Atibaia está no limite para racionamento

iG Paulista - 08/07/2014 - 05h00 |
Maria Teresa Costa | teresa@rac.com.br

A baixa vazão de água deixa pedras à mostra no trecho do Rio Atibaia que corta Sousas, em Campinas
Foto: Dominique Torquato/AAN
A baixa vazão de água deixa pedras à mostra no trecho do Rio Atibaia que corta Sousas, em Campinas
As quedas abruptas na vazão do Rio Atibaia, que ocorriam por volta do meio-dia, mudaram de horário e agora estão surgindo por volta das 18h, derrubando o volume de água no rio que abastece 95% de Campinas.
 
As quedas voltaram a preocupar, porque mesmo recebendo mais água do Sistema Cantareira, o Atibaia está operando praticamente no limite e qualquer aumento no consumo poderá levar a cidade ao racionamento.
 
No sábado (5), a vazão chegou a 3,82m3/s no fim da tarde; no domingo a 3,75m3/s e nesta segunda-feira (7) a 3,8m3/s. Com a redução de consumo, houve também redução no volume captado, que está em torno de 3,1m3/s.
 
Adiamento

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) adiaram, sem data definida, um sobrevoo na região do Rio Atibaia para tentar descobrir o que está levando às quedas abruptas de vazão.
 
O voo deveria ter ocorrido há uma semana, mas foi adiado por causa da divulgação da operação, o que poderia prejudicar eventuais flagrantes.
 
A hipótese mais provável é que ao longo do rio a água esteja sendo bombeada para encher reservatórios privados, uma vez que já foi descartada a possibilidade de o sumiço da água estar sendo provocado pelo funcionamento da pequena central hidrelétrica existente próximo da captação.
 
A PCH Salto Grande não está funcionando por causa da baixa vazão do Atibaia e há um acordo feito com os Comitês das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) para que a operação só ocorra quando a vazão, medida na captação de Valinhos, esteja acima de 7m3/s.
 
Queda no reservatório
 
A Sanasa, disse o diretor Técnico, Marco Antônio dos Santos, vai ajudar o Daee com pessoas e meios na fiscalização do rio, para descobrir para onde está indo a água que vem “sumindo” do rio.
 
A falta de chuva continua derrubando o volume de água armazenado no Sistema Cantareira e na calha dos rios das Bacias PCJ. O sistema operou nesta segunda-feira com 18,98% da capacidade no conjunto de represas que formam o chamado Sistema Equivalente.
 
Pouca água está entrando nos reservatórios, tanto de chuva quanto dos rios cujas nascentes estão no sul de Minas Gerais. Ontem entrou apenas 1,15m3/s e saíram 4m3/s para os rios das Bacias PCJ e 19,21m3/s para a Grande São Paulo.