Hospital da Unicamp descobre nova droga alucinógena letal
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Hospital da Unicamp descobre nova droga alucinógena letal


Costumeiramente importada da China, a substância é semelhante ao LSD, porém mais barata e com maior poder de alucinação e alto grau de letalidade

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Hospital da Unicamp descobre nova droga alucinógena letal

Costumeiramente importada da China, a substância é semelhante ao LSD, porém mais barata e com maior poder de alucinação e alto grau de letalidade

27/07/2015 - 19h33 - Atualizado em 30/07/2015 - 09h50 | Bruno Bacchetti
bruno.bacchetti@rac.com.br

Foto: Dominique Torquato/AAN
O farmacêutico e toxicologista do HC, Rafael Lanaro junto ao cromatógrafo, que permite a identificação de drogas no corpo.
O farmacêutico e toxicologista do HC, Rafael Lanaro junto ao cromatógrafo, que permite a identificação de drogas no corpo.

O Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp identificou, na semana passada, um paciente com uma nova droga no organismo, chamada NBOMe. Costumeiramente importada da China, a substância é semelhante ao LSD, porém mais barata e com maior poder de alucinação.
O paciente atendido pela Unicamp foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sobreviveu. A droga é a mesma encontrada no organismo do estudante Vitor Hugo dos Santos, de 20 anos, morto afogado no ano passado na raia olímpica da USP após festa na universidade.

"O paciente chegou ao pronto-socorro muito agitado e as medicações aplicadas não o sedavam. O irmão dele disse que não tinha usado nenhuma droga. O laboratório foi chamado e pelos sintomas foi feito o teste e identificado. Depois ele confirmou que comprou a droga como se fosse LSD. Foi para a UTI e ficou entubado", contou o farmacêutico e toxicologista do HC, Rafael Lanaro.
"Foi importante essa identificação porque agora já sabemos como tratar. Na toxicologia cada substância tem um jeito específico de tratar o paciente", disse.
A identificação da nova droga só foi possível graças ao novo equipamento adquirido pelo Hospital de Clínicas chamado cromatógrafo, que permite análises químicas e diagnósticos com alto grau de precisão, mesmo com baixa concentração da substância.
O sistema é capaz de detectar substâncias tóxicas, como medicamentos, drogas de abuso, álcool e praguicidas em diversos materiais biológicos humanos, como sangue, urina e até fios de cabelo. Na técnica convencional o resultado demora de duas a três horas para ser conhecido. Com o novo equipamento, o resultado sai em poucos minutos.
A máquina foi adquirida por R$ 400 mil com recursos da reitoria e vai atender toda Região Metropolitana de Campinas (RMC), composta por mais de 3 milhões de habitantes, além de cidades do Interior de São Paulo e até de outros estados.
O cromatógrafo é o único do Brasil instalado em um hospital e as principais especialidades beneficiadas pelo novo equipamento serão psiquiatria, cirurgia do trauma, clínica médica e cardiologia, por exemplo.
Segundo Lanaro, o diferencial do equipamento é o cromatógrafo gasoso, útil para dosar o nível de álcool em sangue de pacientes embriagados, por exemplo, acoplado em um espectrômetro de massa, que mapeia a espectrometria (espécie de DNA ou impressão digital) de moléculas.
Outro diferencial é o console robotizado, que permite a automatização das análises, sem a necessidade de um técnico operando todas as amostras. “A técnica desse equipamento, considerada padrão ouro na área de toxicologia, é 100% fidedigna. Um resultado de uma análise por espectrometria de massas não gera dúvidas, mas sim certezas. Muitas respostas que a gente não tinha estamos tendo agora", afirmou o toxicologista.
Além da nova droga encontrada, o equipamento foi importante na identificação de outros casos que não seriam possíveis sem a potência da nova tecnologia. "Teve o caso de uma criança que estava intoxicada por um praguicida de uso doméstico, com baixa toxidade. Mas a base do produto é solvente, e conseguimos identificar que foi ele que causou a morte. Também pegamos um jovem de 25 anos com seis tipos diferentes de droga no organismo", relatou Lanaro.
Embora o objetivo da máquina seja atender pacientes com intoxicação, ele não descarta que o equipamento possa auxiliar a polícia. "Vai ter uma função policial. Em casos de homicídio e suicídio o delegado pode solicitar nosso resultado, desde que cumpridas as situações legais".
O cromatógrafo servirá também para ensino e pesquisa, uma vez que estudantes de farmácia da Unicamp passarão por formação com o novo equipamento.

SAIBA MAIS
- O que é o NBOMe?
NBOMe é uma droga com aparência e efeitos semelhantes ao LSD. Existem ao menos 11 tipos de NBOMe, todos variáveis de uma substância chamada feniletilamina, neurotransmissor cuja molécula se parece muito com a anfetamina. Desde fevereiro, a substância é proibido pela Agência Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.

- Como surgiu?
O NBOMe foi sintetizado pela primeira vez em 2003 e começou a ser vendido pela internet em 2010. A droga ganhou força no mercado europeu em 2011. É vendido sob a forma de pílulas, pó, ampolas e papeizinhos embebidos com a substância.

- Como age no organismo?
Usuários da substância relatam terem tido alucinações visuais e sonoras. Entre os efeitos corporais observados estão espasmos e náusea, além de dificuldade de se localizar no tempo e no espaço. Seus efeitos duram entre quatro e seis horas.

- Riscos para o organismo
Estudos de casos de NBOMe concluem que a droga apresenta riscos elevados de intoxicação severa, hipotermia, amnésia, acidose metabólica e convulsões que podem resultar em morte.
 



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