Falta de sangue cancela transplante no HC
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Publicado 15/01/2018 - 21h57 - Atualizado 15/01/2018 - 21h57

Por Virgínia Alves

Diretor do serviço de coleta do Hemocentro, Vagner Castro, diz que as cirurgias canceladas foram as agendadas, que consomem 70% das bolsas de sangue

Leandro Torres/AAN

Diretor do serviço de coleta do Hemocentro, Vagner Castro, diz que as cirurgias canceladas foram as agendadas, que consomem 70% das bolsas de sangue

A falta de sangue nos hemocentros fez com que transplantes e cirurgias fossem cancelados no Hemocentro do Hospital de Clínicas da Unicamp (HC). O número de doações, que já costuma ser baixo após as festas de final ano, ficou mais baixo do que o esperado e o Banco de Sangue está fazendo uma campanha de mobilização para que a população doe sangue no Hemocentro e nos postos de coletas em Campinas e na cidade de Sumaré.
Um comunicado no site da própria Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), informa que, na primeira semana de 2018, oito cirurgias de transplantes de fígado foram cancelados. Ainda de acordo com a Universidade, os órgãos foram encaminhados para outros hospitais que realizam os procedimentos.
Os dados do Hemocentro mostram que os números de doações foram 8% a menos que em 2017 e 12% a menos, em comparação com o ano de 2016. Os sangues de tipos O e A são os que estão com estoque mais baixo na cidade. De acordo com o diretor do serviço de coleta do Hemocentro de Campinas, Vagner Castro, as cirurgias canceladas foram as agendadas - que consomem 70% das bolsas de sangue -, para que as de emergência pudessem ser realizadas. “Acontece em todos os lugares essa queda no período de final de ano. Nós trabalhamos para que a queda seja a menor possível”, explica.
Além das festas de final de ano, Vagner acredita que as constantes chuvas que têm atingido a região também ajudou para a queda nas doações. Para o diretor, além das pessoas saírem menos de casa em dias de chuvas, o fato da coleta móvel não ir para a rua também prejudica o Banco de Sangue. “Quando chove é cancelada a coleta móvel. Então nós não vamos para as outras cidades”, explica. Segundo ele, com a chuva o chão acaba ficando muito liso e perigoso e, por isso, não é possível fazer as coletas nas cidades vizinhas.
O Hemocentro está realizando uma forte campanha de mobilização em toda mídia e nas redes sociais. A expectativa é que a população volte aos pontos de coletas para que o Banco de Sangue se recupere antes do feriado de Carnaval, no dia 13 fevereiro. Além de se preocupar com o próximo feriado prolongado, a preocupação é também com a campanha de vacinação contra a febre amarela, prevista para começar na primeira semana de fevereiro.
Quando o doador é vacinado contra a febre amarela, precisa esperar 30 dias antes de doar sangue, o que pode fazer com que os números fiquem ainda mais baixo. “Nós precisamos que a população volte a doar sangue. A campanha contra a febre amarela, que antecede o Carnaval, pode deixar um impacto grande”, diz Vagner.

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Virgínia Alves