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Lula, o malandro federal

22/03/2015 - 05h00 - Atualizado em 25/25/2015 - 14h50 | Zeza Amaral
igpaulista@rac.com.br

Poucos sabem da escolaridade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Muitos acham que se trata de um vagabundo escolar, sem eira nem beira, mas bem-dotado das artimanhas políticas. Ele sempre fez bem esse papel de ignorante, de um semiletrado, e nada disso é verdade. Lá pelos anos 1972/73, ele foi aos Estados Unidos cursar um módulo de preparação sindical na AFL CIO – a maior central norte-americana – que, de resto, era a maior central sindical peleguista do planeta – sendo ela, até poucos anos atrás, financiadora da CUT, CGT e Força Sindical. Hoje as centrais sindicais do País são movidas com os bilhões de reais do FAT – Fundo de Assistência aos Trabalhadores – e de tantos outros bilhões de reais que provêm do compulsório Imposto de Contribuição Sindical. Entenderam por que a guerra sindical é tão acirrada, enquanto os direitos dos trabalhadores não são assim ferrenhamente defendidos pelos seus sindicatos?

Além de cursos da AFL CIO, Lula também frequentou cursos de liderança sindical na John Hopkins University, Baltimore, também ali por volta de 72/73. Ali aprendeu a técnica pelega de aparentar ser de esquerda enquanto escamoteava a mão servil que estendia à direita dominante daqueles tempos fabris e febris de lucros escorchantes. Eram outros tempos, é claro, mas disso Lula jamais se esqueceu.

Lula da Silva, o político, nasceu por obra e graça do general Golbery do Couto e Silva, o estrategista político do então ditador Ernesto Geisel. Golbery transformou o Lula sindicalista em líder político e a prova disso são os relatos do ex-governador Paulo Egydio Martins e do empresário Mário Garnero e, de quebra, do ex-ministro Mário Enrique Simonsen. Qualquer google da vida vai levar a depoimentos, livros e artigos sobre o assunto. Eu vivi isso, é claro – o que não quer dizer absolutamente nada. Embora para mim seja tudo.

E já que estamos falando na tal ignorância escolar de Lula da Silva, apenas para encerrar o assunto, ele também fez um curso sindical no Instituto Interamericano Para o Sindicalismo Livre (IADESIL) que, e que não se envergonhem os petistas radicais, até hoje ainda é sustentado pela CIA. Tal curso, aliás, foi o que levou Frei Chico, comunista, a romper com o seu irmão Lula. Ou vice-versa.

A presidente Dilma Roussef também é vítima dessa malandragem sindical, envolvida que foi pelo peleguismo de esquerda que envolveu uma pequena parte da juventude brasileira, sedenta de novos ares, de novas possibilidades, das grandes aventuras que prometia o comunismo de então. E eis o Brasil real de agora, do tempo cobrando a sua fatura histórica, os nossos erros e apenas os nossos erros, pois visto que acertos jamais tivemos. Eis o Brasil com a corda dos pelegos no pescoço, se sustentando em cima dos ombros de seus reais trabalhadores, dos que levantam cedo para o sagrado trabalho de buscar sustento aos filhos, de levar esperança de um conforto melhor às suas mulheres, ao amor de suas vidas, daquele sempre melhorar de vida, fazer uma excursão pra praia, de comprar um carro velho mais novo.

Lula se esqueceu disso tudo quando escutou o canto da sereia que se lhe acenou as sirenas do poder político. O general Golbery do Couto e Silva, ao ser indagado por Paulo Egydio Martins, respondeu friamente: Lula vai ser um grande político e os comunistas serão derrotados. Foi, assim, o grande estrategista que convenceu os militares a devolver o País aos civis; Golbery fez nascer o político Lula para acabar de vez com o peleguismo político/sindical do País e, de quebra, desnudar o comunismo. É a minha opinião, ora pois, diante do que vivi. Mas aguardo que algum jornalista pergunte isso ao senhor e ex-presidente da república Luís Inácio da Silva. Certo. É bem possível que ele diga que não se lembra de nada. Tem sido assim – e assim sempre será. Afinal, pelegos não têm memória.

Bom dia.