Cuidado: atalho na pista!Correio Escola Multimídia
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Publicado 24/04/2017 - 11h25 - Atualizado 24/04/2017 - 11h26

Por Renata Passos

Conte para alguém bem mais jovem que antes não tínhamos GPS e nenhum outro tipo de aplicativo para encontrarmos um destino. Aplicativo para uso pessoal é algo bem recente.
Chegávamos com mapas, referências de locais conhecidos. Ligávamos para alguém que era bom de caminho e tinha uma noção espacial mais ampliada.
Estou falando do meu marido. No meu caso era perguntando até chegar. Parava quantas vezes fossem necessárias. Aprendi que quem tivesse boca chegaria a Roma!
Hoje você consegue chegar até mais longe, sem precisar perguntar nada a ninguém. Basta que tenha às mãos qualquer sistema de posicionamento. Mesmo com poucas noções de Geografia, chegará tranquilo. Quase sempre.
O quase fica por conta das vezes que o aplicativo falha e te leva para o lado oposto.
Saber no mínimo a região, e a direção antes de sair podem fazê-lo errar bem menos do que simplesmente seguir sem a menor noção.
Nos aplicativos existe uma opção de caminho mais curto. Uma rota mais rápida, e claro, repleta de atalhos. Nosso tema de hoje!
Lembro de uma vez, viajando fora do país com um casal de amigos, que o dispositivo nos levou para uma estrada de terra que parecia não ter fim.
Tínhamos um mapa impresso em mãos, pois se tratando de outro país e outra língua, o bom e velho mapa de papel são essenciais. Se ficarmos perdidos demais, pelo menos saberemos perguntar e mostrar onde queremos chegar.
Mesmo o nosso mapa, nos confirmando que estávamos na direção certa, começamos a ficar ansiosos, pois não víamos nada além de plantações e estrada de terra...
Você não imagina o alívio quando chegamos a uma estrada asfaltada e sinalizada.
Era um atalho!
Essa foi uma das vezes que um atalho nos fez ganhar um tempo completamente desnecessário.
Também já fomos parar em favelas do Rio de Janeiro. E olha que desta vez não programamos o caminho mais rápido. O desconhecimento total da rota nos fez pegar o atalho mais longo que percorri.
É exatamente esse o ponto.
A ideia inicial de todo e qualquer atalho é diminuir tempo, distância, economizar combustível, escapar de mais um pedágio...
Mas quando não conhecemos o caminho, o atalho pode ser o caminho mais longo e caro de nossas vidas!
Atalhos em aplicativos, ok.
Na nossa vida não serve. Simples assim.
Não tem atalho na carreira.
Não existe caminho mais curto para construir uma família emocionalmente saudável.
Não há casamento sólido construído em atalhos.
Ninguém aprende inglês dormindo.
Ninguém - neste planeta - emagrece comendo tudo o que quer.
Empresas crescem com o tempo.
E as que estouram rapidamente? Ficam conhecidas, famosas, mas muitas vezes não oferecem lucros, só potencial, que pode quadruplicar. De que maneira?
Isso mesmo, com o tempo!
Não tem mágica na vida.
Não tem atalho certo.
O caminho é longo mesmo.
Viver dá trabalho.
Conquistar uma vida de qualidade, então, nem se fala...
É trabalho duro, diário, a quatro, seis, oito, dez mãos.
E se atalho significa cortar caminho, qual seu valor se você não sabe o destino?
Por melhor que seja seu propósito, sua visão, seu planejamento, processo, plano de metas, o destino é sempre uma suposição, ou melhor, uma das nossas maiores pretensões.
Você já mudou radicalmente a rota que seguia em tranquilidade e segurança?
Eu já e mais de uma vez.
Em uma delas, viemos viver aqui, em Piracicaba.
Esta cidade que amamos e que nos recebeu com tamanho carinho, não era nosso destino. Nem ela, nem outra. Jamais pensei em sair de minha cidade de origem.
Mas o caminho longo de trabalho e dedicação nos trouxe até aqui.
Nossos amigos nos encontraram trabalhando.
Seguindo o caminho. Ganhando o pão de cada dia. Fazendo a nossa parte da maneira que sabemos e aprendemos fazer: o caminho todo. Sem atalhos.
Viva de maneira a poder contar para seus netos, sobrinho e pessoas mais queridas, toda a beleza de quem desfrutou e sobreviveu a um longo caminho!
Simples assim e um lindo caminho longo pra você!

Escrito por:

Renata Passos