Transexuais protestam na Unicamp contra preconceito

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Transexuais protestam na Unicamp contra preconceito


Frases agressivas em banheiros geram revolta de estudantes, que denunciam transfobia no campus

PRECONCEITO

Transexuais protestam na Unicamp contra preconceito

Frases agressivas em banheiros geram revolta de estudantes, que denunciam transfobia no campus

10/12/2014 - 10h03 - Atualizado em 10/12/2014 - 11h54 | Sarah Brito/ AAN

Foto: Dominique Torquato/ AAN
A doutoranda em teoria literária Amara Rodovalho, de 29 anos, que encabeça o movimento contra a transfobia na Unicamp, em banheiro pichado: preconceito
A doutoranda em teoria literária Amara Rodovalho, de 29 anos, que encabeça o movimento contra a transfobia na Unicamp, em banheiro pichado: preconceito

Estudantes transexuais e travestis da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) têm enfrentado, diariamente, o desafio de quebrar o preconceito. Frases agressivas estampam há duas semanas dois banheiros femininos do campus, direcionadas às estudantes, revoltando colegas e amigos.
 
“Não deixe os machos ocuparem nossos espaços” e “ser mulher não é calçar nossos sapatos” são duas das muitas frases pichadas em paredes, suportes de papel higiênico e portas de banheiro. Uma das frases, mais agressiva, afirma que os órgãos genitais das transexuais e travestis será cortado.
 
Nome social
 
Nesta terça-feira (9), um grupo de quatro estudantes de diferentes cursos organizaram um protesto no restaurante universitário, chamado de “bandejão”, exigindo respeito e o fim do preconceito. Hoje, são seis alunos da Unicamp que fazem uso do nome social — solicitaram para que o nome de registro fosse substituído pelo escolhido após a transição.
 
Cerca de 100 estudantes apoiaram a causa. Os banheiros com pichações agressivas estão localizados no Ciclo Básico II e no Instituto de Filosofia e Ciência Humanas (IFCH) e as frases não haviam sido retiradas ontem.
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, onde imagens das frases foram divulgadas.
 
Também é citada a semelhança da situação enfrentada pelo cartunista Laerte. Quando começou passou a usar roupas femininas, Laerte disse que a situação mais complicada era usar banheiros públicos e que havia sido expulso de locais femininos e masculinos.
 
Rejeição
 
A doutoranda em teoria literária Amara Rodovalho, de 29 anos, que encabeça o movimento contra a transfobia na Unicamp, contou que as transexuais não são bem-vindas em nenhum banheiro — seja ele feminino ou masculino. “Vemos agressão e assédio sexual. Homens cospem na gente, desdenham, menosprezam. No feminino, também não existe espaço”, disse. Para ela, o banheiro feminino é uma proteção para as transexuais, além de ser uma maneira de referendar a opção de gênero escolhida.
 
 
Sobre a possibilidade de criação de um banheiro extra, Amara não acredita que seja a solução. A opinião é dividida por colegas. A estudante de letras Beatriz Pagliarini, de 21 anos, vê a questão como uma forma de “excluir ainda mais” os travestis e transexuais. “Temos o silenciamento: para onde a mulher transexual vai? É um 'não-lugar'”, disse.
 
Apontar transfobia
 
Na última semana, a Unicamp pediu às estudantes que elaborassem um documento apontando a transfobia na universidade. Esse levantamento foi feito e deve ser entregue hoje à administração do campus. O grupo afirmou que encaminhará o caso à Diretoria Acadêmica e também ao Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Campinas.
 
Outra reivindicação é em relação ao nome social, adotado na Unicamp, mas que para os alunos não é regulamentado. É pelo nome social que travestis e transexuais se identificam em relações sociais. Apesar de reconhecido na universidade, há relatos de menosprezo de alunos e professores.
 
O estudante Leandro de Souza Vicente, de 25 anos, disse que sofreu problemas com a família e não encontrou ajuda na assistência social da universidade após iniciar a transição. “Não tenho coragem de usar o banheiro masculino, meus colegas fazem 'caras e bocas'. Vou em outros institutos. E o preconceito se estende para a sala de aula.” Segundo ele, ao ter o nome alterado para o social na lista de chamada, os colegas e professor ironizam. Amara contou ainda que uma aluna transexual abandonou o mestrado por não aguentar a pressão sofrida .
Instituição
 
A Unicamp informou que “repudia toda manifestação ou ato que implique em discriminação de qualquer natureza”. Disse ainda que, desde novembro de 2012, oferece aos estudantes a opção de nome social, nos termos do decreto estadual 55.588 de 17 de março de 2010. A nota informa que, para requerer o nome social, o interessado deve preencher um formulário no site da Diretoria Acadêmica.
 
O nome social constará nos documentos de uso interno da universidade, acompanhado do sobrenome do registro civil. No caso de documentos oficiais de uso externo, o prenome anotado no registro civil será acompanhado do prenome escolhido.



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