Unicamp proíbe comércio informal em frente ao HC
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Publicado 10/08/2017 - 18h33 - Atualizado 10/08/2017 - 18h33

Por Alenita Ramirez

O aumento no número de ambulantes se deu, em parte, pelo desemprego e a crise econômica, que trouxe aumento no número de trabalhadores informais no campus

Leandro Ferreira/AAN

O aumento no número de ambulantes se deu, em parte, pelo desemprego e a crise econômica, que trouxe aumento no número de trabalhadores informais no campus

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) proibiu um grupo de cerca de 20 ambulantes de trabalhar em frente ao Hospital de Clínicas (HC). Para fazer valer a proibição, a universidade acionou a Polícia Militar (PM), a Guarda Municipal (GM) e a Serviços Técnicos Gerais (Setec) que foram ao local na madrugada de quinta-feira e impediram que o grupo se instalasse. O aumento no número de ambulantes se deu, em parte, pelo desemprego e a crise econômica, que trouxe aumento no número de trabalhadores informais.
Segundo o chefe de gabinete da reitoria, Joaquim Bustorff, foi firmado um convênio com a Setec, para normatizar a ocupação do solo. Ainda de acordo com Bustorff, foi criada recentemente a Secretaria de Vivência nos Campis, que tem entre outras funções a de organizar o uso do solo no local. "A Unicamp entende que existe um problema social atrás disso a presença de ambulantes, só que é preciso fazer de uma forma organizada para não colocar em risco a segurança e a saúde dos pacientes e usuários do hospital", disse o chefe de gabinete.
Bustorff garante que os ambulantes foram avisados da proibição e também orientados a fazer o cadastro na prefeitura do Campi. "Não vamos mais permitir a atuação dos ambulantes. Eles devem procurar a Rute na Secretaria de Vivência nos Campi para orientá-los. Nossa proposta é evitar confrontos e tentar organizar essa demanda social", disse.
Ambulante armado
Durante a ação, um ambulante foi preso pela PM com um revólver calibre 38 e seis munições na cintura. O homem alegou que usava a arma para se defender de um desafeto seu.
A operação começou por volta das 4h e causou revolta nos ambulantes que começaram a chegar no local por volta das 5h. Eles afirmaram que atuam no espaço há cerca de um ano e meio, de segunda-feira a sexta-feira, até por volta das 19h.
O comércio é variado, indo de café a salgados fritos e assados. "Vendemos a preço baixo, mas tudo com muita higiene. Estamos trabalhando aqui porque muitos estão desempregados e pagam aluguel. Outros têm problemas de saúde e precisam complementar a renda", falou o ambulante Braz Augusto, de 54 anos.
O grupo afirma que já se cadastrou na Prefeitura e que há tempos negocia com a reitoria para a legalização da sua função como ambulante. "Fizemos um abaixo-assinado mostrando que os usuários aqui na Unicamp também são favoráveis ao nosso comércio. A gente tem ponto fixo e não estamos aqui para criar tumultos", disse a ambulante Maria Gorette de Souza Batista que atua no local há oito anos. "Fui a primeira a começar aqui. No ano passado cadastrei o pessoal e fiz um crachá improvisado para quem já estava aqui. A gente trabalhava de forma organizada", afirmou a mulher.
A Setec confirmou a assinatura do convênio de cooperação, vigente desde 25 de julho, onde a Universidade conferiu à autarquia poderes para proceder a fiscalização das vias na área da Saúde da Unicamp, com o intuito de coibir o comércio e publicidade irregular ou clandestino. "Tal convênio tem vigência de três meses e prevê diversas incursões como a que está sendo realizada hoje (ontem)", informou em nota a Setec.

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Alenita Ramirez