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Publicado 05/11/2015 - Atualizado 05/11/2015 - 20h36

Por Eric Rocha

Minibiografia de Tito Andrade, o Mestre Tito, na rua que leva seu nome

Dominique Torquato/ AAN

Minibiografia de Tito Andrade, o Mestre Tito, na rua que leva seu nome

Um projeto lançado na quinta-feira (5) na Câmara Municipal quer apresentar à população de Campinas as personalidades negras que emprestam seus nomes para ruas e praças da cidade. Locais importantes dentro da cultura negra também foram lembrados.
O “Ruas de Histórias Negras” prevê a confecção de 42 placas com pequenos relatos históricos ou minibiografias. Vinte e quatro delas já foram instaladas. O projeto também contará com diversas atividades em comemoração ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
As placas são instaladas pela Serviços Técnicos Gerais (Setec), autarquia responsável pela fiscalização do solo campineiro, e fazem parte de um projeto maior, que inclui a instalação das estruturas independentemente da cor do homenageado ou local.
As personalidades negras foram indicadas no começo do ano após um trabalho de pesquisa feita pelo gabinete do vereador Carlão do PT.
“Algumas placas já estavam instaladas, mas existem outras que não foram citadas e estamos tentando correr atrás”, disse o presidente da Setec, Sebastião Buani dos Santos.
Entre os 42 pontos que receberão as homenagens, as estruturas já estão instaladas na Capela Nossa Senhora da Penha (antiga Santa Cruz do Fundão), na Rua da Abolição; na Rua Mestre Tito (Vila Industrial); na Rua Grande Otelo (Vila União), e na Praça José Neves Balthazar, na Vila Castelo Branco.
Um dos homenageados, Tito de Camargo Andrade, o Mestre Tito, foi um curandeiro com grande conhecimento sobre ervas e que, com essa habilidade, foi capaz de curar vários barões. Também foi responsável pelo início da construção da Igreja de São Benedito, finalizada depois por Ramos de Azevedo.
José Neves Balthazar, por sua vez, foi poeta, compositor, autor do hino em homenagem a Campinas (1977) e secretário da Liga Humanitária dos Homens de Cor.
“Não podemos mais continuar só sendo lembrados por meio do navio negreiro. Temos referências históricas, como esses personagens. São elas que vão criar um incentivo para que nossa juventude e crianças tenham conhecimento da verdadeira história da contribuição do negro em Campinas”, afirmou Carlão do PT.
A expectativa é que até o dia 20 de novembro cada uma das placas instaladas ganhe um selo com um QR Code. Com essa ferramenta, a partir de um smartphone ou pela internet, vai ser possível ter acesso a mais detalhes da história do local ou homenageado.
De acordo com a historiadora, urbanista e militante do movimento negro Alessandra Ribeiro, Campinas foi uma das últimas cidades brasileiras a abolir de fato a escravidão, por volta de 1920.
“É uma cidade na qual a presença negra sempre foi muito ativa, articulada, mas, ao mesmo tempo um pouco invisível. Esse projeto traz visibilidade àquilo que já está dado, é uma felicidade imensa”, afirma Alessandra, que é ligada à comunidade Jongo Dito Ribeiro e coordenadora da Casa de Cultura Fazenda Roseira.
Programação tem missa crioula e homenagem a Grande Otelo
O lançamento do projeto “Ruas de Histórias Negras” foi o primeiro evento de uma série de atividades em comemoração ao Dia da Consciência Negra. No próximo domingo, a partir das 11h, acontece o concerto Sinfonia dos Orixás, de Almeida Prado. A apresentação será feita pela Orquestra Sinfônica de Campinas, no Teatro Castro Mendes, mas o evento só será aberto para convidados.
As outras atividades acontecem em três locais que já ganharam placas. No próximo dia 13, às 18h30, será realizada uma missa crioula na Capela Nossa Senhora da Penha. Também acontecerá uma homenagem ao artista Grande Otelo na rua que leva seu nome, na Vila União, às 10h do dia 22.
Por fim, no último domingo do mês, também às 10h, a homenagem será para José Neves Balthazar, que dá nome a uma praça na Vila Castelo Branco.
Pessoas e locais homenageados
1 - Avenida Francisco Glicério (Centro)
2 - Rua Mestre Tito (Vila Industrial)
3 - Praça Carlos Gomes (Centro)
4 - Catedral Metropolitana de Campinas (Centro)
5 - Rua 13 de Maio (Centro)
6 - Rua da Abolição (Ponte Preta)
7 - Capela de Nossa Senhora da Penha (Ponte Preta)
8 - Túmulo do Escravo Toninho (Cemitério da Saudade)
9 - Estátua da Mãe Preta (em frente à Igreja de São Benedito)
10 - Cemitério dos Cativos (jardim ao lado da Igreja de São Benedito)
11 - Largo da Santa Cruz (Cambuí)
12 - Largo das Andorinhas (Centro)
13 - Largo do Rosário (Centro)
14 - Rua Zumbi dos Palmares (Jardim Nova Esperança)
15 - Avenida 20 de Novembro (Centro)
16 - Rua Chica da Silva (DIC 5 de Março)
17 - Tulha (Jardim Proença)
18 - Rua Luis Gama (Bonfim)
19 - Rua João da Cruz e Souza (Jardim Chapadão)
20 - Praça José do Patrocínio (Guanabara)
21 - Rua Cândido Felisberto / Revolta da Chibata (Conjunto Habitacional Chico Mendes)
22 - Rua Donga (DIC 5 de Março)
23 - Rua Clementina de Jesus (DIC 5)
24 - Rua Carlos Cachaça (DIC 5)
25 - Rua Laudelina de Campos Mello (Parque Itajaí)
26 - Praça Angenor de Oliveira Cartola (Jardim Novo São José)
27 - Rua Solano Trindade (DIC 5)
28 - Rua Ataulfo Alves (DIC 5)
29 - Rua Jamelão - José Bispo Clementivo (DIC 5)
30 - Praça José Neves Balthazar (Vila Castelo Branco)
31 - Rua Malcom X (DIC 5)
32 - Instituto Cultural Babá Toloji Memória e Identidade Afro (Rua Mario Bassani)
33 - Hotel Fazenda Solar das Andorinhas (Carlos Gomes)
34 - Rua Papa São Vitor (Vila Padre Anchieta)
35 - Rua Bispo Santo Agostinho de Hipona (Vila Padre Anchieta)
36 - Igreja de Nossa Senhora Aparecida (Jardim Proença)
37 - Igreja de São Benedito (Centro)
38 - Rua Antônio Cezarino (Centro)
39 - Rua Lino Guedes (Jardim Paulistano)
40 - Rua Benedito Florêncio (Jardim Campinas)
41 - Rua Professor Francisco José de Oliveira (Cambuí)
42 - Rua Grande Otelo (Vila União)
SAIBA MAIS
francisco glicério
A via mais importante de Campinas é palco de uma homenagem a um negro. O campineiro Francisco Glicério de Cerqueira Leite, cuja mãe era filha de escravos, nasceu em 1846, foi senador por São Paulo e uma importante voz no movimento abolicionista e da instituição da República no País.
Era conhecido pelo grande carisma e poder de convencimento, tornando-se a “encarnação” do Partido Republicado Paulista.
Antes de seguir na política, trabalhou como tipógrafo, foi professor de primeiras letras e escrevente de cartório, além de atuar na área jurídica como advogado provisionado, ou seja, sem formação acadêmica em direito. Morreu no Rio de Janeiro em 1916.

Escrito por:

Eric Rocha