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Publicado 24/11/2015 - Atualizado 24/11/2015 - 21h00

Por Bruno Bacchetti

O urologista Ubiraja Ferreira, responsável pela pesquisa no HC: avaliação será feita depois de dois anos

Dominique Torquato/ AAN

O urologista Ubiraja Ferreira, responsável pela pesquisa no HC: avaliação será feita depois de dois anos

A equipe de estudos clínicos em Urologia Oncológica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp foi a que mais selecionou pacientes na América Latina para testar uma nova droga no combate ao câncer de próstata. Foram selecionados 22 pacientes e 15 estão tomando a droga.
Para participar da pesquisa o paciente tem que estar em um estágio específico da doença e preencher uma série de requisitos, por isso a seleção de voluntários é uma tarefa difícil.
Ao lado de 150 centros públicos e privados de pesquisa, dos quais cinco do Brasil, o HC participa há dez meses de testes para um novo medicamento, que visa aumentar a sobrevida de pacientes em estágio avançado da doença.
A pesquisa da nova droga consiste basicamente na seleção de pacientes cujo tumor não está mais na próstata. Metade dos pacientes farão uso de um comprimido inerte de placebo, sem função ativa, e a outra metade utilizará um medicamento sintético composto por Enzalutamida.
Contudo, nem a equipe médica e nem os pacientes sabem quem está fazendo o uso de qual medicação, por isso, duplo-cego.
Os pacientes continuarão utilizando as demais medicações oncológicas para tratamento aliado ao do estudo. A partir daí a equipe médica acompanha todo o quadro clínico, analisando resultados negativos e positivos.
“É difícil conseguir porque o paciente tem que ter algumas características. O fígado tem que funcionar bem, não pode ter distúrbio mental e nem HIV. Fazemos testes específicos e se o paciente tiver enquadrado ele assina um termo de consentimento”, explicou o urologista Ubirajara Ferreira, responsável pela pesquisa no HC.
Segundo ele, os pacientes serão testados por mais um a dois anos até que seja possível avaliar o resultado dos testes. Os primeiros efeitos são considerados positivos.
“Como estamos no meio do estudo, ainda não sabemos o resultado a longo prazo. Demora um pouco, mas a impressão é boa. Está tendo uma evolução boa no estudo”, completou.
O aposentado Osvaldo Ribeiro, de 81 anos, paciente do HC e diagnosticado há nove anos com câncer de próstata, iniciou o tratamento com o medicamento da pesquisa no dia último dia 29 e tem expectativas positivas.
“Apesar de não saber ao certo de que lado (do estudo) estou, vou tomar direitinho os quatro comprimidos por dia. No outro tratamento o médico disse que eu estava bem e por conta própria parei de tomar o outro remédio, o que não era para eu ter feito. Agora vou seguir na risca e espero melhorar”, contou o aposentado.
Exame
O câncer de próstata é o segundo de maior incidência entre os homens no País e o terceiro que mais mata. O HC da Unicamp realiza anualmente cerca de 400 atendimentos e acompanhamentos de pacientes. De acordo com o urologista, se a doença for diagnosticada em estágio inicial, a chance de cura ultrapassa os 90%.
Por isso, ela ressalta a importância da prevenção através do exame de sangue e do toque retal. Em alguns casos, não há necessidade de realizar tratamento imediato, mas é preciso fazer o acompanhamento.
“Preconizamos a necessidade de fazer o diagnóstico. Talvez se o câncer não for agressivo é possível fazer o acompanhamento”, disse Ferreira.
Segundo ele, o preconceito existente contra o exame de toque retal diminuiu, principalmente após campanhas de prevenção, como o Novembro Azul. No entanto, avisa que ainda está longe do ideal.
“Tem aumentado bastante a conscientização e os homens estão mais interessados. Mas não é ideal ainda. Uma pesquisa apontou que em São Paulo 51% dos homens adultos nunca fizeram nenhum tipo de exame”, finalizou o urologista. 

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Bruno Bacchetti