Pesquisadores questionam venda de área de institutoCampinas e RMC
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Publicado 29/04/2016 - 19h37 - Atualizado 29/04/2016 - 19h37

Por Gustavo Abdel

Entrada do complexo do IZ de Nova Odessa: polêmica sobre negociação

Cedoc/RAC

Entrada do complexo do IZ de Nova Odessa: polêmica sobre negociação

Pesquisadores e funcionários do Instituto de Zootecnia (IZ) de Nova Odessa são contrários à venda de uma área de 27 hectares dentro do instituto, às margens da Avenida Carlos Botelho. A venda faz parte do pacote de 79 imóveis do Estado que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) enviou para a Assembleia Legislativa em forma de projeto de lei (PL). Para os servidores, a venda da área pode ser o começo do desmonte de uma fazenda que já enfrentaria outras tentativas de fatiar seus 850 hectares. A direção do instituto fez uma reunião na manhã desta sexta-feira com os profissionais e justificou que a área colocada no projeto não interfere nas pesquisas.
A alienação dos imóveis é mais uma das ações do Estado para tentar reequilibrar as contas. No início do ano, o governo havia anunciado congelamento de R$ 6,9 bilhões do Orçamento de 2016. Os bens listados no PL estão avaliados em R$ 1,43 bilhão.
Em Campinas, uma área do Centro Experimental Central do Instituto Biológico (IB), localizado dentro do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, e um terreno no Conjunto Habitacional Padre Anchieta fazem parte da lista de alienações.
O Instituto de Zootecnia pertence à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. A área que está sendo colocada à venda abrange um antigo matadouro, parte do Ribeirão Quilombo. Há pouco tempo essa mesma área estava cotada para um projeto de hospital veterinário regional, que funcionaria com o custeio de prefeituras da região.
Segundo o pesquisador do IZ, João Demarchi, a reunião foi convocada às pressas, e a razão teria sido para amenizar a polêmica de venda da área. “No meu entendimento, essa área, a do IAC em Campinas e as demais são áreas que precisam ser preservadas como patrimônio natural. Se fosse criada uma unidade de preservação o Estado poderia angariar fundos e reverter para a própria pesquisa científica.”
O pesquisador afirma que dos 850 hectares, 400 são de proteção ambiental — a fazenda possui o último remanescente de Mata Atlântica de Nova Odessa. “Com essa análise, 27 hectares não caracteriza pouca área, e a preocupação é que essas alienações avancem”, expõe.
Em relação às alienações, o secretário de governo Saulo de Castro Abreu disse no PL que as repartições públicas instaladas nos imóveis listados podem ser transferidas para outros locais, “sem prejuízo da qualidade do serviço prestado”. O texto foi protocolado em caráter de urgência e deve ser votado em 45 dias úteis.
Um dos principais motivos da venda, segundo o Estado, seria aumentar o capital da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), para garantias de projetos de infraestrutura contratados por meio de parcerias público-privadas. O texto também atribuiu à crise econômica a necessidade do governo de vender bens para fazer caixa.
O vice-diretor do IZ, Waldissimiler Teixeira de Mattos, justificou a reunião como uma maneira de explicar os funcionários e pesquisadores a posição da secretaria. “A reunião foi para informar que essa venda não interfere na pesquisa”, resumiu. O IZ Nova Odessa realiza pesquisas com bovino de leite, de corte, pastagem, ovinos entre outras linhas. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APQC) já havia emitido comunicado oficial em que afirma não ter sido consultada sobre as alienações.

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Gustavo Abdel