Você gosta de "preguiçar" ou de realizar?Correio Escola Multimídia
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Publicado 16/07/2017 - 16h16 - Atualizado 16/07/2017 - 16h23

Por Renata Passos

Sobre resultados.
Na minha casa era assim: você podia ter qualquer defeito que era perdoado. A exceção ficava por conta de uma fraqueza que, por ser considerada quase mãe de outras, foi chamada de "pecado capital". O nome do pecado? preguiça!
Para minha família, esse pecado era quase imperdoável! Você podia ser (quase) tudo que seria acolhido e perdoado, mas, para o preguiçoso, pena máxima!
Aprendi que ela - a preguiça - é a única que pode sabotar você de conquistar as coisas que você quer.
Ela não é garantia de nada, mas a lei da probabilidade diz que se você entrar em ação em direção ao seu alvo, traçar pequenos objetivos, um passo a passo bem delineado e não "preguiçar", a suas chances aumentam consideravelmente.
O (a) preguiçoso (a) não é aquele (a) que não trabalha, mas é aquele (a) que, trabalhando, só se ocupa! Ele (a) tá sempre ocupado (a), mas faz sempre o mínimo que pode fazer, e às vezes leva o dia assim por até 12 horas!
Não estou falando de quantidade de tempo, mas de qualidade e de intensidade no uso do seu tempo.
Penso que é isso que difere o preguiçoso do realizador.
Tem gente que faz, mas faz pela metade. Que faz atividade física, mas que nem chega a ficar cansado (a), que até vai naquela palestra legal, mas na hora da palestra fica mandando torpedo.
Até trabalha no que gosta, mas, de tempo em tempo, faz um corpinho mole pra ver se tem alguém pra ajudar. Não dá o melhor. Está lá, mas não dá tudo o que pode, como se, pra isso, precisasse fazer reserva.
Ele (a) diz que quer um mundo de coisas, tem sonhos, objetivos, mas na hora de fazer, fica com preguiça e deixa para amanhã.
São os chamados procrastinadores, os famosos "amanhã eu faço".
"Segunda - feira eu começo a dieta".
"Vou para de fumar no meu aniversário".
"Quando tiver dinheiro vou prestar vestibular".
"Farei a segunda lua de mel assim que puder tirar férias" (ele (a) normalmente, aqui, se refere às férias já acumuladas. Fora as férias que ele (a) vendeu!)
Ele (a) só está esperando alguma coisa que não está no hoje.
"No ano que vem, aí sim, vou me matricular na academia, pagar, e freqüentar!"
É isso mesmo que você está lendo, o fato de fazer matrícula, avaliação, primeiras aulas e pagar um ano inteiro de mensalidade não garante a freqüência. Você conhece alguém que paga por uma coisa que não usa?
Eu conheço, até entendo, mas não compreendo. Neste tempo de escassez de recursos de todo lado, esse tipo de desperdício e de descaso com o dinheiro é algo a se pensar.
Pergunte na recepção de qualquer academia, só por curiosidade, o número de pessoas pagantes e o número de freqüentadores assíduos.
Você vai se assustar! Por isso a estratégia de pagamento anual, semestral e trimestral é a única forma de uma academia continuar funcionando.
Ela tem que contar com o seu compromisso de pagamento para poder honrar os compromissos de pagamento que ela (a academia) tem.
A academia pode contar com o pagamento, só não pode contar com o cliente usando o serviço que pagou para usufruir.
Triste não? Precisamos pagar para assumirmos um compromisso com a gente mesmo! Ou você conhece alguém que faz exercício para outra pessoa?
Esse é o sonho de uma amiga, ela diz que, se ganhar na Megasena, paga alguém pra correr todos os dias pra ela na Rua do Porto!
Outra já me ligou várias vezes contando do esporte que ela irá começar a praticar.
Se tivesse mantido pelo menos um dos que começou e não tivesse "preguiçado", já era quase uma atleta.
Desde janeiro começou uns 3 e não gostou de nenhum. Pudera, deu tempo de aprender?
(Em tempo: depois disso é melhor eu mudar de cidade... Minha amiga vai me "matar" ainda hoje).
E a vida segue assim, empurrando os compromissos e objetivos para mais pra frente... pra até algum dia... pra até qualquer momento que nunca chega.
A preguiça vira hábito, assim como qualquer comportamento que você repete muito.
O hábito vira o seu escudo, algo que te protege de mudanças, de busca de desafios, que te mantém na zona de conforto. Somos seres cheios de hábitos. Eles formam nossa rotina santa de cada dia e nos trazem segurança.
O hábito de deixar as coisas pra amanhã faz com que cada vez mais nossa ansiedade aumente. E aí a gente ganha de presente uma horrível sensação de impotência e fracasso ao final de cada dia.
A lista cresce cada vez mais. Você acredita que tem gente que empurra tanta coisa pra frente, que chega uma hora que precisa tirar férias para dar conta de sua lista de pendências?
É isso aí, você já reparou quanto tempo você usa do seu final de semana para resolver as coisas que não conseguiu durante a semana?
É claro que algumas coisas exigem nossa presença e, com as jornadas cada vez maiores, não há outra alternativa.
Contudo, um pouco mais qualidade e de intensidade no uso do tempo e foco no que é realmente importante ajudaria e muito. Aquilo que é importante e que você não faz hoje vira URGENTE se deixado pra semana que vem. E aí, se acontecer qualquer coisa fora da sua programação então... pronto! Empurra mais um pouco...
Trabalhamos cada vez mais. Antes chegávamos em casa e descansávamos. Hoje, muita gente, para "dar conta", chega em casa e responde e-mails, atende celular, faz relatório...
Aonde vamos parar?
Acredito que algumas pequenas mudanças no nosso dia a dia nos garantirão uma maior resolutividade, um maior senso de urgência e, é claro, melhorarão nossos resultados.
Você não é totalmente responsável pelos resultados que alcança. Resultado envolve muitas variáveis.
Você é, sim, responsável pelo processo todo.
Um processo bem feito requer um ótimo nível de execução, qualidade e intensidade.
Mas qualquer coisa começa com uma simples decisão.
E aí? Você quer preguiçar ou realizar?

Escrito por:

Renata Passos