IAC retoma o processo de transferência de acervoCampinas e RMC
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Publicado 17/02/2016 - 21h10 - Atualizado 17/02/2016 - 21h11

Por Inaê Miranda

A direção do IAC confirmou a transferência do acervo bibliográfico da seção de algodão para a Biblioteca Central do IAC, na sede do Instituto

Cedoc

A direção do IAC confirmou a transferência do acervo bibliográfico da seção de algodão para a Biblioteca Central do IAC, na sede do Instituto

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) segue com o processo de transferência de acervos da Fazenda Santa Elisa. Depois de levar a coleção de insetos para o Instituto Biológico, em São Paulo, o setor de algodão foi transferido esta semana. O acervo bibliográfico foi para a Biblioteca Central do IAC, na Avenida Barão de Itapura. Já a estrutura de pesquisa foi transferida para um prédio menor, vizinho às antigas instalações.
A comunidade científica teme que a história de 93 anos do algodão seja diluída entre tantas mudanças. O IAC nega prejuízos para as atividades.
Segundo a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (Apqc), a direção do IAC tinha dado um prazo para iniciar a desocupação, mas se antecipou. “Foram lá eles mesmos começar a tirar as coisas e fazer a mudança sem a presença dos pesquisadores”, afirmou o presidente da APQC, Joaquim Adelino. O programa de algodão do IAC é considerado um dos mais importantes, especialmente pelo papel que teve no Estado de São Paulo durante a crise do café.
Para os pesquisadores, o que mais preocupa é o “desmonte da estrutura de pesquisa”. Eles defendem que, apesar da falta de recursos e da defasagem pesquisadores — são apenas três no momento, sendo dois deles já aposentados e um na ativa, mas já em tempo de se aposentar —, o setor de algodão está em plena produtividade, tendo lançado quatro variedades de algodão nos últimos três anos: duas de fibra colorida, uma de planta vermelha e fibra branca e a mais recente chama IAC-RDN. “É um programa de 93 anos em vias de ser extinto”, comentou Adelino.
A direção do IAC confirmou a transferência do acervo bibliográfico da seção de algodão para a Biblioteca Central do IAC, na sede do Instituto. O prédio que abrigava as atividades desenvolvidas na área será ocupado pelo grupo de Pós-Colheita do IAC, composto atualmente por seis pesquisadores.
A direção confirmou que o único pesquisador da ativa que atua na área de algodão foi transferido, com suas atividades, para um prédio onde há quatro salas e dois laboratórios e considerou que estas áreas são suficientes para atender à demanda nos trabalhos de algodão no Instituto Agronômico. “Não haverá comprometimento das atividades de pesquisa. Ressalta-se que foram preservadas todas as áreas adjacentes, como casas de vegetação e câmaras frias”.
Acervo
No início de setembro, o IAC transferiu o acervo entomológico (de insetos e pragas) com mais de 8,5 mil amostras para o Instituto Biológico, em São Paulo, e anunciou a transferência do acervo de plantas com mais de 56 mil amostras e 11 mil espécies catalogadas para o Instituto de Botânica, também em São Paulo. À época, a direção do IAC confirmou ainda que as atividades do Centro de Engenharia e Automação (CEA), que ficam em Jundiaí, seriam transferidas para Campinas. A justificativa era a reprogramação e alinhamento da pesquisa e redução de custos.
Em outubro de 2015, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) aprovou a abertura do estudo de tombamento do conjunto de coleções do IAC na tentativa de proteger os acervos históricos. A ideia ainda era recuperar o material já enviado para São Paulo. O estudo foi arquivado. 

Escrito por:

Inaê Miranda