segundo nas rádios. A canção também é a primeira entre as mais gravadas.
Apesar da vasta discografia, como integrante de Os Mutantes e em carreira solo, uma música mais recente lidera a lista de músicas mais tocadas da artista nas rádios em 2017, Amor e Sexo, do disco Balacobaco (2003), composta em parceria com Arnaldo Jabor. A canção, aliás, voltou à cena com a reapresentação da novela Celebridade, atual atração do Vale a Pena Ver de Novo, da TV Globo — é o tema da personagem Darlene, de Deborah Secco.
Outras canções inesquecíveis como Desculpe o Auê, Ovelha Negra, Caso Sério, Baila Comigo, Agora Só Falta Você, Lança Perfume e Saúde estão presentes nas três listagens, em posições variadas. Outros clássicos, como Balada do Louco e Ando Meio Desligado, não entraram no rol das mais tocadas em rádios, mas figuram entre as mais executadas em shows e gravações.
Saída de cena
Em 2012 Rita Lee lançou o álbum Reza, se despediu dos palcos e foi viver quase reclusa numa chácara próxima de São Paulo com o marido, Roberto de Carvalho, cercada de plantas e animais. Apesar de distante do agito do cenário musical, ela afirmou recentemente, em entrevista a Pedro Bial, que ainda compõe: "não larguei a música, só o palco". Nesse período, se dedicou a escrever — no início de 2017 lançou, com colaboração do jornalista Guilherme Samora, o livro Rita Lee - Uma Autobiografia, obra que se manteve no ranking dos mais lidos durante meses. No mesmo ano lançou também o livro de ficção Dropz. Antes, entre 1986 e 1992, escreveu quatro livros infantis, tendo como personagem central Dr. Alex; e um de crônicas, Storynhas (2013). No período reclusa também se dedicou a pintura, retratando principalmente rostos de ídolos e amigos, como Carmem Miranda, Hebe Camargo, Dercy Gonçalves, Elis Regina, Salvador Dalí, entre outros.
A "Rainha do Rock Brasileiro", como é chamada, alcançou a marca de 55 milhões de discos vendidos ao longo da carreira. Recebeu inúmeros prêmios, entre os quais se destacam o Grammy Latino, que conquistou em 2001. Para a mesma premiação recebeu outras seis indicações. Também ganhou por 12 vezes o Prêmio Sharp de Música, abriu o show dos Rollings Stones, quando da participação do grupo no Rock in Rio 1995, e atuou como atriz em cinema e televisão. Os rankings completos do Ecad podem ser acessados no link: goo.gl/1vHCpm.
Do Teenage Singers ao lendário Os Mutantes
O interesse de Rita Lee pela música começou na adolescência. Em 1963 formou um conjunto com mais duas garotas, as Teenage Singers, que participava de shows e festas colegiais. No ano seguinte elas conheceram um trio masculino, Wooden Faces. Os dois grupos se juntaram, formando o Six Sided Rockers, banda que depois veio a se chamar O’Seis e que chegou a gravar um disco compacto com duas músicas. Com a saída de três componentes, sobraram Rita e os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista que passaram a se chamar Os Bruxos. Por sugestão de Ronnie Von, o grupo mudou o nome para Os Mutantes (1966-1978). Na capa do primeiro disco do trio, Mutantes (1968), ela aparece vestida de noiva, o mesmo vestido que usou em 1967 para defender com a banda e Gilberto Gil a canção Domingo no Parque. Segundo a imprensa, o vestido tinha sido emprestado por Leila Diniz e nunca foi devolvido.

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Delma Medeiros