Projeto propõe mudar nome do Paço Municipal
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Projeto propõe mudar nome do Paço Municipal


Nomenclatura atual da sede do governo municipal, o Palácio dos Jequitibás, mudaria para Palácio dos Jequitibás Prefeito Ruy Novaes; opiniões divergem sobre o assunto

POLÊMICA

Projeto propõe mudar nome do Paço Municipal

Nomenclatura atual da sede do governo municipal, o Palácio dos Jequitibás, mudaria para Palácio dos Jequitibás Prefeito Ruy Novaes; opiniões divergem sobre o assunto

18/08/2015 - 21h29 - Atualizado em 19/08/2015 - 10h10 | Cecília Polycarpo
cecília.cebalho@rac.com.br

Foto: Cedoc/ RAC
Palácio dos Jequitibás, batizado por causa das árvores do terreno
Palácio dos Jequitibás, batizado por causa das árvores do terreno

Um projeto de lei controverso protocolado na Câmara de Campinas pretende mudar o nome do Palácio dos Jequitibás, sede do governo municipal, para Palácio dos Jequitibás Prefeito Ruy Novaes. O político, que morreu em 2000, governou a cidade por duas vezes, de 1956 a 1959 e de 1964 a 1969, e foi um dos idealizadores da construção do Paço, inaugurado por ele em 1968. A administração de Novaes, porém, é mais lembrada pela demolição do Teatro Municipal Carlos Gomes, em 1965.
Os autores da ideia defendem a gestão de Novaes e afirmam que o município precisa superar a suposta “mágoa” em relação ao ex-prefeito. Representantes de movimentos artísticos da cidade não concordam, e afirmam que não há “contexto” para renomeação do Palácio.
Assinado pelo vereador Marcos Bernadelli (PSDB), o projeto foi idealizado por Geovanni Galvão, membro da Associação Reconvivência. Uma das linhas de ação da entidade é resgatar nomes históricos de Campinas e colocá-los em logradouros ou prédios públicos. “Nossa intenção é dar a devida atenção a essas figuras históricas. E reparamos que não tem nada com o nome de Ruy Novaes. Campinas tem uma mágoa com ele que precisa acabar”, disse.
Galvão explicou que a demolição foi embasada em laudos técnicos encomendados à época. Apenas um dos quatro engenheiros que assinaram o documento está vivo, de acordo com Galvão, e sustenta a decisão do ex-prefeito. “O teatro não tinha fundação. Era tijolo sobre tijolo. E o solo era muito arenoso. Seria necessária uma reforma caríssima para a época.”
Bernardelli disse que não existe motivação pessoal ou partidária para a nomeação. Ele alegou o mesmo motivo que Galvão: o fato de não existir equipamentos públicos que homenageiem Ruy Novaes. “E ele era o único com um vínculo com o Palácio dos Jequitibás. Foi ele que inaugurou.”
No texto do projeto de lei, são citadas várias obras e ações do ex-prefeito, como a ampliação e a pavimentação de vias que ligam a região central a Sousas e a Paulínia, a cessão do terreno municipal para a construção do Aeroporto Internacional de Viracopos, a criação da Companhia de Habitação Popular (Cohab), com o lançamento de empreendimentos como das vilas Rica, 31 de Março e Castelo Branco.
Para ex-funcionário do gabinete de Novaes e membro da Academia Campinense de Letras (ACL), Jorge Alves de Lima, Novaes “foi o maior prefeito que Campinas já teve”. Ele argumenta que o ex-mandatário esteve à frente de obras importantes, como a construção da Avenida Prestes Maia e alargamento da Francisco Glicério e da Campos Salles.
Lima explicou ainda que Novaes lutou para conseguiu uma indenização do Estado pelas terras de Viracopos e, como o recurso, implementou redes de água e esgoto em bairros periféricos. “Ele também acabou com cortiços e favelas e zerou o déficit habitacional na cidade.” Lima define como “injustiça” o fato de Novaes ser lembrado apenas pela demolição do Teatro Municipal. “O pessoal esquece do grande administrador que ele foi por dois mandatos. Ele saiu mais pobre da Prefeitura do que quando entrou. Só pensava em Campinas.”

Opiniões divididas
Entre nomes da cena artística e cultural de Campinas, o projeto de lei não é bem visto. O professor de artes cênicas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Paulo Afonso Coelho, afirmou que não há fatos que comprovem a questão técnica para a destruição do Teatro Municipal. “Acho que artistas não tiveram força para combater a demolição porque estávamos em um regime de ditadura”, disse.
Novaes apoiou publicamente o golpe militar em 1964. Para Coelho, a mudança de nome não é pertinente e um nome neutro como Palácio dos Jequitibás faz mais sentido.
O secretário de Cultura, Ney Carrasco, declarou que a projeto de lei lhe “causa estranhamento”. O membro da ACL José Alexandre dos Santos Ribeiro afirmou que a demolição do teatro causou grande comoção entre artistas da época. “Havia reuniões com entidades culturais para discutir a demolição, mas o prefeito não comparecia, mandava o secretário de Cultura. Ele prometeu outro teatro, mas depois saiu do cargo e o equipamento não foi feito até hoje.”
 



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