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Publicado 21/12/2015 - 21h58 - Atualizado 21/12/2015 - 21h59

Por Marita Siqueira

A banda Matanza inaugurou nova fase com O Pior Cenário Possível

Divulgação

A banda Matanza inaugurou nova fase com O Pior Cenário Possível

Lenine lançou o disco Carbono: viola pantaneira com afrojazz e valsa
O ano de 2015 foi marcado pelo retorno de grandes (e veteranos) nomes da MPB ao mercado fonográfico, como Eduardo Gudin, Gal Costa, Mauro Senise, Gilson Peranzzetta e Lenine, que lançaram obras consistentes e coerentes com suas respectivas trajetória artísticas. Há também aqueles com parte do percurso percorrido, a exemplo de Roberta Sá e Cidadão Instigado, que apresentaram belos trabalhos, firmando-se no alto patamar da música brasileira.
Houve centenas de discos lançados, dos quais esta repórter ouviu aproximadamente 120. É nesses que se baseia a lista que elenca os 15 melhores, três por categoria: samba, MPB, rock, instrumental e regional. Os critérios utilizados para a escolha foram: música, letra, interpretação e conjunto da obra.
SAMBA
 Eduardo Gudin & Notícias dum Brasil 4, de Eduardo Gudin
Traz 13 faixas inéditas, compostas em parceria com Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola, Carlos Lyra, Ivan Lins, Carlinhos Vergueiro, Theo de Barros, Paulo Frederico, Mauricio Sant’Anna e Fátima Guedes, além de duas regravações. Canções que emocionam, como muitas outras de Gudin.
Vai Ter Fuzuê, de Leandro Fregonesi
Representante da nova geração do samba carioca, o cantor e compositor Leandro Fregonesi lançou Vai ter Fuzuê avalizado pelos bambas Monarco, Beth Carvalho e Maria Bethânia. Reúne 16 faixas com 13 músicas inéditas e quatro releituras. O disco evidencia o talento do sambista como compositor em canções com parceiros e sozinho.
Pulsação, de Julião Pinheiro
Disco de estreia de Julião como intérprete, Pulsação está recheado com 15 sambas inéditos compostos em parceria com o pai, Paulo César Pinheiro. A mãe, Luciana Rabello, assina a produção e toca cavaquinho em 13 das 15 faixas do álbum. Julião se mostra como violonista, compositor e cantor, sendo uma das principais revelações do ano.
Chico Lobo se destacou com Cantigas de Violeiro
MPB
Estratosférica, de Gal Costa
Sofisticada e moderna, a cantora traz novamente a interessante pegada rock’n’ roll incorporada à música popular e celebra sem nostalgia os 50 anos de carreira. Gal apostou nos compositores da nova geração em Estratosférica, álbum com 15 canções inéditas, além dos veteranos Gilberto Gil, Tom Zé e Caetano Velloso.
Delírio, de Roberta Sá
O disco remete à calmaria e a serenidade, a partir das gravações de base, primeiramente, depois os instrumentos solos e melódicos, bem como o repertório leve. Aliás, o bom gosto na escolha das canções, casado com produção coerente de Rodrigo Campello, só comprova a autenticidade da artista.
Carbono, de Lenine
Carbono traz uma ebulição sonora na química manipulada por Lenine. São 11 faixas inéditas, marcadas por parcerias novas e antigas, além da participação da Orkestra Rumpilezz e do Nação Zumbi, e a introdução de gêneros que vão da viola pantaneira ao afrojazz, da valsa moderna ao frevo.
REGIONAL
Assopra o Borralho, de Zé Helder
Com sonoridade acústica, o álbum recria a atmosfera do campo, “da roça” propriamente dita, para reviver musicalmente lembranças da antiga Cachoeira de Minas (MG), terra onde o instrumentista nasceu e passou a infância. Zé traz a tona costumes regionais como o sabão de cinza, o pão de queijo e o próprio “assopra o borralho”.
Em Busca dos Sambas de Raul Torres, do Trio Gato com Fome
Durante um ano, o trio pesquisou a quase desconhecida obra de samba de Raul Torres, um dos principais nomes fundadores da música caipira. Houve a preocupação em respeitar a melodia original, colocando a identidade do grupo nos arranjos. O resultado foi um belo registro histórico do samba rural paulistano que entrou para a história.
Cantigas de Violeiro, de Chico Lobo
O disco mostra a rica sonoridade da cultura popular com as folias, modas, batuques, catiras, folguedos, bois e toques de viola, sons inspiradores que fazem o músico mergulhar na cultura regional, resultado de suas andanças por Minas Gerais e pelo Brasil. O trabalho reúne 14 canções do violeiro, mais duas músicas inéditas autorais.
ROCK
Pior Cenário Possível, do Matanza
Gravado ao vivo em estúdio, CD inaugura formalmente uma nova fase do grupo a partir da inclusão de mais um guitarrista, Maurício Nogueira. Como o título sugere, o disco mantém o tom sarcástico apresentado em todos os seus trabalhos com o adendo do som mais pesado com duas guitarras.
Time is Monkey, do Mustache & Apaches
Neste álbum, a maioria das 12 faixas ganhou sonoridade visceral com a introdução de guitarra, bateria e washboard, mas ainda permanece o tom acústico dado pelo bandolim e a percussão. O disco está mais elétrico, menos acústico e mantendo o humor com uma ironia peculiar para tratar de assuntos sobre a humanidade.
Fortaleza, do Cidadão Instigado
Quarto disco da carreira do grupo, Fortaleza traz 12 faixas inéditas que foram disponibilizadas para download gratuito na internet antes de chegar o formato físico. Desde então, agradou por investir em uma sonoridade melódica, “limpa” e autêntica, deixando para trás o som experimental dos trabalhos anteriores.
INSTRUMENTAL
Dois na Rede, de Mauro Senise e Gilson Peranzzetta
Em mais uma parceria bem-sucedida de Peranzzetta (piano) e Senise (saxofones, flautas), iniciada em 1990, o disco se divide em autorais e clássicos da MPB. São cinco músicas do pianista, inclusive a faixa título, e sete releituras, entre elas Deixa, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, História de Lily Braun, de Edu Lobo e Chico Buarque.
Sambas e Choros, de Silvio Giannetti
Músicas fáceis de ouvir, leves, alegres, e que são adequadas ao trombone foram escolhidas pelo instrumentista paulistano Silvio Giannetti para construir o repertório do primeiro CD solo e independente. Abre com a contagiante Alma Brasileira, de Zeca Freitas, e fecha com a engajada letra de E Vamos à Luta, de Gonzaguinha.
Trio Madeira Brasil
Formado em 1996 por Marcello Gonçalves (violão 7 cordas), Zé Paulo Becker (violão e viola caipira) e Ronaldo do Bandolim, o trio mostrou toda a experiência e o sincronismo adquirido no álbum comemorativo aos 20 anos. Conta com a participação especial do violonista Yamandu Costa em três faixas.

Escrito por:

Marita Siqueira