Indústria busca saída para falta de água

iG Paulista - 10/07/2014 - 05h00 |
Do IG Paulista | igpaulista@rac.com.br

Pedras do enrocamento que a Sanasa fez na área de captação do Rio Atibaia, em Campinas, já estão aparecendo
Foto: Carlos Sousa Ramos/AAN
Pedras do enrocamento que a Sanasa fez na área de captação do Rio Atibaia, em Campinas, já estão aparecendo
Empresários de dezenas de cidades do Interior paulista se mobilizam a fim de encontrar alternativas para a crise hídrica que assola a região e já afeta outras regiões produtoras do Estado. No próximo dia 17, nove diretorias regionais do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) se reunirão em Campinas para debater o tema e buscar soluções para minimizar os prejuízos do setor industrial.
 
O setor ndustrial também redigirá um documento exigindo compromisso dos candidatos ao governo estadual sobre a vazão mínima do Sistema Cantareira. O encontro terá a participarão das regionais do Ciesp em Americana, Bragança Paulista, Campinas, Jundiaí, Indaiatuba, Limeira, Piracicaba, Rio Claro e Santa Bárbara d’Oeste, que totalizam 74 cidades.
 
Contingenciamento
 
“A indústria vai fazer um plano de contingenciamento de água no setor, embora a Indústria não tenha grandes perdas e tenha um controle do uso da água. Vamos levar isso para as pequenas e médias indústrias. Queremos mostrar alguns cases de sucesso de cidades que já têm racionamento, para mostrar que bem feito pode economizar água”, explicou o diretor-titular do Ciesp Campinas, José Nunes Filho.

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O plano de contingência da Indústria inclui desde medidas para redução de consumo de água, passando pelo aumento da capacidade de armazenamento, pelo estudo de mananciais para novas captações superficiais, perfuração de poços profundos, abastecimento por caminhões-pipa, estudo de reciclagem ou reúso de água a efluentes.
 
Preocupação
 
O diretor do Ciesp de Santa Bárbara d’Oeste, Nivaldo José da Silva, também mostrou preocupação com a crise hídrica. As indústrias do setor têxtil necessitam de grande quantidade de água durante a produção e a situação só não é mais crítica porque a cidade conta com represas que conseguem suprir momentaneamente a falta de chuvas.
 
“Em Santa Bárbara, temos algumas represas e não estamos sentindo de imediato a falta de água. Mas fizemos uma reunião há duas semanas para discutir esse assunto e mostrar para as empresas o risco que todos estamos correndo”, observou.
 
Cobrança dos candidatos
 
Aquecendo o debate eleitoral, no evento também será redigido um documento a ser entregue aos candidatos ao governo estadual. A crise hídrica deverá pautar a disputa eleitoral para a cadeira do Palácio dos Bandeirantes. Na pauta de discussões de representantes das nove regionais do Ciesp, estará a redação de um documento no qual constará itens como a exigência de 6m3/s de vazão mínima do Sistema Cantareira para a região e a permissão de empresas que têm outorga para coletar água dos mananciais a usar outras fontes, como a perfuração de poços artesianos.
 
“Vamos fazer esse documento para que isso (crise hídrica) não volte a acontecer. Vamos exigir que os candidatos respeitem a região em relação à água", finalizou Nunes Filho.
 
Reúso
 
O seminário, que é gratuito e aberto aos interessados, contará com as presenças do presidente do Ciesp, Rafael Cervone Netto e do diretor de Meio Ambiente da Fiesp e Ciesp, Eduardo San Martin, representante dos Comitês da Bacia dos Rios Piracicaba, Caívari e Jundiaí (Bacia PCJ), além da promotora do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), Alexandra Faciolli e do presidente do Departamento de Água e Esgoto de Valinhos (Luiz Mayr Neto), que irá falar sobre o racionamento em vigor na cidade.
 
Uma das alternativas para minimizar os impactos da crise hídrica nas indústrias é a utilização de água proveniente de reúso, resultado do tratamento de esgoto. Para incentivar o consumo dessa água, a Sanasa reduziu o preço do metro cúbico em 30%. Desde 1º de junho, o valor que era de R$ 2,00 o metro cúbico passou para R$ 1,40. Além disso, em aproximadamente 90 dias será construído no Jardim Londres um reservatório com capacidade de 20 mil litros.